Quando vi o Sony Xperia 1 VIII pela primeira vez, fiquei arrepiado com o design renovado, o acabamento elegante e a cor prateada. Mas foi a parte traseira do telemóvel que me deu verdadeiros arrepios. Ao deslizar os dedos pela traseira, deparei-me com uma textura estranha, granulada, muito parecida com uma lixa. Era como se alguém tivesse colado uma lima de unhas no telemóvel. E os arrepios não se ficaram por aqui…
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Sony Xperia 1 VIII
Um smartphone e uma lima de unhas num só dispositivo. Foi este um dos primeiros pensamentos que me ocorreram quando peguei no Sony Xperia 1 VIII pela primeira vez. A Sony decidiu finalmente renovar o design do seu modelo topo de gama, lançando no mercado um telemóvel com um aspeto fresco e luxuoso. A disposição vertical da câmara deu lugar a uma ilha quadrada no canto superior esquerdo, um pouco ao estilo da série 10, o que lhe confere um visual novo e bastante apelativo.
Por outro lado, os elementos característicos da Sony continuam bem presentes. Falo da ranhura para o cartão microSD, da entrada de áudio de 3,5 mm e das margens na parte superior e inferior do ecrã. Isto significa que não há qualquer furo no ecrã para a câmara frontal. Infelizmente, o preço elevado também continua a ser uma imagem de marca da Sony. Com um valor de lançamento a partir de 1499 euros, o 1 VIII está longe de ser um equipamento barato.
Nas quase duas semanas em que tive a oportunidade de testar o telemóvel, reparei em vários detalhes para além do design renovado, tanto pela positiva como pela negativa. Vou partilhar tudo contigo nesta análise.
O que vem na caixa?
- O próprio telemóvel
- Manuais e garantia
1. Design luxuoso e distinto
Como já pudeste ler na introdução, a Sony decidiu finalmente renovar o design do seu topo de gama. Pelo menos a parte traseira, que se mantinha praticamente inalterada desde 2020. Durante anos, vimos sempre a mesma ilha de câmara vertical. Agora, essa ilha passou a ser quadrada e está posicionada no canto superior esquerdo. É a primeira vez em anos que pegas num novo topo de gama da Sony e percebes imediatamente que estás perante um modelo diferente. Pessoalmente, adoro quando as marcas arriscam e renovam o design em vez de repetirem a mesma fórmula ano após ano. Estás a ouvir, Samsung?
Isto ganha ainda mais valor quando, apesar das mudanças, a marca consegue manter uma identidade visual inconfundível. Foi exatamente isso que a Sony fez ao manter o botão dedicado para a câmara, o suporte para cartões microSD, a entrada de áudio de 3,5 mm e as margens acima e abaixo do ecrã. Estas últimas podem já não parecer muito modernas, mas têm uma vantagem clara, pois eliminam a necessidade de ter um notch (o recorte no ecrã onde normalmente se encontra a câmara frontal) ou um furo no ecrã.
Já o novo acabamento da parte traseira deixa-me com algumas dúvidas. Trata-se de um vidro com uma textura granulada, semelhante a uma lixa, que se prolonga também pelas laterais. Visualmente resulta muito bem e transmite uma sensação de luxo inegável. No entanto, ao toque, dá-me alguns arrepios. É quase como aquela sensação de ouvir unhas a arranhar um quadro de ardósia.
2. Experiência Android limpa
Outro aspeto típico da Sony é oferecer uma versão quase pura do Android. A fabricante japonesa inclui apenas algumas aplicações próprias, como a PS App, a Creators’ App e um editor de vídeo. O Facebook também vem instalado por defeito, algo que, pessoalmente, dispensava. E a lista fica por aqui. Tudo isto resulta numa experiência Android muito limpa, praticamente sem qualquer bloatware. Além disso, tens direito a cinco grandes atualizações do Android e a seis anos de atualizações de segurança. Não é o melhor suporte do mercado, mas é bastante positivo.
Pouco personalizável e sem personalidade
O que me deixa com alguma pena é que o Xperia 1 VIII acaba por perder um pouco o seu caráter neste ponto. O exterior tem um design genuinamente típico da Sony e muita identidade própria. Contudo, tudo isso desaparece assim que ligas o ecrã do smartphone. Sinto falta de algo especial, de um toque divertido e, sobretudo, de mais opções de personalização. Claro que podes sempre mergulhar na Google Play Store e descarregar o que precisas para afinar o sistema, mas teria sido interessante ver a própria Sony a incorporar algumas funcionalidades mais criativas de raiz.
Um pouco à imagem do que a Nothing faz com o seu Nothing OS. Essa marca dá-te a escolha entre um Android mais tradicional e o seu próprio ecossistema, repleto de funcionalidades práticas e divertidas, incluindo um design completamente original. Nota-se que investem mesmo tempo e esforço num design distinto, tanto por fora como por dentro, criando novas funcionalidades e integrando-as na perfeição no software. Isso torna a experiência muito mais completa. Na minha opinião, a Sony devia seguir o mesmo caminho para tornar os seus telemóveis mais únicos e, simplesmente, mais cativantes de usar.


3. Fotografias sem cor, mas boas
Na parte de trás do Xperia 1 VIII encontramos três objetivas:
- Câmara principal de 48 MP, f/1.9, tamanho do sensor 1/1.35”
- Teleobjetiva de 48 MP (periscópio), 70 mm, f/2.8, tamanho do sensor 1/1.56”
- Câmara ultra grande angular de 48 MP, f/2.0, tamanho do sensor 1/1.56”
No ano passado, o modelo anterior da Sony passou com distinção no teste de fotografia. Sobretudo porque as fotos tiradas com esse telemóvel não tinham aquele aspeto excessivamente processado, tão típico dos smartphones. Muitos equipamentos exageram no efeito HDR, forçam o brilho nas sombras e tentam deixar tudo nítido a qualquer custo. A Sony fez as coisas de forma diferente.
Para muita gente, as imagens podem até parecer um pouco “aborrecidas”, precisamente por estarem habituadas às fotos ultra processadas e muito mais brilhantes de outros smartphones. Pessoalmente, não partilho dessa preferência. É por isso que aprecio a abordagem mais natural e menos agressiva da Sony no processamento de imagem.
Fiquei, por isso, um pouco assustado quando vi as primeiras fotos do Xperia 1 VIII partilhadas pela própria Sony. A marca apresentou com orgulho o novo AI Camera Assistant com Xperia Intelligence. Tratava-se de um novo sistema de processamento de imagem que prometia fotos ainda melhores. Só que as imagens partilhadas pela Sony tinham um aspeto terrível. Vê por ti mesmo na imagem abaixo:
Felizmente, na prática, percebi que este processamento absurdo quase não se nota. A inteligência artificial está presente na aplicação da câmara, através da funcionalidade AI Camera Assistant. Esta ferramenta aparece como uma espécie de janela flutuante no lado direito e sugere algumas predefinições de imagem. Acabei por nunca a usar, porque nove em cada dez vezes não gostava dos resultados sugeridos. Além disso, prefiro ser eu a editar as imagens posteriormente.
Na minha opinião, este assistente acaba por ser mais uma distração, atrapalhando o enquadramento, do que uma ajuda real. Felizmente, podes minimizá-lo para que não te incomode tanto.
Qualidade das fotografias
O processamento de imagem da Sony continua a não ser o mais agressivo do mercado, o que resulta em fotografias relativamente naturais e bastante boas para um smartphone. As sombras preservam-se bem e são menos iluminadas artificialmente do que noutros equipamentos. A nitidez geral e o balanço de brancos também parecem acertados. Contudo, nota-se agora um pouco mais de nitidez forçada (sharpening) e, por vezes, a adição de detalhes que parecem um pouco estranhos. O contraste também pode ser demasiado elevado em certas situações, e compreendo perfeitamente se sentires falta de um pouco mais de vivacidade nas cores.



Em condições de fraca luminosidade, o Xperia 1 VIII não tem o melhor desempenho. O telemóvel tem dificuldade em focar com alguma frequência, os detalhes ficam um pouco grosseiros e nem sempre consegue encontrar a exposição correta.



Bokeh
Uma nota rápida sobre o modo retrato e o efeito bokeh: honestamente, não me impressionaram muito. O efeito bokeh, ou seja, o desfoque em torno do sujeito que está focado, é sistematicamente exagerado. Por isso, quase nunca usei este modo no Xperia 1 VIII. Tal como na selfie abaixo, acabo sempre por preferir o modo de câmara normal.
4. Muito detalhe na teleobjetiva
Se a teleobjetiva do modelo anterior me tinha desiludido, a do Xperia 1 VIII apresenta uma melhoria muito clara. A Sony abandonou a lente com distância focal variável, que permitia algum movimento interno, e optou agora por uma lente de distância focal fixa. Pode ser tecnicamente menos impressionante, mas o sensor em si é francamente melhor. As fotos tiradas com a teleobjetiva da geração passada tinham muita falta de detalhe, o que fazia com que as imagens simplesmente não ficassem bonitas.
No 1 VIII, este problema foi resolvido, e a teleobjetiva é agora, possivelmente, a lente que capta mais detalhe das três. As imagens são ampliadas oticamente a uma distância focal de 70 mm, o que equivale a um zoom de 2,9x em relação à câmara principal. No software, existe ainda um botão predefinido para um nível de zoom de 5,8x (140 mm). Trata-se de um recorte digital do sensor de 48 MP da teleobjetiva, e não de um zoom ótico real. Ainda assim, as fotos tiradas a essa distância ficam com muito bom aspeto. No geral, a câmara periscópica do Xperia 1 VIII merece uma nota bastante positiva e representa um excelente passo em frente em relação ao ano passado.


No entanto, notei que a reprodução de cores tende a variar bastante em relação à câmara principal. É algo que consegues ver claramente nas imagens abaixo, se reparares, por exemplo, no tom verde das árvores e das folhas.



1. Falta o fator uau nas fotos
No geral, as câmaras do Xperia 1 VIII merecem uma nota positiva. Mas será que são boas o suficiente para um smartphone que custa quase 1499 euros? A minha resposta é não. Falta aquele fator “uau” quando olho para as fotos ou para o software da câmara. No final do ano passado, por exemplo, testei um topo de gama da concorrência e senti exatamente esse entusiasmo que aqui me falta.
A aplicação de câmara e o software desse smartphone eram muito mais agradáveis de usar. Apesar de a Sony trazer a sua experiência das câmaras Alpha para os telemóveis Xperia, prefiro o Master Mode da OPPO, pois é muito mais intuitivo e prático. Dá-te mais liberdade para brincar com as definições e torna o ato de fotografar genuinamente mais divertido. As fotos que saem desse aparelho são também mais bonitas, têm mais detalhe natural e um aspeto mais cativante, sem parecerem demasiado editadas. Com o Find X9 Ultra, a OPPO eleva ainda mais a fasquia.
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2. Carregamento lento
Infelizmente, a velocidade de carregamento que a Sony aplica no Xperia 1 VIII é muito lenta. Com apenas 30W de potência, demora quase hora e meia a carregar o telemóvel na totalidade. Em pleno 2026, ano em que até a Samsung aumentou a velocidade de carregamento do seu modelo Ultra para 60W, ficar pelos 30W é simplesmente demasiado lento.
Felizmente, a bateria de 5000 mAh tem um desempenho bastante razoável. A Sony anuncia uma autonomia de até dois dias. É um valor possível de alcançar, mas, com o meu uso normal, consegui chegar mais realisticamente a um dia e meio.
3. Pequenos bloqueios
O que também não melhorou foi a fluidez geral do topo de gama da Sony. No ano passado já tinha notado alguns pequenos bloqueios, e a situação mantém-se. Isto acontece apesar de o Xperia 1 VIII vir equipado com o processador Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5, que é, neste momento, o chipset mais rápido que podes encontrar num smartphone Android.
O processador e o telemóvel são, de facto, extremamente rápidos, mas a Sony simplesmente não tem a otimização do software bem afinada. Algumas aplicações de notícias ou até o nosso próprio AW Reader, por exemplo, falham regularmente no arranque. É algo que, em simultâneo, não acontecia no meu Pixel. Trata-se de um problema que se repete com alguma frequência durante o uso diário do 1 VIII.
Conclusão
Até ao mais fundo da sua essência, o Xperia 1 VIII é um verdadeiro smartphone da Sony. A marca faz as coisas à sua maneira e mantém-se fiel a alguns hábitos mais antigos, como o suporte para microSD, a entrada de áudio de 3,5 mm, as margens no ecrã e um botão dedicado à câmara. Honestamente, só posso ter respeito por essa postura. No entanto, sinto que havia potencial para muito mais. Se, por fora, o Xperia 1 VIII é um equipamento único e distinto, por dentro não se destaca em absolutamente nada.
Mais do que isso, podes até considerar a experiência de utilização um pouco aborrecida. O software está livre de bloatware, mas falta-lhe personalização e aquele toque especial. O ecrã é razoável, a autonomia é boa e as câmaras têm um desempenho sólido. Ainda assim, não consegue superar a concorrência direta em nenhum aspeto. É por isso que os 1499 euros que tens de desembolsar por este Xperia acabam por não se justificar. Por outras palavras: sinto o arrepio inicial do design, mas falta-me o entusiasmo no uso diário.
Alternativas
Estás à procura do melhor smartphone para fotografia? Então dá uma vista de olhos no OPPO Find X9 Ultra (1449 euros) ou, numa opção ligeiramente mais acessível, no Find X9 Pro (1049 euros). Na minha opinião, são dos melhores smartphones acima dos 1000 euros que podes comprar atualmente. Oferecem uma autonomia excecional, câmaras fantásticas, um software muito agradável, designs luxuosos, ecrãs deslumbrantes e um desempenho super rápido.
O Xiaomi 17 Ultra (1199 euros) e o Samsung Galaxy S26 Ultra (999 euros) são também excelentes alternativas a considerar.
Onde comprar o Sony Xperia 1 VIII
O Sony Xperia 1 VIII está disponível com um preço de lançamento a partir de 1499 euros (256 GB), nas cores Graphite Black, Garnet Red e Iolite Silver. A versão de 1 TB, na cor Native Gold, tem um custo de 1999 euros.





