Samsung Galaxy Z Fold 8 em análise: um formato perfeito que ainda desilude

Laura Jenny
Laura Jenny
6 Agosto 2026, 10:42
12 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
8.2

Avaliações

A Samsung apresenta um novo formato de telemóvel dobrável. O Galaxy Z Fold 8 sente-se muito diferente do Galaxy Z Fold 8 Ultra. Mas será isso necessariamente melhor? E será que justifica um preço de 2.000 euros? Lê tudo nesta review.

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Samsung Galaxy Z Fold 8

É um pouco confuso, por isso antes de entrarmos a fundo no equipamento convém perceber como isto funciona. Até agora, a Samsung lançava sempre um Fold e um Flip. O Fold é um telemóvel dobrável mais comprido, que abre como um livro. O Flip é um equipamento mais pequeno, que dobra na horizontal até ficar num pequeno quadrado. Agora isso mudou. O Flip continua a ser o Flip, mas o Fold passou a ter uma versão Ultra. Isso acontece porque o Fold normal traz agora um novo formato. O Galaxy Z Fold 8 também abre como um livro, mas é mais baixo e mais largo do que o Galaxy Z Fold 8 Ultra.

Especificações do Samsung Galaxy Z Fold 8 e Z Fold 8 Ultra

Colocamos os dois equipamentos lado a lado na tabela abaixo, para que possas ver de imediato as diferenças. E são várias, porque além do tamanho há também diferenças no peso, na bateria e no módulo de câmaras.

EspecificaçãoSamsung Galaxy Z Fold 8Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra
Ecrã5,5 polegadas Dynamic AMOLED e 7,6 polegadas Dynamic AMOLED6,5 polegadas Dynamic AMOLED e 8,0 polegadas Dynamic AMOLED
Dimensões e peso81,9 × 123,9 × 9,7 mm (dobrado)

123,9 x 161,4 x 4,5 mm (aberto)

201 gramas
72,8 x 158,4 x 8,9 mm (dobrado)

143,2 x 158,4 x 4,1 mm (aberto)

215 gramas
ProcessadorSnapdragon 8 Elite Gen 5 for GalaxySnapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy
Memória12 GB / 256 GB e 512 GB12 GB / 256 GB e 512 GB

16 GB / 1 TB
Bateria4.800 mAh5.000 mAh
Velocidade de carregamentoSuper Fast Charging 2.0 (45W) e Wireless PowerShareSuper Fast Charging 2.0 (45W) e Wireless PowerShare
Sistema operativoAndroid 17 / One UI 9Android 17 / One UI 9
Câmaras traseirasCâmara principal de 50 MP

Ultra grande angular de 50 MP
Câmara principal de 200 MP

Ultra grande angular de 50 MP

Teleobjetiva de 10 MP
Câmaras frontaisCâmara frontal de 10 MPCâmara frontal de 10 MP
Política de atualizações7 anos de atualizações do sistema operativo

7 anos de atualizações de segurança
7 anos de atualizações do sistema operativo

7 anos de atualizações de segurança
CoresLavender, Cream, Graphite

Exclusiva online: Pistacchio
Violet Shadow, Cream, Graphite

Exclusiva online: Green Shadow
Preço1.999 euros (256 GB)

2.199 euros (512 GB)
2.199 euros (256 GB)

2.399 euros (512 GB)

2.799 euros (1 TB)

O que vem na caixa?

  • O próprio equipamento
  • Cabo USB-C
  • Manual
  • Ferramenta para o SIM

Samsung Galaxy Z Fold 8: os pontos fortes

Um formato dobrável quase perfeito

Quando ouvimos falar do formato antes do anúncio dos novos dobráveis, encolhemos os ombros. Sim, tudo bem, um formato diferente, mas isso não deve fazer grande diferença, certo? Afinal, temos de voltar atrás nessa ideia, porque para nós o formato é um grande sucesso. O tamanho quase de passaporte deste smartphone é excelente.

Fica muito bem na mão, é agradável de abrir e tem até algo de simpático por causa do aspeto mais largo. É um smartphone que desperta curiosidade, porque parece realmente diferente do resto. E isso é refrescante, porque não acontece muitas vezes. Sentes mesmo que tens algo novo nas mãos, embora além do formato também não mude assim tanta coisa. A sensação em mão é muito boa e este formato é um acerto claro, ainda que a Samsung não tenha sido propriamente a primeira a experimentar algo deste género.

Bonito e surpreendentemente fino

O Galaxy Z Fold 8 Ultra é o dobrável mais fino que a Samsung já fez e, nesse ponto, o Z Fold 8 não o acompanha. Ainda assim, com 4,5 milímetros quando está aberto e 9,7 milímetros quando está fechado, continua a ser muito fino. Apesar de ser mais largo, não é muito mais espesso. Continua a ser um equipamento elegante, que ao mesmo tempo não parece frágil. A dobradiça é bonita e cumpre bem o seu papel. No conjunto, é um smartphone fino, confortável e com bom design.

Consegue tirar boas fotografias

No artigo dedicado à fotografia mostro mais imagens captadas com este smartphone, mas no geral consegues tirar boas fotografias com as duas câmaras traseiras. A câmara principal tem 50 megapíxeis e a ultra grande angular também. O que mais me chamou a atenção foi o desempenho em fotos de perto, quando queres ver mais textura. Aí o resultado é muito bom. A AI também ajuda bastante, sobretudo em fotos com zoom. Ainda assim, nota-se que por vezes tem dificuldade com luz muito forte. E, no geral, também tenho críticas às câmaras deste equipamento. Já lá vamos.

Fotografar com o Samsung Galaxy Z Fold 8 faz-me lembrar um pouco fotografar com um Xiaomi 17T: às vezes saem fotografias mesmo muito boas, mas noutras sentes que havia mais potencial e ele simplesmente não aparece. Isso também não é estranho, porque este smartphone não tem um conjunto de câmaras ao nível Ultra. Ainda assim, consegue tirar boas fotos, só que tens de trabalhar um pouco mais para isso.

Finalmente, nova tecnologia de bateria

Foi uma grande surpresa ver a Samsung dar este passo: em vez de uma bateria de iões de lítio, temos agora uma variante de silício-carbono. Não significa que vás ter logo dois dias de autonomia, como num OnePlus 15, mas os 4.800 mAh dão para bastante. Há dobráveis com baterias maiores e eu preferia ver isso aqui, mas fiquei positivamente surpreendida com o tempo que consegui usar este smartphone antes de o voltar a carregar. O carregamento rápido de 45W não é impressionante, mas em cerca de 75 minutos chega aos 100 por cento. Esperava menos da bateria, sobretudo porque este equipamento é tão fino e oferece tanto ecrã. Acho que a Samsung encontrou aqui um bom equilíbrio. Ainda assim, se passas mesmo muitas horas no telemóvel, um dia de autonomia pode saber a pouco. Acredito que, agora que a Samsung adotou as baterias de silício-carbono, também possa aumentar os mAh nos próximos modelos. Para já, fico contente por ver esta mudança.

Sem exageros no foco em AI

Se olhar para a redação, vejo sobretudo pessoas que acham que os telemóveis têm dependido demasiado de AI nos últimos tempos. Há até botões físicos dedicados a isso. Este smartphone é mais contido. O Galaxy AI está presente, claro, e já nos habituámos a isso nos últimos anos, mas a Samsung faz bem em manter o foco neste novo formato e não em despejar 58 novas funções de Galaxy AI.

No artigo sobre como tirar mais partido da câmara mencionei algumas das novas funções de AI, mas fora isso não é um telemóvel que te esteja sempre a bombardear com tudo o que podes fazer com AI. Podes usá-lo de forma perfeitamente normal, e isso é uma boa decisão. De resto, faz o mesmo que outros smartphones Samsung, por isso também inclui o Now Brief, por exemplo, mas sem ser intrusivo.

Dois ecrãs fazem toda a diferença

Usar dois ecrãs é ótimo. Num Flip acabo por fazer quase tudo no ecrã exterior, mas neste Fold dei por mim a usá-lo de ambas as formas com frequência. Para tirar uma fotografia, está fechado. Para ver a fotografia, está aberto. Para ler o meu email, está fechado. Mas para ver férias e voos, está aberto. No grande ecrã interior fazes realmente coisas que normalmente farias num portátil, enquanto o ecrã exterior fica mais para as tarefas típicas de smartphone.

Samsung Galaxy Z Fold 8: os pontos fracos

O formato do ecrã nem sempre é o ideal

Quando a Samsung disse, num painel de design a que assisti, que este equipamento é ideal para ver publicações nas redes sociais, pensei: isso é inteligente. Na prática, porém, não percebo totalmente essa visão. No ecrã exterior funciona bem, mas no ecrã interior faltava-me constantemente uma parte do vídeo. Além disso, mesmo no ecrã exterior nota-se que o smartphone nem sempre sabe qual é a melhor forma de mostrar determinado conteúdo. O mesmo acontece com outras apps: nem tudo escala bem. É um formato relativamente novo, por isso talvez isto melhore com o tempo, mas eu não descreveria o Galaxy Z Fold 8 como o derradeiro telemóvel para fazer scroll nas redes sociais. E sim, isso também toca num ponto importante dos dobráveis: o ecrã dobrável e o vinco do ecrã continuam a influenciar a experiência em algumas apps.

Preço muito alto para especificações com compromissos

Este smartphone faz sucesso em qualquer encontro. Leva-o para um churrasco e, antes que dês por isso, toda a gente o quer segurar. Nota-se que as pessoas ficam encantadas. Às vezes fazem várias perguntas e dizem que gostavam de o ter. Isso dura até eu dizer quanto custa. Desde “um smartphone nunca devia custar mais de 2.000 euros” até “não dava esse dinheiro por um telemóvel”, a reação é quase sempre a mesma. As pessoas assustam-se com o preço, e eu percebo perfeitamente. Eu própria sinto o mesmo.

Fico fascinada quando olho para este smartphone: o aspeto peculiar, os ecrãs práticos, a construção sólida. É um equipamento lindíssimo. Mas se fores mais a fundo, percebes que não é um telemóvel para toda a gente. As câmaras não fazem o que eu espero, ao contrário do que acontece no Ultra. Também preferia uma bateria um pouco maior. Há várias especificações neste equipamento que também encontras em smartphones de 700 ou 800 euros. E então os mais de 2.000 euros tornam-se difíceis de justificar. No posicionamento topo de gama, esperava-se mais.

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As câmaras ficam aquém em alguns cenários

Percebo a lógica da Samsung ao reservar para o Ultra o estatuto de telemóvel definitivo com as melhores câmaras, mas se um equipamento custa mais de 2.000 euros, então as câmaras do Fold 8 também deviam estar mais próximas do nível Ultra. Nota-se que nem sempre tens boa profundidade nas fotos, que algumas imagens saem algo granuladas e que, sobretudo em contraluz, tudo fica demasiado escuro muito depressa. Podes captar imagens excelentes, mas para isso precisas de mais técnica, mais olho e também alguma sorte. O zoom também assusta por vezes, embora a AI consiga corrigir algumas coisas. Simplesmente não é uma experiência de fotografia premium. Percebo que a Samsung tenha querido poupar em algum lado para posicionar este modelo entre o Flip e o Fold, mas continua a ser muito dinheiro para um telemóvel com câmaras que, em certos momentos, parecem de gama média.

Lê também mais sobre isso no artigo de fotografia do Galaxy Z Fold 8.

Aquece com alguma facilidade

Infelizmente, isto é algo que vemos com alguma frequência nos dobráveis da Samsung, e este smartphone também pode aquecer bastante de vez em quando. Mesmo que o uses apenas 10 minutos para tirar algumas fotografias, já notas que não o queres guardar na mala ao lado de uma barra de chocolate. Não é dramático, e também não aquece ao ponto de não o quereres segurar, mas acontece depressa. Até quando nem sequer o estou a usar como hotspot. Às vezes isso acontece por ser novo e ainda estar a configurar coisas em segundo plano. Neste caso, porém, o aquecimento aparece rapidamente e não só nos primeiros dias de utilização.

Não é para quem tem exigências muito altas

Se fazes muito no teu telemóvel, incluindo jogar, não sei se este é o equipamento certo para ti. É verdade que tem um bom processador, o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, mas ainda assim por vezes sente dificuldades e pode engasgar um pouco. Além disso, como já referi na parte da bateria, se puxares muito por ele a autonomia cai rapidamente. Por isso, apesar do preço elevado, este não é necessariamente o telemóvel ideal para quem tem exigências muito altas. E com isso refiro-me sobretudo a quem usa o smartphone intensivamente todos os dias.

Conclusão

Este smartphone é um verdadeiro objeto de desejo em 2026. Tem bom aspeto, é divertido de mostrar aos amigos e, no geral, adapta-se bem a quase tudo o que fazes no dia a dia. Até nas tarefas que normalmente farias no portátil, este smartphone consegue ajudar-te muito bem. É prático, confortável na mão e a possibilidade de alternar entre o ecrã grande e o pequeno torna-o muito versátil. A Samsung fez muito bem em avançar com o Galaxy Z Fold 8.

Mas acho que o preço devia ter sido pensado de outra forma. 2.000 euros é um valor enorme, e por esse montante esperas o melhor do melhor. Só o novo formato, por mais interessante que seja, não chega. Nem todo o conteúdo é ainda mostrado da melhor forma neste dobrável, e as câmaras deixam claramente margem para mais. Eu só consideraria seriamente este smartphone daqui a alguns meses, quando o preço talvez baixe. Ao mesmo tempo, os preços da memória continuam altos, por isso não é garantido que fique muito mais barato tão cedo. Ainda assim, pagar 2.000 euros por um telemóvel com especificações que por vezes roçam a gama média é difícil de engolir. Por mais charme que este formato tenha. Face ao modelo anterior, a proposta é mais ousada no design, mas nem sempre mais equilibrada no valor entregue.

Comprar o Samsung Galaxy Z Fold 8

O Samsung Galaxy Z Fold 8 está disponível nas cores Lavender, Cream e Graphite, com a cor especial Pistacchio em exclusivo online. O preço recomendado é de 1.999 euros (256 GB) e 2.199 euros (512 GB). O equipamento chega a 7 de agosto. Se estiveres a pensar comprá-lo, vale a pena ficares atento a campanhas de pré-venda e retomas, porque podem aliviar um pouco este preço topo de gama.

Alternativas ao Galaxy Z Fold 8

Na prática, não existe um verdadeiro substituto para o Galaxy Z Fold 8 quando falamos deste formato. Ainda assim, neste momento podes considerar o Z Fold 7. Foi um dos nossos equipamentos favoritos do ano passado e agora está bastante mais barato (Niet leverbaar), oferecendo ainda assim especificações mais próximas de um Ultra. Além disso, também gostamos muito do Motorola Razr Fold, que neste momento custa Niet leverbaar. Se valorizas produtividade, também faz sentido verificares se precisas mesmo de extras como S Pen, já que isso pode pesar na tua escolha entre modelos.