O lançamento do Fairphone 6, no início do ano, foi marcado por vários problemas. Será que os novos auscultadores desta marca holandesa, conhecida pela sua aposta na sustentabilidade, terão um destino diferente, ou estamos perante mais um percalço? Testei os Fairbuds XL (2025) durante as últimas semanas e conto-te tudo o que precisas de saber.
Fairbuds XL (2025)
Os Fairbuds XL (2025) são os novos auscultadores da empresa holandesa Fairphone e os sucessores do modelo de 2023. A empresa dedica-se a criar produtos sustentáveis e éticos. Esta filosofia, no entanto, reflete-se muitas vezes num preço mais elevado.
Pelos novos auscultadores, pagas agora 249 euros. Mas será que estes auscultadores da Fairphone justificam o seu preço?
O que vem na caixa?
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Fairbuds XL (2025): pontos positivos
Um som bem equilibrado
A qualidade de som é, sem dúvida, o aspeto mais crucial de uns auscultadores. Felizmente, os Fairbuds XL soam bem, mas com uma ressalva. O som é potente e nítido, e não detetei qualquer tipo de estática ou ruído parasita durante a utilização. Nenhuma frequência se sobrepõe a outra; as vozes e os instrumentos são perfeitamente distinguíveis. No fundo, tudo está em harmonia, o que revela uma decisão acertada por parte da Fairphone.
É comum vermos fabricantes a focarem-se em aperfeiçoar um aspeto específico — como os graves, por exemplo — em detrimento de outros. Aqui, a Fairphone deu atenção a todo o espetro sonoro, resultando na ausência de falhas gritantes. Contudo, esta abordagem generalista também significa que nenhum elemento em particular consegue brilhar ou destacar-se verdadeiramente. O resultado é um desempenho sólido e consistente, que não desilude, mas que também não chega a competir com os melhores do mercado.
Controlos intuitivos e eficazes
O controlo dos Fairbuds XL é surpreendentemente simples. No lado direito, tens um botão para alternar entre o modo ambiente e o cancelamento ativo de ruído (ANC). Logo abaixo, encontras um pequeno joystick multifuncional. Podes movê-lo para cima e para baixo para ajustar o volume, e para a esquerda ou direita para mudar de faixa. Para pausar, basta premir o joystick.
No início, tive as minhas dúvidas, mas funciona muito bem. Apesar de o joystick poder parecer algo frágil ao toque, após várias semanas de uso continua perfeitamente firme. Os controlos respondem sempre de forma precisa — um ponto em que a Fairphone acertou em cheio.
Design modular: a sustentabilidade em prática
A sustentabilidade é o pilar da Fairphone. A ideia é que os teus gadgets durem o máximo de tempo possível. Para o conseguir, a marca aposta em designs fáceis de reparar, e os Fairbuds XL são o exemplo perfeito disso. De facto, são os únicos auscultadores para o consumidor com a certificação LONGTIME, um selo de qualidade que garante a durabilidade e a facilidade de reparação de um produto.
No total, podes substituir facilmente nove peças diferentes, incluindo a bateria, os altifalantes (drivers) e as almofadas. Isto significa que, se algo se avariar, não tens de comprar uns auscultadores novos. O processo de substituição é incrivelmente simples; para a bateria, por exemplo, basta retirar uma pequena tampa lateral. Uma boa notícia para quem já tem o modelo de 2023: podes encomendar apenas os novos altifalantes e almofadas para atualizar o teu equipamento antigo. São pormenores como este que prolongam a vida útil do produto e fazem jus à reputação da Fairphone.

Boa autonomia de bateria
A Fairphone promete cerca de 30 horas de autonomia. Nos meus testes, obtive um valor um pouco inferior, rondando as 24 horas. Este valor foi alcançado com uma utilização mista, alternando entre o modo ambiente e o cancelamento ativo de ruído. Se desativares estas funcionalidades, é perfeitamente possível atingir as 30 horas prometidas. Podia ser melhor? Sim, mas ter de carregar os auscultadores apenas a cada três ou quatro dias parece-me um desempenho bastante razoável.
Modo ambiente eficaz
O modo ambiente (Ambient Mode) é outro ponto forte. Permite-te ouvir o que te rodeia com uma clareza impressionante. As vozes, em particular, são captadas de forma muito nítida, o que te permite manter uma conversa sem teres de tirar os auscultadores. Cumpre a sua função na perfeição. Gostava de poder dizer o mesmo do cancelamento ativo de ruído, mas esse é um tema para mais à frente.

Conectividade multiponto: um trunfo inesperado
Talvez o maior trunfo dos Fairbuds XL seja a sua conectividade multiponto, que te permite ligar a dois dispositivos em simultâneo. A funcionalidade não é nova, mas a sua implementação nestes auscultadores é excecionalmente fluida. Por exemplo, com os auscultadores ligados ao meu telemóvel e ao portátil, podia entrar em casa a ouvir música do telemóvel e, assim que ligava o portátil e um som era reproduzido, a ligação mudava automaticamente. A transição é quase instantânea. Não é infalível a 100%, mas em 9 de 10 tentativas, a troca funciona sem qualquer intervenção.
Fairbuds XL (2025): pontos fracos
Design e materiais: uma sensação de fragilidade
O design não me convenceu. Os materiais transmitem uma sensação de produto barato, o que é inaceitável para um dispositivo que custa 249 euros. O mecanismo de ajuste da haste também não é suave; é difícil encontrar o ponto certo, ajustando sempre um pouco a mais ou a menos. Como resultado, nunca senti que ficassem perfeitamente encaixados, o que compromete o conforto.
Mas talvez o pior aspeto do design seja a facilidade com que se sujam. As manchas aparecem com demasiada facilidade e a sujidade adere ao tecido das almofadas. Está longe de ser o ideal.

Cancelamento de ruído (ANC) pouco eficaz
Se o modo ambiente é um ponto forte, o mesmo não se pode dizer do cancelamento ativo de ruído (ANC). A tecnologia deixa passar demasiado ruído exterior. Sim, alguns sons são atenuados, mas não o suficiente para criar uma verdadeira sensação de isolamento. Isto é especialmente frustrante com vozes: não consegues perceber uma conversa inteira, mas ouves palavras soltas constantemente. A sensação é semelhante a estar sempre a saltar entre estações de rádio mal sintonizadas no carro. O objetivo do ANC é proporcionar tranquilidade em ambientes ruidosos, mas a implementação nos Fairbuds XL acaba por ter o efeito contrário.
Equalizador na app: mais confunde do que ajuda
A Fairphone disponibiliza uma aplicação dedicada que inclui um equalizador (EQ), no entanto, não a posso recomendar. Existem vários perfis de som predefinidos, cada um com o nome de uma grande cidade. É um pormenor curioso, mas a verdade é que nenhum deles soa particularmente bem. Na minha opinião, a maioria soa fraca e sem vida. E mesmo tentando fazer ajustes manuais, o resultado nunca soa tão bem como o perfil de som padrão. Em todas as tentativas, o equilíbrio sonoro que elogiei no início parece perder-se por completo.


O preço: o maior obstáculo
Com um preço de venda recomendado de 249 euros, chegamos ao maior problema dos Fairbuds XL. Compreendo perfeitamente que a aposta na sustentabilidade e em práticas de comércio justo acarreta custos. Ainda assim, 249 euros é um valor muito elevado para o que estes auscultadores oferecem. Na prática, o desempenho que obténs é comparável ao de modelos que custam cerca de 100 euros.
Ou seja, pagas um preço premium por uma qualidade de som e funcionalidades que não estão ao mesmo nível. A ideologia da Fairphone tem, e deve ter, o seu valor, mas aqui o desequilíbrio é demasiado grande. Basta olhar para a concorrência: os Sony WH-1000XM5, por exemplo, são superiores em quase todos os aspetos e podem ser encontrados, muitas vezes, a um preço inferior. Como posso então recomendar-te os auscultadores da Fairphone?
Conclusão: Vale a pena comprar os Fairbuds XL (2025)?
Os Fairbuds XL (2025) têm vários méritos. O som é equilibrado, a autonomia da bateria é sólida, os controlos são intuitivos e a conectividade multiponto funciona de forma exemplar. Acima de tudo, a missão da Fairphone materializa-se num produto genuinamente fácil de reparar, o que é de louvar. Mas nem tudo são rosas. O cancelamento ativo de ruído e o equalizador desiludem, e o design, com os seus materiais de aspeto frágil, está longe de ser um ponto forte.
No final de contas, o maior obstáculo é mesmo o preço. Mesmo para o consumidor mais consciente e dedicado à causa da sustentabilidade, o valor pedido será, provavelmente, excessivo. Como a concorrência não partilha da mesma missão (e dos mesmos custos), é fácil encontrar alternativas superiores por um preço mais baixo. Não são, de todo, uma má opção. Mas, pelo preço, a minha recomendação é que procures outras alternativas. No entanto, se a sustentabilidade e a reparabilidade são as tuas prioridades absolutas, e estás disposto a pagar por isso, então os Fairbuds XL são, de facto, uma opção a considerar.

Comprar os Fairbuds XL (2025)
Os auscultadores FairBuds XL (2025) já estão à venda nas cores preto e verde por um preço recomendado de 249 euros.
Alternativas
Se o teu orçamento é flexível e procuras a melhor qualidade possível, os Sony WH-1000XM5 são uma alternativa óbvia. Superam os Fairbuds XL (2025) em praticamente todos os aspetos e, frequentemente, a um preço mais competitivo.
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