Ao pegar no Motorola Edge 70, a sensação é imediata: este telemóvel é diferente. Com apenas 5,99 milímetros de espessura, é visivelmente mais fino do que praticamente qualquer outro smartphone no mercado.
Apesar do seu design ultrafino, a Motorola conseguiu incluir uma bateria surpreendentemente grande. Isto não só o torna um dos telemóveis mais finos do mundo, como o estabelece como o melhor smartphone fino atualmente disponível.
No entanto, e apesar destes elogios, não o vou recomendar a ninguém. Queres saber porquê? Continua a ler esta análise.
Motorola Edge 70
Em 2025, vários fabricantes tentaram ressuscitar uma velha tendência no mundo dos smartphones: a corrida pelo aparelho mais fino. Ainda te lembras do Huawei Ascend P6? A ideia é a mesma: fino, mais fino, finíssimo.
Para se destacarem num mercado saturado e fazer do design um argumento de compra, a Samsung e a Apple lançaram modelos como o Galaxy S25 Edge e o iPhone 17 Air. Contudo, estes dois aparelhos partilham três características:
- São incrivelmente finos, com 5,8 e 5,64 milímetros, respetivamente.
- As suas baterias são minúsculas (3.900 e 3.149 mAh) e a autonomia é fraca.
- As vendas são um autêntico desastre.
A questão é: será que o terceiro smartphone ultrafino de 2025, o Motorola Edge 70, consegue resolver estes problemas? Nesta análise, vou explorar os seus pontos fortes e fracos.

Motorola Edge 70: os pontos fortes
1. Visivelmente fino, leve e moderno
Confesso que estava cético quando vários fabricantes anunciaram o regresso dos smartphones ultrafinos. Duvidava da sua utilidade e se a diferença seria realmente percetível no dia a dia. Estava enganado em ambos os aspetos: a espessura reduzida faz, de facto, a diferença.
Ao segurar o Motorola Edge 70 pela primeira vez, a surpresa é inevitável. Com 5,99 mm de espessura e apenas 159 gramas, a sensação de leveza é impressionante, especialmente quando comparado com a média do mercado, que ronda os 7,5 mm e 200 gramas.
O resultado é que o teu telemóvel atual vai parecer subitamente tosco e antiquado ao lado do Edge 70. É uma daquelas coisas que tens mesmo de sentir para acreditar, e a habituação é quase instantânea.
Depois de usar o Edge 70, o meu próprio Pixel 10 Pro XL parece agora desajeitadamente grosso e pesado.


2. A bateria é boa (!)
A pergunta que mais ouvi durante o período de testes foi: “Com essa espessura, a bateria deve ser minúscula, certo?” A resposta é um rotundo não. A Motorola conseguiu integrar uma bateria de 4.800 mAh, uma capacidade muito superior ao que se esperaria de um design tão fino.
Para contextualizar, esta capacidade está muito próxima dos 5.000 mAh que encontramos em gigantes como o Galaxy S25 Ultra, o Pixel 10 Pro XL ou o Nothing Phone (3a) — o que consideramos o padrão em 2025.
O segredo está na tecnologia. Muitos fabricantes chineses, incluindo a Motorola, estão a usar baterias de silício-carbono. Esta inovação permite uma maior densidade energética, o que significa que é possível armazenar mais energia no mesmo espaço físico — ou, como neste caso, manter uma boa capacidade numa estrutura muito mais fina.
Na prática, isto traduz-se numa autonomia acima da média. É um salto gigantesco em comparação com o Galaxy S25 Edge e o iPhone 17 Air, cujas baterias são francamente fracas. Com o Edge 70, consegues facilmente aguentar um dia inteiro de uso, e chegar a um dia e meio não é, de todo, impossível. Parece ser a combinação perfeita entre estilo e substância.
Podia ter sido ainda melhor
Ainda assim, a Motorola poderia ter ido mais longe. Se tivesse incluído um ecrã com tecnologia LTPO ou LTPS, a autonomia seria ainda melhor. Este tipo de painel ajusta a taxa de atualização do ecrã de forma dinâmica — por exemplo, baixa a frequência quando estás a ler um texto estático — para poupar energia. É uma omissão estranha, visto que a maioria dos concorrentes nesta gama de preço já oferece esta funcionalidade.
3. Muito armazenamento
Um ponto que merece um aplauso: o Edge 70 vem, de série, com 512 GB de armazenamento. Espaço não te vai faltar.

Motorola Edge 70: os pontos fracos
1. Demasiado caro
Quase todas as minhas críticas ao Edge 70 resumem-se a um único fator: o preço. No momento desta análise, custa 799 euros. Por este valor, as câmaras, o desempenho, o software e a política de atualizações são simplesmente insuficientes.
Nenhum destes aspetos é terrível, mas por quase 800 euros, tens o direito de exigir muito mais. Vamos analisar cada ponto em detalhe.
2. As câmaras desiludem
Na traseira, o Edge 70 apresenta duas câmaras funcionais: um sensor principal de 50 MP e uma lente grande angular, também de 50 MP. Se estás atento ao mercado, vais notar imediatamente uma ausência importante: a lente teleobjetiva.
O antecessor, o Edge 60, incluía uma lente para zoom ótico, mas esta foi sacrificada em nome do design fino. Para compensar, a Motorola adicionou um sensor de profundidade — um componente que, na prática, tem uma utilidade quase nula. Pior ainda, a marca promove o telemóvel como tendo três câmaras, o que é, na minha opinião, publicidade enganosa.
- Câmara principal de 50 MP, f/1.8, tamanho do sensor 1/1.56”
- Lente grande angular de 50 MP, f/2.0, tamanho do sensor 1/2.76”, ângulo de visão de 120 graus

Demasiado verde
A qualidade de imagem, no geral, desilude. A reprodução de cores tem uma tendência excessiva para tons verdes, especialmente com boa luz. Em ambientes mais escuros, a qualidade degrada-se a olhos vistos: o detalhe desaparece, as cores ficam distorcidas e o aparelho debate-se para equilibrar as zonas de luz e sombra (o alcance dinâmico).
Concorrentes diretos como o Galaxy S25, o Pixel 10, o Xiaomi 15T Pro ou o Nothing Phone (3) — todos na mesma faixa de preço — simplesmente esmagam o Edge 70 no que toca à fotografia.








3. Software
O Edge 70 corre Android 16 sob a interface Hello UI da Motorola. É uma versão do Android bastante “limpa”, enriquecida com algumas funcionalidades úteis que são a imagem de marca da Moto.
Novo ‘botão de ação’
Uma das novidades é o “botão de ação” na lateral direita, semelhante ao que encontramos no Find X9 Pro ou nos iPhones mais recentes. A ideia é boa, mas a execução é péssima. A sua única função é chamar a Moto AI, o assistente da marca.
Isto significa que não o podes personalizar para ações úteis, como abrir a câmara, alternar entre os modos de som ou — a escolha mais óbvia — acionar o Google Gemini. É uma oportunidade desperdiçada.
Um pouco desatualizado
É uma pena que a Motorola tenha ignorado muitos dos elementos de design do Material You, o que faz com que a interface pareça algo datada. Vindo de um Pixel 10 Pro XL e de um Find X9 Pro, que têm, na minha opinião, as melhores implementações do Android, a transição para a Hello UI parece um passo atrás no tempo.
Para agravar a situação, o telemóvel vem com bloatware. Num aparelho de quase 800 euros, a presença de aplicações e jogos pré-instalados é inaceitável. Embora os possas desinstalar, a primeira impressão ao configurar o dispositivo é negativa.


A política de atualizações podia ser melhor
Por fim, a política de atualizações. O Edge 70 receberá quatro grandes atualizações do Android e seis anos de atualizações de segurança. Não é uma política má, mas fica atrás do que marcas como a Google ou a Samsung oferecem nesta mesma gama de preços.

4. Desempenho abaixo do esperado
Voltamos à questão do preço. Por 799 euros, o desempenho do Edge 70 é apenas mediano. O processador é o Snapdragon 7 Gen 4, um chip competente da gama média-alta, mas que simplesmente não está à altura da concorrência direta.
O telemóvel não é lento, mas um Galaxy S25, um Phone (3) ou um Pixel 10 Pro são visivelmente mais fluidos e rápidos. Esta diferença nota-se na navegação diária e torna-se ainda mais evidente em tarefas exigentes, como jogos ou edição de vídeo.
Conclusão
O Motorola Edge 70 é, sem dúvida, o smartphone ideal para quem procura um design ultrafino e elegante sem sacrificar a autonomia da bateria. É uma proeza de engenharia notável, pois a Motorola conseguiu criar um aparelho que se sente excecionalmente fino, mas cujo desempenho no dia a dia se assemelha ao de um telemóvel convencional.
No entanto, a questão principal permanece: vale a pena pagar um extra significativo por este design, quando o resto das especificações não impressiona? Por 799 euros, encontras facilmente alternativas com melhores câmaras, processadores mais potentes, software mais atual e políticas de atualização superiores.
O Edge 70 confirma assim que o título de “melhor smartphone fino” tem um custo elevado. Merece a distinção, é certo, mas a concorrência é quase inexistente. Contudo, há um aviso: depois de te habituares a este formato, é muito difícil voltar atrás.
Felizmente, os preços da Motorola tendem a descer rapidamente. Se o Edge 70 seguir essa tendência e o seu preço baixar para a casa dos 500 euros, aí sim, tornar-se-á uma proposta muito mais interessante.

Análise: Motorola Edge 70
Pontos fortes
- Extremamente fino e leve: um caminho sem retorno
- Autonomia surpreendente para a sua espessura
- 512 GB de armazenamento de base
Pontos fracos
- Preço demasiado elevado para o conjunto
- Ecrã sem taxa de atualização adaptativa (LTPO)
- Qualidade fotográfica medíocre
- Software com aspeto datado e com bloatware
- Política de atualizações inferior à concorrência
- Desempenho apenas satisfatório para o preço
- Hardware superado pela concorrência direta

Comprar o Motorola Edge 70
O Motorola Edge 70, na versão com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento, está disponível a partir de 799 euros. As cores disponíveis são Pantone Bronze Green (a cor do modelo analisado), Pantone Lily Pad, Pantone Gadget Grey e Pantone Cloud Dancer.
Alternativas
Se a espessura não for a tua prioridade máxima, por cerca de 800 euros encontras alternativas superiores, como o OnePlus 13, o Google Pixel 10 Pro, o Galaxy S25+ ou o Xiaomi 15T Pro.