A Xiaomi saltou o Xiaomi 16 e avançou diretamente para o Xiaomi 17. Testámos o topo de gama desta nova linha durante algumas semanas e a conclusão é clara: a marca melhorou vários aspetos, mas não necessariamente aqueles que mais queríamos ver resolvidos.
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Xiaomi 17 Ultra
Não queremos, de todo, insinuar que a Xiaomi tem de seguir à risca os nossos comentários, mas esperávamos que este modelo trouxesse escolhas de design um pouco diferentes. Ainda assim, há muito para gostar aqui. Até alguns dos detalhes que já adorávamos foram aprimorados, o que é um excelente sinal. Quanto aos aspetos onde a Xiaomi continua a falhar, falamos disso mais à frente, na secção dos pontos negativos. Para já, vamos concentrar-nos no que o Xiaomi 17 Ultra tem de melhor.
O que vem na caixa?
- Smartphone
- Cabo USB-C
- Garantia e manual
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Uma sensação genuinamente premium
Quando investes quase 1.500 euros num telemóvel, exiges algo em troca. Queres sentir que tens um equipamento luxuoso e elegante nas mãos. Para mim, isso nem tem de ser para mostrar aos outros; basta que o sintas na utilização diária e na forma como o telemóvel assenta na mão. A Xiaomi fez ajustes no conforto e na ergonomia deste smartphone, e isso nota-se. Houve momentos em que genuinamente não percebia se tinha o meu OnePlus 15 ou o Xiaomi na mão, e acredita, isso é um valente elogio.
Além disso, o enorme módulo de câmara é inegavelmente impressionante, com aquela moldura à volta (que, já agora, não roda). E, embora eu tenha dito que a aparência externa não é o mais importante para mim, a verdade é esta: com um módulo de câmara tão imponente, vais certamente receber perguntas curiosas sempre que o pousares numa mesa.
Super rápido na utilização
Este telemóvel é como aquela pessoa no ginásio que tem legitimidade para se filmar porque treina imenso, é super musculada e deixa toda a gente a milhas. Mas, felizmente, um bocadinho menos intimidante e mais acessível. O Xiaomi 17 Ultra é um autêntico prazer de usar, em grande parte porque é incrivelmente rápido, graças ao processador Snapdragon 8 Elite Gen 5. Ele voa contigo pelos menus, e jogar não é o mínimo problema, quer estejas a passar o tempo no Candy Crush ou a dar tudo no Call of Duty.
Onde notei ainda mais esta fluidez foi ao navegar pela galeria. Quanto mais fotos e vídeos tens guardados, mais os telemóveis costumam sofrer, mas este nem pestaneja. Zero engasgos. Deslizas por tudo com uma suavidade que é exatamente aquilo que se exige de um Android premium. Ah, e uma das minhas grandes críticas ao Xiaomi 15 Ultra foi resolvida: este modelo não aquece tanto, muito graças à nova câmara de arrefecimento integrada.



Uma autonomia fantástica
A autonomia do Xiaomi 15 Ultra já era muito boa, mas agora a marca decidiu aumentar ainda mais a bateria: passou de 5.410 mAh para 6.000 mAh. Se passares o dia a tirar fotografias (e, convenhamos, este smartphone convida a isso), a bateria vai durar um pouco menos. Mas, num uso normal, consegues facilmente dois dias de autonomia. É uma verdadeira lufada de ar fresco, algo que sinto muita falta noutros smartphones.
Claro que não custa nada carregar o telemóvel de vez em quando, mas sabe tão bem olhar para o ecrã, pensar que já não o carregas há algum tempo, e ver que a bateria ainda nem desceu dos 25 por cento. É um pormenor que transmite luxo e que assenta na perfeição neste equipamento. Quanto ao carregamento (HyperCharge), tens várias opções: 90 W por cabo, 50 W sem fios, 22,5 W no carregamento reverso por cabo e 10 W no reverso sem fios. É muita especificação junta, mas o que realmente importa reter é o carregamento com fios: a 90 W, a velocidade é estonteante, deixando o telemóvel pronto para a ação num abrir e fechar de olhos.
Uma obra-prima da fotografia
O Xiaomi 17 Ultra apresenta-se com uma câmara principal de 50 megapíxeis, uma lente teleobjetiva de 200 megapíxeis e uma ultra grande angular de 50 megapíxeis. É um conjunto de lentes Leica formidável, e sentes isso assim que começas a disparar. Aquele módulo de câmara não ocupa tanto espaço por acaso: este smartphone é, sem dúvida, um dos melhores equipamentos que a Xiaomi tem para oferecer no campo da fotografia. Consegues captar imagens fantásticas, como podes ver abaixo. Seja à noite ou numa foto macro, é incrivelmente gratificante tirar uma fotografia e ver que o resultado final é de cair o queixo.
O que acho mais interessante na comparação entre o Xiaomi 17 Ultra e o Samsung Galaxy S26 Ultra é que o modelo da Samsung parece jogar mais pelo seguro: é ligeiramente mais fácil tirar uma boa foto à primeira, com a Inteligência Artificial (IA) a assumir um papel de destaque. A Xiaomi também usa IA, mas a experiência fotográfica é um pouco mais crua e autêntica. Às vezes, isso resulta em fotos que parecem quase demasiado nítidas, por mais estranho que soe. No fundo, é a prova provada de que tens um verdadeiro monstro fotográfico nas mãos: cores vibrantes, uma excelente gestão de luz em ambientes noturnos e uma nitidez impressionante.
Fotos à luz do dia











Zoom







Grande angular e zoom












Fotografia noturna








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Continua a ser pesado no topo
Já o tinha dito sobre o antecessor, o Xiaomi 15 Ultra, e vou ter de me repetir: sim, as câmaras são brutais, mas, infelizmente, desequilibram o aparelho. Sentes perfeitamente que a parte superior é bastante pesada quando o seguras para tirar uma foto, o que dificulta aquela utilização mais descontraída, só com uma mão. Além disso, dou por mim com mais receio de o deixar cair. Não duvido que seja um equipamento robusto, mas este desequilíbrio no peso simplesmente não é confortável.
É um exagero no que toca ao peso, e este já é um problema antigo da linha. Espero sinceramente que a Xiaomi resolva isto no próximo modelo Ultra. É, de longe, o maior defeito deste smartphone e uma das poucas coisas que me impede de o coroar como o melhor que podes comprar atualmente no ecossistema Android.
As laterais parecem pouco inspiradas
Pode parecer um comentário estranho, mas acho que as laterais deste smartphone gritam ‘iPhone’ por todos os lados. Não é que seja um drama, mas as margens parecem bastante grossas (o que é irónico, considerando que, com os seus 8,29 milímetros, é um dos modelos Ultra mais finos da Xiaomi). Além disso, os botões laterais não são propriamente elegantes. Tens um botão redondo para aumentar o volume, outro igual para baixar, e depois um botão de energia alongado. O conjunto simplesmente não tem um aspeto interessante ou refinado.
A Xiaomi tem a fama de nem sempre criar designs com uma identidade muito própria. É verdade que este modelo, com o seu enorme módulo de câmara, tem personalidade, mas pedia-se um pouco mais de cuidado em detalhes como estes botões. Pode ser uma minúcia, mas se a marca quer destacar-se e provar que consegue bater a concorrência de frente, tem de investir mais numa linguagem de design exclusiva.
O anel rotativo que não roda
Já o mencionei há pouco: o anel à volta do módulo de câmara faz com que o smartphone pareça ainda mais uma máquina fotográfica a sério, mas não roda. Inicialmente, chegou a pensar-se que seria rotativo, mas não é o caso. Podes pensar: “Ainda bem, porque se rodasse, a certificação de resistência à água (IP) podia ir à vida”. Mas a verdade é que não é bem assim.
Isso leva-me a pensar: por que não torná-lo tátil ou digital, à semelhança dos botões que fazem zoom com um simples toque? Infelizmente, também não faz isso. Está lá puramente para enfeitar. É pena, porque a experiência seria muito mais imersiva e próxima de uma câmara real se pudesses fazer zoom apenas tocando neste anel. Além disso, seria um truque fantástico para destacar a Xiaomi de todas as outras marcas.
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Uma política de atualizações que fica para trás
Quatro atualizações do sistema operativo para um telemóvel que custa 1.500 euros é manifestamente pouco. É certo que tens garantidos seis anos de atualizações de segurança, o que te dá alguma margem, mas o teu sistema operativo vai acabar por ficar desatualizado mais cedo do que devia. Isto torna o telemóvel menos atrativo se, mais tarde, o quiseres vender ou passar a outra pessoa. Esta escolha da Xiaomi é surpreendente, sobretudo porque a marca costuma estar atenta à concorrência: a Samsung e a Google já oferecem sete anos de atualizações em muitos dos seus smartphones. Está na hora de acompanhar a tendência, Xiaomi. Afinal, esta é uma crítica que já se arrasta há vários anos.
A organização do sistema operativo é confusa
A Xiaomi colocou a sua própria interface HyperOS 3 por cima do Android. Em teoria, é um bom sistema, mas sinto muita falta da clássica e lógica gaveta de aplicações (app drawer). Tudo é muito atirado para a tua cara, e eu dispenso isso. Confesso que não sou o maior fã de organizar tudo em pastas, mas o HyperOS 3 praticamente obriga-te a isso se tiveres muitas apps instaladas. Embora a intenção seja manter a organização, as pastas muitas vezes fazem com que te esqueças de que tens determinada aplicação instalada. Pode ser uma questão de gosto e hábito, mas já ando nisto há muitos anos e continuo a não me adaptar. A verdade é que a gaveta de aplicações faz-me mesmo falta.
Conclusão
O Xiaomi 17 Ultra é um equipamento deslumbrante. É um verdadeiro peso-pesado, não só pelas suas características fantásticas, como o módulo de câmara impressionante e a sensação de luxo ao toque, mas também pelo detalhe menos positivo de ser demasiado pesado na parte superior. Ainda assim, por dentro, continua a ser um monstro: oferece uma experiência fotográfica autêntica e crua, um desempenho super rápido e consegue manter a temperatura controlada. Fica claro que a Xiaomi ouviu algumas das críticas que nós, e outros analistas, fizemos no ano passado ao Xiaomi 15 Ultra.
Comprar o Xiaomi 17 Ultra
O Xiaomi 17 Ultra está disponível nas cores preto, branco e Starlit Green, com opções de 512 GB ou 1 TB de armazenamento. O preço recomendado começa nos 1499,90 euros.
Bom saber: este artigo é editorial. Contém alguns links patrocinados pelos quais o Androidworld poderá eventualmente receber uma compensação financeira.






