Novas regras europeias vão mudar os smartphones em breve

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
6 Agosto 2026, 18:14
6 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Já lá vai o tempo em que os fabricantes podiam desenhar smartphones sem se preocuparem muito com reparações, atualizações de software ou a vida útil da bateria. Nos últimos anos, a União Europeia introduziu várias regras que obrigam as marcas a tornar os seus dispositivos mais duradouros. Algumas já estão em vigor, enquanto outras só chegam em 2027, mas a verdade é que vais sentir a diferença.

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Os smartphones têm de durar mais

Para ti, como consumidor, as novas regras significam smartphones mais duradouros, mais fáceis de reparar e com maior transparência. Ao mesmo tempo, os fabricantes procuram formas de cumprir a legislação sem terem de redesenhar completamente os seus produtos. Eis o que vai mudar nos novos smartphones nos próximos tempos.

Samsung Galaxy S26

A primeira grande mudança já é visível desde 20 de junho de 2025. Os novos smartphones e tablets que chegam ao mercado europeu têm de cumprir regras de ecodesign mais exigentes, pensadas para prolongar significativamente a vida útil dos dispositivos.

Isto significa, entre outras coisas, que os aparelhos têm de ser mais resistentes a quedas, pó e água, e receber pelo menos cinco anos de atualizações de software. Além disso, as peças de substituição para reparações têm de estar disponíveis durante pelo menos sete anos. Recentemente, passou também a ser obrigatória a inclusão de uma pontuação de reparabilidade no rótulo energético dos produtos.

Para os utilizadores, esta última alteração é especialmente interessante. Tal como já acontece com um frigorífico ou uma máquina de lavar, os smartphones passam agora a incluir informação clara sobre a facilidade de reparação, a autonomia da bateria e a robustez do dispositivo. Isto torna muito mais simples comparar diferentes modelos antes de tomares uma decisão.

As baterias amovíveis estão de volta

A maior mudança chega em fevereiro de 2027. É nessa altura que entra em vigor a parte da legislação europeia que, muito provavelmente, terá o maior impacto no design dos smartphones.

parafuso fairphone 6

A partir dessa data, os novos smartphones têm de ser concebidos de forma a que possas substituir a bateria sem grande esforço. O uso de cola forte, que exige calor ou ferramentas especiais para soltar a bateria, passa a ser praticamente uma coisa do passado.

Isto não significa, porém, que os smartphones vão voltar a ser exatamente como eram há dez ou quinze anos, quando bastava tirar a tampa traseira e colocar uma bateria nova. A legislação exige sobretudo que a bateria possa ser substituída sem causar danos ao dispositivo.

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Um tipo diferente de smartphone

No papel, parece lógico que os smartphones voltem a ter carcaças mais espessas ou tampas traseiras amovíveis. Na prática, a maioria dos analistas não espera que isso aconteça com frequência.

Os fabricantes podem continuar a optar por traseiras em vidro ou metal, desde que a bateria seja acessível com parafusos normais e ferramentas standard. Em vez de grandes alterações visuais, a maioria das marcas vai provavelmente adotar cola menos resistente, patilhas de puxar sob a bateria ou uma estrutura interna mais modular.

Acessórios Fairphone 6

Isto significa que substituir a bateria vai provavelmente demorar um pouco mais do que antigamente, mas passará a ser possível sem precisares de equipamento especializado.

Como os fabricantes aplicam as regras de forma inteligente

Embora as regras europeias sejam claras, as marcas procuram naturalmente formas de alterar o mínimo possível os seus designs atuais.

Uma solução óbvia é desenvolver baterias com uma vida útil muito mais longa. Quanto menos vezes uma bateria precisar de ser substituída, menor é o impacto da nova legislação. Por isso, as empresas estão a investir fortemente em baterias com maior densidade energética e maior durabilidade.

Além disso, algumas marcas optam por designs internos em que apenas uma pequena parte do telemóvel precisa de ser aberta para aceder à bateria. Assim, o dispositivo mantém-se fino, robusto e resistente à água, cumprindo ao mesmo tempo os requisitos europeus. A verdade é que a obrigação de substituição fácil só se aplica a baterias que, após 800 ciclos de carga, forneçam menos de 80% da capacidade original. Se os fabricantes conseguirem que as baterias superem esse limiar, pouco mais muda nos novos smartphones. Outra possibilidade é o recurso a software para limitar a carga máxima a menos de 100% e impedir que a bateria desça abaixo dos 10 ou 20%. Desta forma, a vida útil da bateria também é prolongada.

Suporte de anel Pixelsnap avulso

Outra estratégia já é visível em marcas como a Fairphone e a HMD. Estas constroem smartphones compostos em grande parte por módulos independentes, o que permite substituir não só a bateria, mas também ecrãs, câmaras e portas USB de forma relativamente simples. Para estes fabricantes, as novas regras representam uma verdadeira vantagem competitiva. Uma solução alternativa passa pelas baterias amovíveis. Pensa, por exemplo, numa bateria Pixelsnap para os dispositivos Pixel, ou numa capa para o Samsung Galaxy S26 Ultra à qual podes fixar uma bateria extra. No fundo, os fabricantes vão procurar as soluções que lhes custem menos dinheiro.

Resistente à água e fácil de reparar

Quando uma bateria é mais fácil de substituir, é natural que te perguntes se isso compromete a resistência à água. Se depender da Europa, não. As vedações são hoje muito mais avançadas do que há dez anos. Os fabricantes vão provavelmente recorrer a juntas de borracha, sistemas de parafusos e vedações melhor concebidas para manter o mesmo nível de proteção contra água e pó.

Nem todos os fabricantes têm de fazer o mesmo

As regras aplicam-se aos smartphones colocados no mercado europeu a partir da data de entrada em vigor. Os modelos mais antigos podem continuar a ser vendidos, desde que cumpram a legislação anterior.

Existem também exceções para determinadas categorias de produtos. A Comissão Europeia já propôs deixar de fora os wearables, como os smartwatches, da obrigação de permitir que os utilizadores substituam a bateria. Segundo a Comissão, o espaço reduzido, a resistência à água e a ergonomia tornam esse tipo de design frequentemente impraticável. Para os smartphones, no entanto, essa exceção não se aplica.

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No final, és tu quem fica a ganhar

Embora alguns fabricantes vejam as novas regras sobretudo como obrigações adicionais, para ti as vantagens são claras. Os smartphones vão durar mais, ser mais fáceis de reparar e receber atualizações de software por mais tempo. Além disso, passa a ser mais simples perceber antecipadamente quão sustentável é realmente um dispositivo.

É pouco provável que voltemos em massa aos telemóveis com tampas traseiras de plástico soltas como antigamente. O que vai acontecer é que os smartphones serão cada vez mais inteligentemente concebidos por dentro, de forma a que substituir a bateria deixe de ser uma reparação complicada ou cara. É precisamente essa a maior mudança que o regulamento europeu promete trazer nos próximos anos.