Review ao Motorola Razr Fold: finalmente um Fold que faz (quase) tudo bem

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
22 Junho 2026, 15:26
8 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
8.5

Avaliações

A Razr, a mãe dos telemóveis dobráveis, lançou com o Razr Fold um smartphone que não se fecha como a série 70 ou um Samsung Flip. Em vez disso, é um concorrente direto do Google Pixel 10 Pro Fold e do Samsung Galaxy Z Fold 7. Na verdade, esta não é a primeira tentativa da Motorola no mundo dos dobráveis, mas é a primeira vez que adota este formato de livro. Fica claro que a marca estudou bem os seus modelos anteriores, porque o resultado é um dispositivo fantástico.

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Motorola Razr Fold

Como já referi, não é a primeira vez que a Motorola cria um dobrável. Há anos que a marca tem vindo a traçar um caminho de sucesso neste segmento. Não só os modelos Razr mais antigos, como também os lançamentos recentes, costumam ser muito bem recebidos. Este Fold traz um processador Snapdragon 8 Gen 5 e 16 GB de memória RAM, expansíveis com mais 4 GB. Na prática, isto significa que correr várias aplicações ao mesmo tempo não é, de todo, um problema para ti.

O que vem na caixa

  • Motorola Razr Fold
  • Caneta com suporte
  • Manuais
Mão a segurar um smartphone com a aplicação da câmara aberta, capturando um caminho ensolarado numa floresta com fundo desfocado.

Ecrã deslumbrante

No mundo dos dobráveis, há uma grande diferença na qualidade dos ecrãs utilizados. Na minha opinião, a Google já faz um excelente trabalho, mas a Motorola consegue ir um passo mais além com este Razr. Na parte exterior, tens um ecrã AMOLED de 6,6 polegadas e, quando o abres, o interior expande-se para um painel de 8,1 polegadas. O que mais impressiona aqui é a vivacidade das cores. Uma captura de ecrã não faz justiça à realidade, mas a verdade é que a Motorola acertou em cheio na reprodução cromática.

Além disso, nunca notei qualquer hesitação ou atraso ao alternar entre aplicações, ao deslizar pelos menus ou no uso diário. Aliás, isso é algo que se destaca logo neste smartphone: tudo transmite uma solidez incrível. Abrir e fechar o ecrã não exige esforço e sentes quase um clique que te dá a garantia de que o mecanismo é robusto. Dito isto, não me parece que vás ter de te preocupar com a durabilidade desta dobradiça tão cedo.

Mão a segurar um smartphone Motorola preto aberto, exibindo a interface da câmara com uma selfie de um homem num fundo de folhagem verde.

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Sistema operativo relativamente limpo

A Motorola opta sempre por uma interface própria bastante minimalista. É verdade que adiciona algumas aplicações da marca e muita inteligência artificial (falarei mais sobre isso nos pontos negativos), mas a grande vantagem é que não te impõe nada. Muito de vez em quando aparece uma notificação, mas, como sempre, podes simplesmente desativá-la. Embora o Android 17 tenha acabado de ser lançado, este modelo ainda vem com o Android 16. Tal como outras marcas, a Motorola vai precisar de algum tempo para adaptar as novas funcionalidades ao seu próprio sistema.

Escolhas de design inteligentes

Os pontos anteriores refletem as escolhas inteligentes que a Motorola fez com este Fold. O telemóvel assenta muito melhor na mão do que o Pixel 10 Pro Fold, por exemplo. A dobradiça passa confiança e até os botões laterais são mais confortáveis de usar do que em muitos concorrentes. A Motorola decidiu deixar os botões de volume ligeiramente salientes. Pode não agradar a todos, mas, para mim, torna a utilização do dispositivo muito mais intuitiva.

Consegues colocar o dedo no leitor de impressões digitais sem falhar e tenho até a sensação de que é mais rápido e preciso do que noutros telemóveis. Quando o ecrã está aberto, podes separar as aplicações ou juntá-las num único ecrã grande com gestos muito simples. São estes pequenos detalhes que garantem que, no dia a dia, nunca te vais arrepender de ter escolhido este dobrável.

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Bateria de longa duração

Uma das minhas maiores frustrações com o Google Pixel 10 Pro Fold é a autonomia. Raramente consigo chegar ao fim do dia sem ter de o ligar à corrente. Felizmente, isso não acontece com o Razr Fold. De alguma forma quase mágica, a Motorola conseguiu encaixar uma bateria de 6000 mAh neste telemóvel dobrável. É um salto considerável em relação ao modelo da Google (que tem pouco mais de 5000 mAh) e tem mais 1000 mAh do que o Samsung Galaxy Z Fold 7 (que se fica por uns modestos 4400 mAh).

Claro que, olhando apenas para os números, a comparação não é totalmente justa. É muito provável que tanto a Samsung como a Google lancem novas versões dos seus dobráveis ainda este verão. No entanto, isto mostra que, pelo menos por agora, a Motorola tem o melhor dobrável deste formato no mercado.

Fotografias cheias de cor

É sempre uma incógnita saber se um dobrável consegue estar à altura no departamento fotográfico. Felizmente, o Razr Fold cumpre essa promessa. O contraste entre luz e sombra é fantástico se tiveres um pouco de paciência, o zoom funciona sem esforço e o modo retrato também convence.

O módulo de câmaras consegue fazer um zoom até 100 vezes, mas, sejamos honestos, na prática nunca vais querer usar isso. Aconselho-te a não passares dos 6x de ampliação. A partir daí, o telemóvel aplica uma camada cada vez mais pesada de inteligência artificial para tentar salvar a imagem, o que nunca beneficia o resultado final.

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Excesso de inteligência artificial

Apesar de estar muito entusiasmado com este Fold, ele não é perfeito. É um tema recorrente e, infelizmente, o Motorola Razr Fold também vem carregado de funções de IA que eu não uso e que, na verdade, preferia não ter. A Moto AI faz algumas coisas básicas que são engraçadas de experimentar uma vez, mas que depois rapidamente se tornam dispensáveis. Falo de coisas como gerar imagens ou criar uma lista de reprodução personalizada. Esta última até soa bem na teoria, mas na prática obriga-te a usar o Amazon Music. Uma plataforma que, sinceramente, não conheço ninguém que utilize.

Além disso, algumas das aplicações que vêm pré-instaladas são completamente desnecessárias para quem procura um dobrável. Não preciso de uma aplicação extra para personalizar o aspeto do telemóvel; basta ir às definições. Claro que isto não se aplica a todos os utilizadores, mas, a meu ver, um Fold é um produto de nicho para pessoas que gostam de explorar o seu telemóvel ao máximo. O mesmo acontece com a central de jogos. Esta foi uma das aplicações que me enviou notificações desnecessárias sobre um jogo popular qualquer. Mais uma vez, prefiro ter o controlo e jogar o que me apetece sem precisar de sugestões.

Um pouco estreito ao início

Algo que me incomodou um pouco nos primeiros dias foi o formato do Razr Fold. Quando está fechado, acho-o um pouco estreito demais. Especialmente a escrever mensagens, os meus polegares acabavam por tropeçar um no outro. Com o tempo acabas por te habituar, mas se tiveres mãos grandes, recomendo vivamente que experimentes o telemóvel numa loja antes de o comprares.

Smartphone dobrável aberto sobre uma mesa de madeira, mostrando o logótipo do Waze com um boné cor de laranja e texto em neerlandês.

Também reparei que o vinco no ecrã já é bastante visível. Podes disfarçar isso escolhendo um fundo de ecrã inteligente ou ajustando o brilho, mas, a longo prazo, não é um bom sinal. Vais notar definitivamente o vinco ao ver vídeos no YouTube, embora este seja um problema comum a praticamente todos os grandes dobráveis do mercado.

Caneta incluída, mas esquecida

Só quando comecei a escrever esta análise é que me apercebi de que não usei a caneta uma única vez. Na minha opinião, isso diz mais sobre a utilidade do acessório do que sobre a minha falta de jeito. Utilizadores como eu simplesmente não precisam de uma caneta incluída na caixa. Também não ajuda o facto de vir num estojo de carregamento bastante aborrecido. No fundo, até percebo a decisão da Samsung de deixar este tipo de acessórios de fora. Se isso ajudar a poupar umas dezenas ou até mais de cem euros no preço final, por mim devia tornar-se o padrão da indústria.

Cheiro estranho na caixa

Isto é uma questão de gosto, mas quando tiras o Razr Fold da caixa, sentes um cheiro bastante intenso. É como se a Motorola tivesse deixado cair um frasco de perfume inteiro lá dentro durante o embalamento. Felizmente, o cheiro acaba por desaparecer com o tempo. É um ponto negativo em tom de brincadeira, mas a verdade é que raramente tirei um smartphone de uma caixa com um odor tão forte.

Conclusão

Como referi nos pontos positivos, o Motorola Razr Fold é, neste momento, o melhor dobrável de formato livro que podes comprar. A Samsung pode vir a estragar a festa no próximo mês, mas, por agora, a Motorola lançou um smartphone verdadeiramente excelente. Os ecrãs são fantásticos, os botões são intuitivos e as fotografias têm muita qualidade. Com tantos pontos a favor, os pequenos defeitos acabam por passar facilmente despercebidos.

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