Kindle Scribe Colorsoft em análise: o e-reader que quer ser um tablet

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
2 Julho 2026, 20:21
8 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
5.9

Avaliações

Há algum tempo, escrevi sobre um tablet que queria ser um e-reader. Desta vez, o cenário é exatamente o oposto. O Kindle Scribe Colorsoft é, na sua essência, um e-reader, mas um que consegue fazer muito mais do que simplesmente mostrar livros. Durante o tempo que passei com ele, a pergunta que não me largou foi apenas uma: para quem é que este Kindle foi feito? É precisamente isso que vou tentar responder nesta análise.

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Kindle Scribe Colorsoft

O Kindle é um nome incontornável no mundo dos e-readers, com aparelhos disponíveis numa enorme variedade de tamanhos e versões. Se num modelo mais simples apenas consegues ler livros, noutros as opções são muito mais vastas. O Kindle Scribe Colorsoft encaixa-se perfeitamente nesta última categoria. Como o nome sugere, o Colorsoft traz um ecrã a cores de 11 polegadas, o que significa que também podes ler banda desenhada de forma imersiva. Além disso, podes fazer anotações com a caneta digital (stylus) incluída e escrever diretamente nas páginas dos teus livros. Para rematar, a Amazon recheou o dispositivo com várias funcionalidades de inteligência artificial.

Kindle Scribe Colorsoft a ler

O que está incluído na caixa

  • Kindle Scribe Colorsoft
  • Caneta digital (stylus)
  • Cabo USB-C
  • Manuais de instruções
  • Pontas extra para o stylus

Ecrã excelente

Para mim, há alguns detalhes num e-reader que são absolutamente essenciais, e o ecrã está no topo dessa lista. Tens de conseguir olhar para ele durante longos períodos sem cansar os olhos, tem de ser agradável ao toque e, neste caso específico, tem de oferecer uma boa experiência de escrita. Dou especial importância a esta sensação, até porque a própria Amazon faz questão de sublinhar que a experiência é idêntica a escrever em papel.

A verdade é que não acho a comparação totalmente justa, mas a experiência é, sem dúvida, completamente diferente da de usar um tablet normal (a não ser que estejas a usar o TCL Nxtpaper 11 Plus, claro). O ecrã tem uma camada mate muito agradável que lhe confere um aspeto deslumbrante, algo que ganha ainda mais destaque por estarmos perante a versão a cores. Em modo de repouso, quase que podias pendurar este e-reader na parede, de tão parecido que é com uma pequena obra de arte.

Um e-reader Kindle exibe uma ilustração de montanhas e um balão, rodeado por livros, incluindo um guia de viagem sobre o Japão.

Dito isto, tenho de admitir que o ecrã é bastante grande para um e-reader. Os livros que costumo ler são, por norma, muito mais pequenos do que o painel do Colorsoft. Isso faz com que a leitura prolongada de um livro se torne um pouco estranha. Por mais irónico que pareça, dá a sensação de que este Kindle não foi feito para ler livros.

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Agradável para escrever

Então, para que serve realmente o Kindle Scribe Colorsoft? Para tirar notas, por exemplo. É ideal tanto para estudantes como para qualquer pessoa que prefira registar ideias de uma forma mais tradicional, em vez de usar o teclado do portátil. Na visão da Amazon, o estudante moderno já não usa um caderno de argolas e uma esferográfica, mas sim uma versão digital disso mesmo. E é exatamente aí que o Colorsoft entra em cena.

Tablet Kindle Scribe sobre uma mesa de madeira, exibindo a frase 'Android WORLD' escrita à mão no ecrã pautado, com uma caneta stylus branca.

Pessoalmente, já há anos que deixei de tirar notas à mão, seja em papel ou numa alternativa digital. Escrever diretamente no teclado funciona na perfeição para mim e, quando preciso mesmo de guardar algo importante, gravo o áudio. No entanto, testar este aparelho fez-me perceber uma coisa: eu devia ter sido médico. É que tenho uma dificuldade enorme em decifrar a minha própria letra.

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Autonomia gigantesca

A vantagem absurda de um Kindle em relação a um tablet comum é a autonomia da bateria. Durante todo o tempo de testes, não tive de carregar o Scribe uma única vez. Simplesmente não foi preciso. Se o usares com algum critério, consegues literalmente durar semanas com uma só carga. Claro que, se leres ou escreveres muito mais do que eu, a autonomia será um pouco menor. Mas a verdade é que nunca vais ter aquele receio constante de ficar sem bateria a meio do dia.

Leve

Apesar do seu tamanho generoso, o Colorsoft pesa muito pouco: apenas 400 gramas. É consideravelmente menos do que um tablet normal. Claro que é um pouco mais pesado do que um smartphone, mas tendo em conta as dimensões, faz todo o sentido. Este peso reduzido é crucial, já que tens de segurar o dispositivo enquanto lês e não queres que os braços se cansem rápido. Como referi antes, prefiro formatos mais compactos nos e-readers. Ainda assim, a sua leveza faz com que seja um gadget muito prático para levares contigo para as aulas ou para o escritório.

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Rápido para um e-reader

Um dos maiores problemas que costumo encontrar nos e-readers é a lentidão do sistema operativo. Como não correm Android e o próprio ecrã tem as suas limitações tecnológicas, a fluidez costuma sofrer. Obviamente, não vais usar isto para renderizar modelos 3D complexos, mas, para um e-reader, o Colorsoft surpreende pela positiva. Os livros carregam sem demoras e, ao sair do modo de suspensão, não tens de esperar quase nada para começares a ler ou a tirar notas.

Comprar um livro também é um processo rápido, embora a configuração inicial do aparelho seja um pouco exaustiva.

Fazer anotações é uma experiência peculiar

Como mencionei há pouco, o ecrã não transmite exatamente a sensação de estarmos a escrever em papel. Isso faz com que o processo de tirar notas não seja totalmente fluído. Reparei, por exemplo, que por predefinição começo sempre a escrever no meio da página, o que é estranho. Além disso, o Colorsoft oferece imensas funcionalidades, mas o sistema simplesmente não as explica de forma clara. Ficas sempre a tentar adivinhar como as coisas funcionam, o que me deixou com a sensação de nunca estar a tirar o máximo partido do aparelho.

Estás preso ao ecossistema da Amazon

Se queres ler livros de forma simples e direta, com um Kindle ficas inevitavelmente preso à loja da Amazon. É verdade que o catálogo é gigantesco, mas perdes a liberdade de gerir facilmente a tua própria biblioteca de ficheiros. Embora seja possível sincronizar com serviços como o Google Drive, transferir livros que já tens é um processo surpreendentemente chato e moroso. No meu caso, acabei por simplesmente comprar de novo, na loja do Kindle, um livro que já estava a meio no meu Pocketbook, só para evitar as dores de cabeça.

Mão a segurar um e-reader Kindle que apresenta a loja de livros com interface em neerlandês e diversas capas de e-books.

IA incompleta

Estar preso ao ecossistema da Amazon significa também estar agarrado à Alexa+. A marca garante que, graças à inteligência artificial, podes pesquisar de forma rápida e inteligente nos teus documentos, livros e notas. No entanto, na prática, nunca senti necessidade de usar isso. A única função de IA que me pareceu realmente interessante foi a capacidade de gerar um resumo sem spoilers, ideal para te lembrares em que ponto da história ficaste. O problema? Essa funcionalidade em específico não está disponível na nossa região. No fundo, levas com o peso da IA sem tirares proveito das suas melhores vantagens. Para piorar, não encontrei qualquer botão no Scribe para desativar a IA, o que é uma pena.

Um preço muito elevado

Temos de falar do elefante na sala: o preço. A versão mais acessível, com 32 GB de armazenamento, custa uns expressivos 650 euros. Por este valor, tens à tua disposição uma vasta escolha de tablets capazes de fazer o mesmo que o Colorsoft e muito mais. A única grande diferença é, claro, o ecrã e-ink que não encontras num tablet convencional. Mas continuo a questionar-me se essa diferença justifica o investimento.

Para quem é este dispositivo?

O meu maior problema com o Kindle Scribe Colorsoft é mesmo perceber a quem se destina. Na verdade, é demasiado grande para ser um leitor confortável e, se o objetivo for apenas tirar notas, existem imensas alternativas no mercado. Afinal, estamos perante um e-reader caríssimo ou um bloco de notas digital de luxo? Mesmo depois de passar uns bons dias com o Colorsoft, continuo sem uma resposta clara.

Um e-reader Kindle Scribe exibe uma biblioteca digital com capas de livros, posicionado sobre uma mesa com livros físicos em segundo plano.

Conclusão

Por tudo isto, é muito difícil recomendar o Kindle Scribe Colorsoft. Acredito que exista um nicho específico para ele, mas para quase todos os cenários de uso, encontras melhores alternativas pelo mesmo orçamento. Com 650 euros, podes comprar um excelente tablet, vários e-readers de topo ou até mesmo um portátil bastante decente. Até descobrir quem é o verdadeiro público deste aparelho, vou continuar a ler tranquilamente no meu Pocketbook Verse.

Comprar o Kindle Scribe Colorsoft

Como referi, o preço recomendado do Kindle Scribe Colorsoft começa nos 650 euros para a versão de 32 GB de armazenamento. Se preferires a versão de 64 GB, o valor sobe para os 700 euros. Em termos de design, podes escolher entre uma estrutura em tons de roxo ou cinzento.

Alternativas ao Kindle Scribe Colorsoft

No que toca a alternativas, tudo depende do que procuras realmente. Se queres apenas um bom leitor a cores, consegues encontrar opções como o Pocketbook Verse Pro Color por cerca de 180 euros. Se preferires a versatilidade de um tablet, o OnePlus Pad 3 é uma excelente escolha a rondar os 600 euros. Outra opção interessante é o TCL Nxtpaper 11 Plus, um tablet que tenta oferecer uma experiência muito próxima à de um e-reader.