Chegámos àquela altura do ano em que muitas aplicações gostam de fazer uma retrospetiva. O Strava não é exceção, mas este ano decidiu não oferecer o seu famoso “Year in Sport” de mão beijada. Esta funcionalidade foi colocada atrás de uma barreira de pagamento (a chamada paywall), o que, vamos ser honestos, é um bocadinho “foleiro”.
Strava Year in Sport escondido atrás de uma paywall
A grande questão é: será esta uma jogada inteligente por parte do Strava? O Spotify, por exemplo, investe imenso neste tipo de resumos anuais precisamente porque as pessoas adoram partilhá-los nas redes sociais. É publicidade gratuita e valiosa para a aplicação. Ao limitar o acesso, o Strava está a confiar apenas nos seus subscritores — que pagam cerca de 70 euros por ano — para fazerem esse “passa-palavra”.
O Strava cria este “Year in Sport” para os seus utilizadores há quase uma década, mas é a primeira vez que decide escondê-lo atrás de uma subscrição. É sempre uma forma divertida e animada de visualizar o que conseguiste alcançar a nível desportivo durante o ano, mas agora está acessível a muito menos gente.
A verdade é que a diferença entre a versão gratuita e a Premium nem sempre é abismal. Sim, tens acesso a planeadores de rotas (caso contrário, tens de te desenrascar sozinho) e obténs estatísticas um pouco mais detalhadas sobre os teus treinos. No entanto, dito isto, muitos atletas amadores conseguem viver perfeitamente bem apenas com a variante gratuita.
50 milhões de utilizadores
O problema é que, de repente, deixas de poder contar com o teu resumo anual. Como seria de esperar, as redes sociais encheram-se de utilizadores a manifestar o seu descontentamento com esta decisão. “Deixem a plebe ver também o seu Year in Sport, por favor!”, lê-se por aí. O Strava não explicou oficialmente o porquê desta mudança, embora a razão pareça óbvia: aumentar as receitas.
Para muitos utilizadores, isto soa sobretudo a uma atitude “forreta” ou gananciosa da plataforma. O argumento é simples e válido: as pessoas sentem que já “pagam” ao Strava ao cederem os seus dados pessoais e de localização, pelo que consideram ridículo que lhes seja agora negado o acesso a uma visualização simpática dessa mesma informação.
No fundo, o Strava está numa fase excelente: desde 2020, a aplicação triplicou o número de utilizadores, contando agora com uma base de 50 milhões. É um sucesso inegável. Além disso, há rumores fortes de que a empresa quer entrar na bolsa, o que talvez seja o principal motivo para empurrar o “Year in Sport” para o lado pago da barricada: é preciso mostrar números financeiros mais robustos.
Strava: corra, pedale, caminhe
Strava Inc.