Opinião: A Carteira Google tem uma base sólida, mas falta algo fundamental

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
3 Março 2026, 10:55
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A app Google Wallet é, na teoria, fantástica. Guardas lá os teus cartões de pagamento, cartões de cliente, bilhetes de avião e até passes de transportes. O problema? Quantos mais cartões adicionas, maior é a confusão e menor é a organização.

A aplicação Google Wallet

Se usas um smartphone Android, é quase certo que já te cruzaste com a Google Wallet. Provavelmente é a tua app de eleição para pagamentos contactless ou para mostrar o código QR do teu bilhete de avião. A base da aplicação é sólida, mas falha num ponto crucial: a organização. À medida que a tua coleção de cartões digitais cresce, navegar pela app torna-se uma dor de cabeça.

Seria ideal se a Google introduzisse alguma estrutura na Wallet. No início, isto não era um problema, pois guardávamos apenas um ou dois cartões bancários. Era rápido escolher o passe certo para um pagamento e, se precisasses de um cartão de cliente, encontrava-lo em segundos. Mas, com a popularidade da app, a carteira digital foi enchendo. Hoje, está a rebentar pelas costuras com todo o tipo de passes e bilhetes.

A confusão instalada

Hoje em dia, atiramos tudo para lá: cartões de embarque, passes de transportes, bilhetes para concertos e infinitos programas de fidelização. A tecnologia funciona bem, mas a lista não para de crescer. O resultado é um problema prático no uso diário: encontrar um cartão específico demora tempo. E isso é irritante quando tens pressa ou quando sentes o olhar impaciente da pessoa atrás de ti na fila. É uma frustração desnecessária para todos.

Além disso, isto vai contra o próprio ADN da Google Wallet: a conveniência. É verdade que a app tenta ajudar, arquivando passes expirados (o que liberta algum espaço), mas isso não resolve o problema de quem tem muitos cartões ativos. A “pilha” continua lá, independentemente da frequência com que usas cada cartão ou de quando vais precisar dele.

Uma solução lógica

Atualmente, a única forma de pôr ordem na casa é arrastar itens manualmente. Podes premir longamente um cartão e movê-lo para cima ou para baixo na lista. Funciona bem se tiveres três ou quatro cartões, mas é infernal se a tua coleção for grande. Além disso, cada vez que adicionas algo novo, o cartão aterra num sítio aleatório. Ninguém tem paciência para estar sempre a reordenar a carteira manualmente.

A solução mais óbvia seria a introdução de pastas ou categorias inteligentes. Imagina poder separar cartões de pagamento, títulos de transporte e cartões de loja em secções distintas. Mesmo um sistema básico de grupos faria maravilhas. Poder distinguir entre o que usas todos os dias e aquele bilhete que só vais usar uma vez traria não só organização à app, mas também paz de espírito.

Onde está a pesquisa?

Mas a verdadeira questão é: porque é que a Google Wallet não tem uma função de pesquisa, vinda da empresa que praticamente inventou a pesquisa online? É irónico teres de confiar apenas nos teus olhos para encontrar um cartão no meio de dezenas. Uma simples barra de pesquisa, onde pudesses escrever o nome da loja, tornaria o scroll infinito desnecessário. Seria uma solução temporária perfeita enquanto esperamos por pastas a sério.

A mensagem para a Google é simples: a Wallet precisa de evoluir. A interface atual já não consegue lidar de forma eficiente com a quantidade de cartões que usamos hoje em dia. Claro que o nível de incómodo depende do número de cartões que tens, mas uma melhor organização beneficiaria toda a gente. Vá lá, Google, está na hora de resolver isto.

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