Análise do Samsung Galaxy A17: Sobreviveu por pouco

Jelle Passchier
Jelle Passchier
19 Março 2026, 14:03
7 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
4.5

Avaliações

Foram semanas difíceis cá em casa. Sei que não me devo queixar, especialmente nos tempos que correm, mas passar duas semanas preso ao Galaxy A17 foi um desafio gigante. Nesta análise, explico-te porquê.

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Duas semanas com o Galaxy A17

Há momentos na vida em que olhas para trás e pensas: como é que eu sobrevivi a isto? Aquela festa de aniversário interminável onde ficaste sentado ao lado da pessoa mais chata, ver o filme “O Último Airbender” de 2010, ou ter de comer num daqueles restaurantes de fast-food onde crianças aos gritos levam os pais ao desespero até conseguirem o que querem. Já passei por tudo isso. No entanto, nada se compara às últimas duas semanas que passei na companhia do Samsung Galaxy A17.

Como redator e analista na Androidworld, faço tudo por vocês, nossos queridos leitores (inserir emoji de coração), mas a verdade é que lidar com o A17 não foi tarefa fácil. Arranque lento, bloqueios constantes, engasgos atrás de engasgos, câmaras que conseguem tornar feios os lugares mais bonitos e um software limitado que, ainda assim, é demasiado pesado para o hardware. É uma lista de dores de cabeça com as quais te vais deparar rapidamente se usares este smartphone.

Ainda assim, lá consegui esboçar um sorriso de vez em quando durante estas duas semanas. Nesta análise, conto-te porquê.

O que vem na caixa?

  • O telemóvel
  • Manuais e garantia
  • Cabo USB-C

Samsung Galaxy A17: os pontos positivos

1. Suporte prolongado

Lançar um telemóvel por cerca de 229 euros e garantir-lhe nada menos do que seis atualizações de sistema Android e seis anos de patches de segurança merece um valente aplauso. A Samsung está de parabéns por oferecer exatamente isto no Galaxy A17. É fantástico ver esta política de atualizações numa gama de entrada, mas resta saber se o hardware do A17 vai realmente aguentar até ao fim.

2. Ecrã resistente de qualidade

Na parte frontal do Galaxy A17 destaca-se um generoso painel OLED de 6,7 polegadas, com resolução FullHD+ e uma taxa de atualização de 90 Hz. Para a sua gama de preço, o ecrã tem muito bom aspeto e os seus 800 nits de brilho são suficientes para o dia a dia. A grande vantagem, no entanto, é a proteção Gorilla Glass Victus. É um nível de resistência bastante raro de encontrar num telemóvel tão barato.

Um smartphone com e

Samsung Galaxy A17: os pontos fracos

1. Extremamente lento

Dizer que o Galaxy A17 não é um velocista é ser simpático. Em vez de dar corridas ocasionais, o telemóvel parece arrastar-se por uma pista de obstáculos, onde cada aplicação aberta é um novo desafio. Tudo, mas mesmo tudo, é lento no A17. Abrir apps, desbloquear o ecrã, navegar nos menus, iniciar a câmara para tirar uma foto ou até reproduzir uma simples animação: tudo acontece com bastantes engasgos.

A situação era tão frustrante que acabei por desinstalar várias aplicações e andar com um telemóvel quase vazio. Mas mesmo com poucas apps, o A17 tem uma enorme dificuldade em funcionar com o mínimo de fluidez. O processador Exynos 1330 e os 4 GB de memória RAM simplesmente não dão conta do recado. É o mesmo chip que já encontrávamos no Galaxy A16 do ano passado. Esse modelo já era lento; um ano depois, infelizmente, não avançámos um milímetro. Nos últimos anos, testei o Galaxy A13, A14, A15, A16 e agora este A17. Todos eles, mesmo tendo em conta o preço reduzido, eram bastante lentos e a tendência só piorou com o passar do tempo.

2. Ainda este design?

O que todos estes telemóveis da linha Galaxy A têm em comum é o design. Todos continuam a apresentar um notch (aquela ranhura no topo do ecrã) para esconder a câmara frontal. Vamos ser honestos: isto é tão 2018…

3. O software não aguenta

Tu sabes perfeitamente que um dos smartphones mais baratos da Samsung nunca vai ser o mais rápido do mundo. A própria marca também sabe disso. É por isso que, há vários anos, opta por instalar uma versão mais leve e simplificada da interface One UI nos seus modelos de entrada. Com isto, acabas por perder algumas funcionalidades engraçadas do ecossistema Samsung. É pena, mas compreende-se. Nem quero imaginar a lentidão do A17 se tivesse de correr a versão “normal” e pesada da One UI.

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4. Sons aleatórios do teclado

Outro detalhe caricato da “rapidez” do A17 é que, ao ligares o telemóvel, ouves sons aleatórios do teclado de marcação. Isto acontece muitas vezes logo no ecrã de arranque, mas por vezes surge um minuto depois de o ecrã acender. Ainda me assusto com isto e fico sempre com a sensação de que o telemóvel vai ligar para alguém sozinho.

5. As câmaras… existem

Na parte traseira do Galaxy A17, encontramos um módulo com três câmaras. Trata-se dos seguintes sensores:

  • Câmara principal de 50 megapixéis, f/1.8, tamanho do sensor 1/2.76”
  • Lente grande angular de 8 megapixéis, f/2.2, tamanho do sensor 1/5.0”
  • Câmara macro de 2 megapixéis

Encaixa na moda retro

Se a ideia é seguir a tendência das fotografias com aspeto antigo e analógico, o Galaxy A17 faz um trabalho fantástico. Nas imagens, vais encontrar facilmente imenso ruído, falta de detalhe, reflexos de luz (sun flare) e uma enorme inconsistência na reprodução das cores.

Percebo perfeitamente que, nesta faixa de preço, não vais encontrar um telemóvel com câmaras de topo. No entanto, as imagens captadas pelo A17 são, de forma geral, bastante tristes. Como referi acima, falta-lhes muito detalhe. O software do telemóvel apercebe-se disso e tenta compensar, numa lógica de “salvar o que for possível”. O resultado é que áreas inteiras da foto ficam esborratadas e com um aspeto artificial, o que acaba por piorar a imagem.

Lente grande angular

Os problemas aplicam-se à câmara principal, mas são ainda mais evidentes na lente grande angular. Esta câmara é bastante fraca e usa um sensor minúsculo de 1/5.0”. É um tamanho tão reduzido que a quantidade de luz captada é mínima. Por consequência, as fotografias tiradas com a grande angular têm ainda menos detalhe.

Além disso, a reprodução de cores varia drasticamente entre a câmara principal e a grande angular. Podes ver isso claramente nas duas fotos da floresta abaixo. A primeira foi tirada com a grande angular e a segunda com a lente principal. Repara bem no tom verde da foto da esquerda, que é muito mais claro e artificialmente saturado.

Zoom artístico

Fazer zoom digital com um sensor tão pequeno é uma péssima ideia. O meu único conselho aqui é simples: não o faças.

Conclusão

Muitas das pessoas que procuram um smartphone acessível (especialmente da Samsung) vão, muito provavelmente, deparar-se com o Galaxy A17. A quem procura um telemóvel barato, deixo apenas um aviso: por favor, procura outras opções. Mesmo por este valor, consegues encontrar smartphones mais modernos, mais rápidos e com câmaras muito melhores.

O A17 é tão incrivelmente lento que, nas duas semanas em que o testei, apeteceu-me atirá-lo pela janela várias vezes. No fundo, a experiência geral de utilização é muito frustrante. E isso é uma pena, porque o A17 será, para muitos utilizadores, o primeiro contacto com o sistema Android. Apesar de existirem alternativas muito superiores, os modelos Galaxy A1 continuam a ser dos smartphones Android mais vendidos no mercado há anos. Para muitos, é neste ecrã que descobrem o sistema operativo e o usam no dia a dia.

A todas essas pessoas, quero dizer o seguinte: o Android tem muito mais para oferecer do que isto. Não quero ser injusto com a Samsung, mas a verdade é que existem telemóveis melhores no mercado que proporcionam uma experiência Android infinitamente superior.

Comprar o Samsung Galaxy A17

O Samsung Galaxy A17 está disponível nas cores preto, cinzento e azul, com um preço de venda recomendado de 229 euros.

Alternativas

«Mas então, que telemóveis são melhores?», deves estar a pensar. Se não queres mesmo gastar mais de 150 a 200 euros, podes considerar opções como o Motorola G86 ou o Redmi Note 14 Pro. Se puderes investir um pouco mais, modelos como o CMF Phone 2 Pro ou o Samsung Galaxy A36 são escolhas muito mais seguras. Com qualquer um destes, garanto-te que levas muito mais smartphone pelo teu dinheiro.