Enquanto a Google, a Samsung e praticamente todos os fabricantes de smartphones não se calam sobre as novas funcionalidades de Inteligência Artificial, há quem escolha um caminho diferente. A TCL decidiu nadar contra a corrente: em vez de um excesso de IA, aposta na tranquilidade digital. Durante o MWC, vimos de perto a tecnologia Nxtpaper, que agora dá o salto para os ecrãs OLED.
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Um telemóvel que é um e-reader
O grande trunfo aqui é a tecnologia Nxtpaper. É importante esclarecer: não se trata de um simples filtro de software aplicado sobre o vidro, mas sim de um tipo de ecrã genuinamente diferente. Esta tecnologia já tinha sido anunciada anteriormente, mas agora tivemos a oportunidade de a testar em primeira mão.
Através de um botão físico na lateral — ou navegando pelas definições — podes escolher o modo de visualização que preferes. O destaque vai para o Ink Paper Mode, que transforma, na prática, o teu smartphone numa espécie de e-reader. O ecrã assume uma textura mate, as cores desaparecem por completo e ficas com uma experiência muito próxima do papel. A mudança demora uns segundos a processar, mas o resultado final é impressionante.





Se não quiseres abdicar totalmente da cor — por exemplo, para ler banda desenhada —, existe o Color Paper Mode. Esta opção mantém os tons, mas com uma suavidade que promete poupar tanto a tua vista como a bateria do equipamento. O objetivo de ambas as configurações é claro: reduzir a fadiga ocular a longo prazo.
Vale a pena notar que nem todas as aplicações se adaptam perfeitamente a estes modos. O WhatsApp, por exemplo, não muda a sua interface, mas as notificações que recebes da app já aparecem com o visual “papel”.
Além dos smartphones, a TCL integrou estes ecrãs especiais nos seus tablets. O resultado é curioso: até o TikTok ganha um tratamento a preto e branco. O ritmo frenético dos vídeos curtos pode não acalmar a tua mente, mas, se tudo correr bem, pelo menos os teus olhos terão algum descanso.





Um preço simpático
O Nxtpaper 70 Pro é um dos dispositivos que estreia esta tecnologia. Na prática, isto significa que temos um ecrã bastante mais brilhante do que os painéis LCD que a TCL utilizava anteriormente. Olhando para as especificações, o 70 Pro conta com um ecrã de 6,9 polegadas, um processador MediaTek Dimensity 7300 e 8 GB de memória RAM.
A bateria de 5.200 mAh é outro ponto forte. Segundo os representantes da marca, se mantiveres o telemóvel no Ink Paper Mode, a autonomia pode estender-se por vários dias. Claro que existe alguma Inteligência Artificial a bordo, mas é refrescante ver que a TCL não faz disso o centro das atenções. Com um preço de 299 euros, torna-se uma proposta bastante atrativa. O equipamento já está disponível em vários mercados europeus, restando confirmar a data exata de chegada a todas as lojas.
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Outras marcas que procuram o equilíbrio
A TCL não está sozinha nesta missão de introduzir momentos de pausa no nosso dia a dia digital através de hardware. A Fairphone, por exemplo, também aposta num botão físico dedicado a ajustar o comportamento do telemóvel. Embora não utilize uma camada tipo e-ink, a funcionalidade limita as capacidades do aparelho, fazendo desaparecer temporariamente as distrações das redes sociais. No fundo, é bom ver que nem todas as marcas seguem cegamente a “manada” da IA e continuam a inovar com funcionalidades pensadas para o bem-estar do utilizador.