Já testámos vários modelos Razr da Motorola. Recentemente, tivemos nas mãos o Razr 70 Plus e, no ano passado, o Motorola Razr 60 Ultra. A verdade é que ambos nos deixaram com a sensação de que faltava algo. Será que o novo Motorola Razr 70 Ultra consegue finalmente saciar esta fome?
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Motorola Razr 70 Ultra
Os telemóveis dobráveis em concha não são para toda a gente. Percebo perfeitamente se preferires um formato Fold, afinal, é aí que tens acesso a um ecrã realmente grande. Não escondo que sou um grande fã deste formato concha, mas a verdade é que ainda não encontrei o meu dobrável de sonho. Para me convencer, precisa de ter, no mínimo, uma bateria de longa duração, tirar fotografias fenomenais e, se possível, ser resistente a quedas.
O Motorola Razr 70 Ultra é um novo candidato que promete cumprir tudo isto. Mas será que é desta, ou este smartphone também vai ficar aquém das expectativas?
Especificações do Motorola Razr 70 Ultra
Podes consultar as especificações mais importantes deste novo smartphone na tabela abaixo.
| Especificação | Motorola Razr 70 Ultra |
|---|---|
| Tamanho do ecrã | 6,96 polegadas / 4 polegadas |
| Dimensões e peso | Aberto: 171,48 × 73,99 × 7,19 mm Fechado: 88,12 × 73,99 × 15,69 mm (199 gramas) |
| Processador | Snapdragon 8 Elite Mobile Platform |
| Memória | 16 GB de RAM e 512 GB de armazenamento |
| Câmaras traseiras | Câmara principal de 50 megapíxeis e grande angular de 50 megapíxeis |
| Câmara frontal | 50 megapíxeis |
| Bateria | 5.000 mAh |
| Velocidades de carregamento | 68 W por cabo, 30 W sem fios e 5 W de carregamento inverso |
| Resistência à água e ao pó | IP48 |
| Política de atualizações | 3 atualizações de sistema operativo e 5 anos de atualizações de segurança |
| Cores | Orient Blue e Cocoa |
| Preço recomendado | 1.399 euros |
O que vem na caixa
- Motorola Razr 70 Ultra
- Capa de proteção
- Cabo USB-C
- Manuais
Bateria maior
A Motorola está a tentar aproximar-se da perfeição, começando por aumentar a bateria de 4.700 mAh para uns generosos 5.000 mAh. Consegues passar o dia inteiro sem problemas, mas teremos de ver como se comporta a longo prazo. Ainda assim, é algo que valorizo bastante, até porque este smartphone tem um ecrã extra que também consome energia.
Além disso, trata-se de uma bateria de silício-carbono, o que significa que o telemóvel não ficou mais grosso. Podes carregar o dispositivo com 68 W por cabo, uma velocidade bastante boa, e a 30 W sem fios. Esta é uma das maiores melhorias do Razr 70 Ultra em relação ao seu antecessor e é motivo para sorrir. A menos que passes o dia todo a jogar (e o ecrã exterior até convida a isso), vais poder desfrutar deste smartphone de manhã à noite sem preocupações.
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O formato continua a ser excelente
O formato deste smartphone é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos. Existem vários aspetos de que gosto menos e que vamos explorar na secção dos pontos fracos, mas há coisas que a Motorola percebeu muito bem. O design é o melhor exemplo disso.
O telemóvel é muito confortável de segurar. Podes dobrá-lo de várias formas para tirar melhores selfies ou gravar vídeos sem que o aparelho caia. Além disso, podes prendê-lo facilmente ao bolso da camisa, caso queiras gravar algo na primeira pessoa.
Quando está fechado, transforma-se num pequeno quadrado elegante que cabe perfeitamente no bolso das calças ou na mala. É sempre um prazer abri-lo e fechá-lo. Graças ao ecrã exterior, sente-se quase como um companheiro que anda sempre contigo e te mantém a par de tudo. No fundo, é uma questão psicológica: podes pousar um telemóvel normal na mesa e receber notificações na mesma, mas a aparência compacta e moderna deste dobrável torna a sua presença muito menos intrusiva.
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Disponível em cores fantásticas
Uma das melhores decisões que a Motorola já tomou foi apostar em designs arrojados. Não falo apenas do formato do telemóvel, mas também dos materiais e das cores. Este modelo está disponível num tom azul profundo e incrível (Orient Blue), com um acabamento tipo camurça que lhe confere um aspeto muito luxuoso.
Tens também a cor Cocoa, que apresenta um acabamento a imitar madeira. São duas variantes muito distintas do mesmo dispositivo. Isto faz com que o telemóvel se destaque ainda mais, e vamos ser honestos: não é todos os dias que alguém mete conversa contigo só porque achou o teu telemóvel interessante ou bonito. O mercado atual tornou-se um pouco aborrecido, por isso, estas escolhas de design são autênticos presentes.
Bons acessórios incluídos
A própria Motorola sabe que este não é o dispositivo com a melhor classificação em termos de resistência ao pó e à água. Por isso, é ótimo ver que a marca inclui acessórios para o tornar mais robusto. Esta armadura traz uma argola prática, semelhante à do Razr 60 Ultra, mas com um design ligeiramente diferente. É muito útil e, desta vez, não senti que a capa atrapalhasse na hora de tirar fotografias.
Outro detalhe porreiro é que a Motorola oferece este acessório na mesma cor do telemóvel, já incluído na caixa. É aquele toque extra de segurança para um dispositivo que, naturalmente, exige um pouco mais de cuidado do que um smartphone tradicional.
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O ecrã exterior é incrível
Podes pensar que este ponto forte é óbvio, mas quando comparamos a abordagem da Motorola com a da sua grande rival Samsung, notamos uma diferença substancial. Duas, na verdade. A Samsung não te permite colocar todas as aplicações no ecrã exterior de forma nativa, o que é bastante limitativo. Além disso, precisas da aplicação Good Lock para conseguires fazer mais coisas nesse ecrã.
A Motorola não complica: dá-te logo a liberdade de colocar qualquer aplicação que queiras no ecrã de fora. E continuo a achar muita piada aos jogos incluídos. Podes considerá-los software desnecessário, mas como são pensados especificamente para este formato, acabam por ser uma verdadeira mais-valia.
Ecrãs de menor qualidade
Não percebemos muito bem o porquê desta escolha da Motorola. Enquanto o Razr 60 Ultra tinha um ecrã interior de sete polegadas, o do 70 Ultra fica-se pelas 6,96 polegadas. A diferença é mínima, claro, mas existe.
O detalhe mais estranho, no entanto, é o pico de brilho do ecrã exterior: passou de 4000 nits no modelo anterior para 3000 nits neste. Na prática, é um retrocesso. É no mínimo curioso que a marca tenha optado por mudar o ecrã, até porque não encontrámos grandes defeitos no painel do Razr 60 Ultra.
A política de atualizações continua fraca
É verdade que a Motorola promete agora mais um ano de atualizações de segurança, mas tem de competir com dispositivos que oferecem sete anos de suporte. A maior diferença, contudo, está nas atualizações do sistema operativo. O Samsung Galaxy Z Flip 7 vai receber sete anos de novas versões do Android, enquanto o Motorola Razr 70 Ultra se fica por uns modestos três anos.
Isto significa que o teu telemóvel vai parecer desatualizado muito mais depressa. Na minha opinião, isso é muito pouco atrativo para um smartphone que custa bem mais de 1.000 euros. Com este valor, queres um equipamento que dure bastante tempo e que acompanhe as novas funcionalidades do mercado. A Motorola simplesmente não te dá esse direito. Consigo aceitar isso num telemóvel de gama baixa, mas nunca num dispositivo premium como este.
As fotografias não têm profundidade nem cor
Passei muito tempo a analisar as fotografias tiradas por este telemóvel. Levei-o comigo para Ibiza, um sítio onde, à partida, é fácil captar imagens bonitas. Mas chegámos todos à mesma conclusão: são apenas fotos casuais e não aquelas imagens incríveis que vais querer imprimir numa tela para pendurar na sala. Atrevo-me a dizer que as fotografias do Razr 60 Ultra eram mais bem-sucedidas do que as deste 70 Ultra, e já na altura não fiquei maravilhado.
Será culpa do software? Ou do novo sensor LOFIC, que supostamente tem seis vezes mais alcance dinâmico? Custa-me a crer que seja do sensor, pois este deveria ajudar a preservar melhor as áreas claras e escuras da imagem. Mas não é isso que acontece. Sinto falta de profundidade e de contraste. Dizer que as fotos são deslavadas talvez não seja o termo exato, mas a verdade é que as cores simplesmente não ganham vida na maioria das imagens.
Quero tanto um flipphone com boas câmaras que até seria capaz de fazer algumas concessões, mas a qualidade destas fotografias fica muito aquém do esperado. Fazer zoom também não é o forte deste smartphone. Já estamos habituados a lentes periscópicas e a outros truques de marcas rivais, mas a Motorola preferiu estagnar e usar exatamente as mesmas câmaras do modelo anterior.


























Falta de inovação
O mesmo processador, câmaras praticamente iguais, a mesma velocidade de carregamento, o mesmo tamanho de ecrã exterior e, para ser sincero, os mesmos pontos fortes e fracos. O Motorola Razr 70 Ultra tem imensas semelhanças com o seu antecessor. Infelizmente, isso significa que herda também muitos dos seus defeitos, como a política de atualizações desanimadora, a fotografia mediana e o preço elevado.
A Moto AI também continua a desiludir. Não tem aquela funcionalidade incrível que te faz querer mostrar o telemóvel aos teus amigos. É tudo muito banal e parecido com o que já existe no mercado.
Claro que há aspetos positivos em ambos os modelos. O desempenho é rápido (muito graças ao excelente processador), a construção passa uma sensação de robustez e o design arrojado dá nas vistas. Além disso, o ecrã exterior continua a ser um fator de mudança na forma como usas o telemóvel. Dito isto, porque não optar simplesmente pelo Razr 60 Ultra? Na minha opinião, este novo modelo não traz novidades suficientes para justificar a sua existência.
Um preço demasiado elevado
Vou ser direto: já achava o preço do Motorola Razr 60 Ultra demasiado alto. Como este telemóvel parece um retrocesso em certos aspetos, o facto de a Motorola ainda lhe acrescentar 100 euros em cima é um redondo não.
Conclusão
Estou desiludido. A Motorola tinha tudo para marcar um grande golo com este smartphone. Em vez disso, entregou um dispositivo de que queres muito gostar, mas que traz demasiada bagagem. Uma bagagem que inclui um modelo anterior muito parecido e que, em certas áreas, até se sai melhor.
Os materiais do Razr 70 Ultra são excelentes. Têm um toque premium, a capa incluída é ótima e a bateria maior é, sem dúvida, um motivo de celebração. O formato torna este telemóvel incrivelmente charmoso e a versatilidade do ecrã exterior é fantástica.
No entanto, a fotografia e a política de atualizações são grandes desilusões. Se a tudo isto juntarmos um preço ainda mais alto, a verdade é que preferimos continuar à procura do nosso dobrável de sonho.
Comprar o Motorola Razr 70 Ultra
O Motorola Razr 70 Ultra está disponível na cor Orient Blue, com um acabamento em pele sintética a imitar camurça, e na cor Cocoa, com um efeito de madeira. O telemóvel já se encontra à venda com um preço recomendado de 1.399 euros.






