A Comissão Europeia inicia investigação à Google sobre IA e YouTube

Laura Jenny
Laura Jenny
9 Dezembro 2025, 10:20
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A Comissão Europeia anunciou uma investigação aprofundada à Google sobre os modelos de IA que esta utiliza. A suspeita é de que a gigante tecnológica usa conteúdos online de terceiros para treinar os seus modelos de IA, sem a devida permissão ou compensação.

Investigação antitrust da Comissão Europeia

Isto significa que textos de websites que lês e vídeos do YouTube que vês podem ter sido utilizados para alimentar estes sistemas de inteligência artificial. O foco da investigação está nos conteúdos de editores e criadores online.

A UE pretende verificar, acima de tudo, se a Google impõe condições injustas aos criadores de conteúdo e se as suas práticas violam as regras da concorrência. A investigação irá também apurar se a Google garante para si um acesso privilegiado a estes dados, prejudicando assim os programadores de modelos de IA concorrentes.

Em resposta, a Google enviou-nos uma declaração oficial: “Esta queixa ameaça travar a inovação num mercado que está mais competitivo do que nunca. Os europeus merecem beneficiar das mais recentes tecnologias e vamos continuar a trabalhar de perto com os setores das notícias e da criatividade na sua transição para a era da IA.”

Curiosamente, a Google não nega diretamente as acusações. Em vez disso, argumenta que a investigação pode prejudicar a inovação. A principal preocupação da UE, no entanto, é garantir que a Google cumpre as regras estabelecidas para o espaço europeu. A análise centra-se em dois pontos críticos:

  • A utilização de conteúdos de editores web para alimentar serviços de IA generativa (como os ‘resumos de IA’ e o ‘modo IA’) nas suas páginas de resultados de pesquisa, sem uma compensação justa aos editores e sem lhes dar a opção de recusar.

A comissão irá analisar em que medida as respostas geradas por estas ferramentas se baseiam em conteúdos de editores, sem que estes recebam uma compensação adequada ou possam opor-se a esta utilização sem arriscar perder visibilidade na Pesquisa Google.

  • A utilização de vídeos e outros conteúdos carregados no YouTube para treinar os modelos de IA generativa da Google, sem uma compensação justa para os criadores e sem lhes dar a opção de recusar.

Quando carregas um vídeo para o YouTube, és obrigado a autorizar a Google a usar os teus dados para vários fins, incluindo o treino de modelos de IA generativa. A Google não paga aos criadores pela utilização destes conteúdos para esse fim, e não podes carregar vídeos sem conceder esta permissão. Além disso, as regras atuais proíbem que outras empresas de IA utilizem o YouTube para treinar os seus próprios modelos.

Megamulta no horizonte

Se a investigação da UE concluir que a Google violou as regras e abusou da sua posição dominante, a empresa arrisca-se a uma multa de valor muito elevado. No entanto, não existe um prazo definido para a conclusão do processo, o que significa que poderá arrastar-se durante anos.

É crucial sublinhar que, para já, se trata apenas de uma investigação. Ainda não está provado que a Google seja, de facto, culpada destas práticas.