Android 17 recebe uma atualização de privacidade importante: o que precisas de saber

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
9 Setembro 2026, 16:11
5 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Com a chegada do Android 17, torna-se mais difícil para o teu fornecedor de internet manter um registo detalhado dos sites que visitas diariamente. Isto deve-se ao suporte alargado para o Encrypted Client Hello, abreviado para ECH.

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ECH no Android 17

Como é óbvio, a encriptação https padrão já impede que o teu fornecedor veja as páginas que abres ou as mensagens que envias, mas ainda assim existia uma falha de privacidade considerável. Isto porque, quando o teu smartphone estabelece a ligação segura, acaba por deixar escapar informação. Ao adicionar o ECH, o Android 17 tapa essa falha. Assim, os teus destinos digitais mantêm-se ocultos dos olhares curiosos na rede.

Mas como é que isto funciona exatamente? Para perceber, precisamos de olhar para a forma como o teu telemóvel Android estabelece uma ligação. Quando este contacta um site, começa por realizar o chamado handshake TLS, que cria um túnel encriptado entre o teu dispositivo e o servidor.

A mensagem inicial desse handshake, o ClientHello, contém normalmente o nome do site num campo chamado Server Name Indication (SNI). Trata-se de uma necessidade técnica, para que um servidor que aloja vários sites consiga selecionar o certificado de segurança correto. A grande desvantagem é que o campo SNI é enviado sem encriptação. Isto permite que o teu fornecedor continue a ver qual o site que estás a visitar.

A solução para o problema

O ECH resolve este problema de privacidade ao encriptar de imediato a parte sensível da mensagem ClientHello, incluindo o nome de anfitrião do SNI. Quem observa a rede continua a conseguir ver que o teu dispositivo se liga a um determinado endereço IP, mas deixa de conseguir identificar facilmente que serviço estás a aceder. Isto é uma boa notícia, uma vez que atores mal-intencionados podem usar esses dados não encriptados para criar perfis ou para lançar campanhas de phishing direcionadas.

Além disso, esta nova camada de segurança funciona bem em conjunto com a funcionalidade Private DNS do Android. Já era possível ativar o Private DNS para encriptar o pedido que traduz um nome de domínio num endereço IP. No entanto, isso acabava por ser inútil, uma vez que o nome do site voltava a ficar exposto mais tarde, durante o handshake TLS. Graças ao ECH, as duas fases vulneráveis da ligação estão finalmente bem protegidas em todas as redes compatíveis.

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No fundo do sistema

A melhor notícia é que o ECH funciona ao nível do sistema operativo. Assim, a funcionalidade não fica limitada a um único browser e todas as apps com suporte para ECH podem beneficiar dela. Além disso, o Android 17 é o primeiro grande sistema operativo móvel a suportar o ECH, o que, na prática, estabelece um novo padrão importante.

Ainda assim, esta funcionalidade também não é isenta de falhas, já que o ECH não garante anonimato total na internet. Os fornecedores continuam a ver o momento das tuas ligações, o volume de tráfego de dados e os metadados. Além disso, isto só funciona se o site e a stack de rede da app suportarem ECH. Isto significa que os programadores têm de investir esforço nisto e atualizar os seus sites com bibliotecas de rede compatíveis.

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Mais segurança ainda

Para além do ECH, o Android 17 introduz mais funcionalidades de segurança de rede. Uma delas é a Proteção de Rede Local. Quando te ligas à tua rede Wi-Fi em casa, partilhas essa rede com outros dispositivos, como a tua smart TV, câmaras de segurança ou consolas de jogos. Anteriormente, as apps podiam analisar a tua rede local para ver que outros dispositivos estavam ativos.

Agora, têm de pedir autorização antes de o poder fazer. A ideia é que os criadores de apps passem a usar ferramentas do sistema mais seguras, tornando ações do dia a dia mais amigas da privacidade. Por exemplo, quando fazes cast de um vídeo, a Netflix não precisa de saber que tens um frigorífico inteligente.

E para evitar que burlões intercetem o teu tráfego de internet, o Android 17 ativa a transparência de certificados, o que faz com que todos os certificados dos sites fiquem registados publicamente. Funciona assim: quando visitas um site seguro, o teu dispositivo verifica o certificado. Se a entidade emissora desse certificado tiver sido comprometida, os hackers podem criar versões falsas para redirecionar tráfego. Ao exigir que todos os certificados constem de um registo público, este tipo de ataques torna-se mais fácil de detetar.

Por fim, esta atualização de software tapa uma falha relacionada com fraudes por SMS. Os criminosos são cada vez mais capazes de usar antenas falsas portáteis para emitir sinais potentes. Isto obriga os telemóveis nas proximidades a cortar a ligação segura 4G ou 5G e a recuar para redes 2G inseguras. É aí que os burlões conseguem contornar filtros de spam modernos e enviar mensagens de phishing para o teu telemóvel. Com o Android 17, os operadores passam a ter a opção de desativar essas redes 2G obsoletas por predefinição para os seus clientes.

O que achas das alterações que a Google está a implementar no Android 17? Diz-nos nos comentários abaixo.