Google tem de pagar 900 milhões de euros em multas por posição de monopólio

Laura Jenny
Laura Jenny
23 Julho 2026, 16:38
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A Google tem um monopólio tão grande que, segundo a União Europeia, passou dos limites. A empresa estará a favorecer os seus próprios serviços dentro do motor de busca e, por isso, terá de pagar uma multa de 460 milhões de euros. A este valor junta-se uma segunda sanção de 430 milhões de euros, por dificultar as compras dos utilizadores fora do ecossistema da Google. Como seria de esperar, a gigante tecnológica rejeita estas conclusões.

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Multas para a Google

A Comissão Europeia acusa a Google de violar a Lei dos Mercados Digitais (DMA). E não estamos a falar de um caso de há dez anos, como às vezes acontece com as investigações da UE. O problema é bem atual. No fundo, esta lei foi criada precisamente para limitar o poder das grandes empresas tecnológicas, evitando que passem a ditar todas as regras do jogo.

A Google não concorda com as decisões europeias. Kent Walker, Presidente de Assuntos Globais da Google e Alphabet, foi claro: “Esta legislação da DMA continua a prejudicar produtos do dia a dia. Para a cumprir, somos obrigados a remover funcionalidades de pesquisa em tempo real que os europeus adoram, como preços diretos e disponibilidade imediata de hotéis, voos e restaurantes, além de desmantelar salvaguardas de segurança na Google Play.”

O executivo acrescentou ainda que “isto não é concorrência leal; é uma degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de queixosos movidos por interesses próprios, em que as empresas e os consumidores europeus saem a perder. A regulação devia melhorar os produtos, não piorá-los”.

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Na prática, a Google avisa que, em breve, poderás deixar de ver o preço atualizado e a disponibilidade de determinados serviços logo nos resultados de pesquisa. Um bom exemplo são os hotéis que procuras através do motor de busca.

Atualmente, os resultados dos próprios serviços da Google aparecem em primeiro lugar. Isso é permitido, mas a empresa não pode destacar as suas plataformas de forma tão proeminente em detrimento da concorrência. Afinal, há muitos outros sites que fazem o mesmo e que, neste momento, não têm uma oportunidade justa, o que também te deixa com menos opções de comparação.

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O segundo caso diz respeito aos programadores de aplicações. Segundo a UE, estes são obrigados a promover as suas apps apenas dentro da Play Store e não fora dela. Isto impede que descubras opções mais baratas, quando deveria haver total transparência.

A Google já fez saber que vai recorrer das decisões. Ainda assim, a empresa mostra-se disposta a dialogar com a Europa para perceber que ajustes práticos podem ser feitos. Contudo, essas conversas não vão apagar as multas que já foram aplicadas.

Se nada mudar na sua forma de atuar, a Google arrisca multas ainda mais pesadas no futuro. A verdade é que a empresa tem vários processos em aberto. Recentemente, soube-se que a gigante tecnológica terá também de pagar 4,1 mil milhões de euros por, alegadamente, impedir outras empresas de acederem livremente à sua plataforma Android.