“Num mundo repleto de caos e estímulos constantes, um momento de descanso.” É exatamente isto que os criadores da Somnox têm em mente com o seu dispositivo. À primeira vista, pode soar um pouco esotérico ou “zen” demais, mas a verdade é que por trás deste conceito esconde-se um robô do sono. Testámos esta invenção holandesa e vamos contar-te tudo o que achámos.
Somnox 2
A Somnox não é, de todo, um aparelho assim tão “místico”, especialmente se considerarmos que teve a sua origem na Universidade Técnica de Delft (TU Delft). Nasceu como projeto de fim de curso de Julian Jagtenberg, que procurava uma forma de ajudar um familiar com problemas de sono. O desafio era claro: seria possível fazê-lo sem medicação? A resposta foi um redondo “sim”.
Pouco tempo depois, Julian transformou a Somnox numa empresa em crescimento que até conquistou um prestigiado Red Dot Design Award. O relatório do júri foi elogioso: “Este robô adormecido incorpora, de forma magistral, a ideia de descanso e conforto, integrando-se naturalmente no ambiente de sono.” Estava mais do que na hora de sentirmos isso na pele.
Confesso: não sou propriamente o público-alvo de um robô do sono. Basta-me olhar para a almofada para adormecer. Aliás, se encostar agora a cabeça na secretária, entro imediatamente no mundo dos sonhos. Aquela ruminação mental de que muitos se queixam, o ficar a olhar para o teto às voltas na cama, não é algo que me seja familiar.
No entanto, acordo frequentemente cansado, como se o meu cérebro tivesse continuado a trabalhar a todo o vapor durante a noite. Quando um amigo com sintomas pós-COVID me contou que até leva o seu Somnox para as férias, pensei: “Tenho de investigar isto melhor”. Será que um dispositivo destes faz mesmo sentido?
O que vem na caixa?
- O Somnox (com a capa já colocada)
- Carregador
- Manuais e documentação
Pontos positivos do Somnox 2
Pode realmente ajudar a relaxar
Se começaste a ler esta análise à procura de uma resposta definitiva à pergunta “Vale a pena comprar o Somnox?”, infelizmente não te posso dar um “sim” ou “não” absoluto. Cada pessoa tem os seus próprios desafios de sono: para uns, este aparelho funcionará como um relógio suíço; para outros, poderá fazer pouco ou nada.
Eu não preciso dele para adormecer, mas noto que durmo de forma mais tranquila quando o utilizo. Costumo ligá-lo durante meia hora e ele garante que a minha respiração abranda naturalmente. O segredo? Acabas por sincronizar a tua respiração com o movimento da “barriga” do robô, que sobe e desce ritmicamente. Graças aos sensores na parte traseira, o Somnox monitoriza como estás a respirar e ajusta-se a ti.
Passados esses trinta minutos (ou o tempo que tu definires), esta almofada tecnológica não faz mais nada, embora possa ser reconfortante ter algo para abraçar durante o sono. Podes até usar este gadget fora da hora de dormir: se estiveres ansioso, com a cabeça cheia ou a precisar de um momento de meditação, ele é um excelente companheiro.
Posso provar cientificamente que este aparelho funciona para mim? Não. Talvez seja efeito placebo — é bem possível —, mas a verdade é que sinto que descanso melhor e acordo menos cansado. Contudo, conheço pessoas para quem não funciona, simplesmente porque ficam demasiado conscientes da presença do aparelho na cama. Um neurologista referiu anteriormente ao programa Radar que existe pouca evidência científica da sua eficácia, algo que o próprio fundador da Somnox, Jagtenberg, não nega.
Encaixa bem no quarto
O Somnox tem um design muito bem conseguido, justificando plenamente o prémio que recebeu. Neste artigo verás imagens do robô de sono “nu”, e é uma visão, no mínimo, curiosa. Afinal, conhecemo-lo como uma espécie de almofada orgânica com uma barriguinha que respira.
Existem vários designs de capas disponíveis. Infelizmente não há preto, mas tens azul, verde, branco e… urso. Não é bem um ursinho de peluche clássico, mas sim uma espécie de urso cartoon que, na minha opinião, podia ser um pouco mais fofo.
De qualquer forma, o tecido da variante ‘Sage Blue’ que estou a usar é muito agradável ao toque e não parece ser um íman de sujidade. Mas, se se sujar, podes simplesmente tirar a capa e lavá-la. O aparelho é discreto, não parece um “gadget” tecnológico, e integra-se no quarto de uma forma muito charmosa.
Uma aplicação bem conseguida
Muitas vezes tenho de ser crítico com fabricantes de auriculares cujas aplicações têm um aspeto duvidoso ou traduções bizarras. Felizmente, a Somnox percebeu como se faz. A app é simples de usar, mas surpreendentemente completa.
Podes aprender técnicas de respiração, aceder a programas especiais para crianças e preencher um diário (que, apropriadamente, se chama “diário noturno”). Isto permite-te fazer uma espécie de experiência científica contigo mesmo: registas a qualidade do teu sono e indicas se usaste ou não o aparelho. Além disso, a app oferece estatísticas sobre as tuas sessões, a duração, o teu ritmo respiratório e dá-te uma retrospetiva semanal da tua evolução. Especialmente quando já estás meio a dormir, é ótimo ter uma aplicação intuitiva onde encontras rapidamente o que precisas.





Boa autonomia
Um dispositivo que trabalha 30 minutos por dia e ainda monitoriza dados biométricos não deve ter grande autonomia, certo? Errado. No caso do Somnox 2, a bateria aguenta-se muito bem. Consegues usá-lo durante uma semana a uma semana e meia sem ir ao carregador. Claro que tudo depende do uso: se o utilizares várias vezes ao dia para te acalmares, a bateria esgota-se mais depressa do que se o usares apenas naqueles trinta minutos noturnos para adormecer.
Pontos fracos do Somnox
O controlo é um pouco rígido
Por muito bonito que seja o design, a parte inferior deixa algo a desejar. O painel de controlo é uma zona bastante rígida que sobressai ligeiramente do corpo macio do robô. É certo que tens ali todos os botões necessários, o que é prático, mas é um detalhe que quebra a ilusão de conforto. Além disso, sendo de um material diferente, suja-se mais depressa.
A vantagem é que podes ligar o aparelho através deste painel sem precisar da app, o que é muito cómodo. Ainda assim, fica a sensação de que esta solução podia ser mais refinada, para evitar que uma peça de plástico duro se destaque num objeto que, de resto, é tão “abraçável”.
A música é demasiado intensa
Na aplicação, tens várias opções de sons relaxantes para adormecer. No entanto, sinto falta de mais variedade para além das melodias tipo “caixa de música” e do ruído branco. Tinha esperança, por exemplo, na opção de sons de pássaros, mas a verdade é que mal se ouvem.
Podes ligar a tua própria lista do Spotify para escolheres música que realmente te acalme, o que é uma mais-valia. Ainda assim, acho que a Somnox podia adicionar mais variedade nativa: algo que ficasse no meio-termo entre os sons ambiente subtis e a “música relaxante” que, por vezes, é tão dominante que me manteve mais acordado do que relaxado. Se tiveres curiosidade, podes ouvir alguns exemplos aqui.
Preço elevado
No momento em que escrevo, o Somnox está em promoção, e mesmo assim acho-o caro. O preço normal ronda os 549 euros (!), e mesmo com o desconto de 150 euros (ficando a 399 euros), continua a ser um valor que assusta. Compreendo que não seja um aparelho produzido em massa, o que encarece o processo, mas para um dispositivo de plástico com um mecanismo de respiração e alguns sensores (embora com uma app excelente), é um investimento muito pesado.
Vale referir que, em certos países e com certas seguradoras, o aparelho pode ser comparticipado até 100 por cento, mas isso depende muito da tua cobertura de saúde.
O Somnox 2 tem uma qualidade de construção inegável, mas o preço é exorbitante. Claro que não pagas apenas pelo tecido e pela espuma, mas também por toda a ciência e I&D por trás dele. Ainda assim, é muito dinheiro por algo que não tens a certeza absoluta se vai funcionar contigo. Felizmente, existe uma garantia de devolução do dinheiro de 30 dias, o que reduz o risco.
Também é para homens?
Conheço um homem que usa e beneficia do Somnox, mas se olhares para a comunicação da marca, ficas com a sensação de que o dispositivo é direcionado quase exclusivamente para mulheres. É curioso, porque os homens também sofrem frequentemente de problemas de sono. É verdade que as mulheres podem ser mais afetadas devido a flutuações hormonais, mas certamente não estão sozinhas nesta luta.
É uma experiência estranha navegar pelo site deste gadget. Embora apareçam homens nos testemunhos, praticamente todo o marketing visual gira em torno do público feminino. O site pode parecer um pouco vago em certas partes — talvez porque o Somnox não se possa assumir como um dispositivo médico oficial e tenha de ter cuidado com a linguagem. No entanto, há ciência do sono por trás disto, e é pena que não se foquem mais nesses dados. Existe uma página científica com um whitepaper onde, curiosamente, aparece um homem… mas sem o Somnox.
Conclusão
O Somnox é um produto com um toque luxuoso que fica bem em qualquer quarto. O design tipo almofada é agradável e aquela “barriguinha” que sobe e desce é simpática e funciona — pelo menos para mim — de forma relaxante. É uma pena que a evidência científica “dura” sobre a sua eficácia seja escassa, o que torna a decisão de compra algo muito pessoal.
É louvável que seja um produto de origem holandesa, produzido localmente, com o objetivo genuíno de ajudar as pessoas. A aplicação é excelente e o site oferece muita informação para quem quiser aprofundar este fenómeno. E sim, é um fenómeno, mas um fenómeno especialmente caro.
Pontos positivos
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Pode realmente ajudar a relaxar
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Design que se integra bem no quarto
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Aplicação bem conseguida
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Boa autonomia
Pontos negativos
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Controlo físico é um pouco rígido
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A música pode ser demasiado intensa
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Extremamente caro
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Marketing parece esquecer os homens
Comprar o Somnox 2
O Somnox 2 pode ser encontrado temporariamente por cerca de 400 euros, mas o seu preço normal ronda os 550 euros. Em alguns casos, não terás de suportar esse custo sozinho, pois é possível acionar o seguro de saúde para o adquirir. Certas seguradoras chegam a reembolsar o valor a 100 por cento, pelo que vale a pena informares-te.







