Alguns tablets Android baratos chegam aos Países Baixos com malware perigoso

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
24 Fevereiro 2026, 18:18
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Foi descoberta uma nova forma de malware que não se propaga apenas através das habituais aplicações, mas que se esconde profundamente no firmware de tablets e outros dispositivos Android. Isto significa que o software malicioso já vem instalado antes sequer de o aparelho chegar às prateleiras das lojas.

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O malware Keenadu

Esta ameaça dá pelo nome de Keenadu. No fundo, é uma backdoor sofisticada que dá aos atacantes acesso total a um dispositivo. Não se limita a roubar dados de uma aplicação específica: pode também intercetar comunicações entre apps, instalar software malicioso adicional e executar comandos remotamente. O grande problema é que, segundo uma investigação da Kaspersky (via Help Net Security), este malware não se propagou apenas através de aplicações isoladas, mas também por outros meios, como o próprio firmware. Para ti, enquanto utilizador, isto torna a tarefa de resolver e prevenir o problema muito mais complicada.

Ataque de malware

Normalmente, o malware instala-se através de uma aplicação que descarregaste fora da Play Store. No pior dos cenários, repões as definições de fábrica do aparelho e o assunto fica resolvido. Com o malware de firmware, a história é completamente diferente. Ele atua numa camada do sistema que permanece quase sempre ativa, mesmo depois de uma reposição total.

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Trocando isto por miúdos, os atacantes ganham acesso a praticamente tudo o que fazes no dispositivo: desde as tuas notificações e palavras-passe até às aplicações do banco e troca de mensagens. Como o malware opera ao nível do sistema, as aplicações de segurança convencionais têm muito mais dificuldade em detetá-lo.

O Keenadu propaga-se de várias formas e já chegou aos Países Baixos

Os investigadores descobriram duas formas de instalação deste malware: através de firmware infetado logo durante a fase de produção, ou por meio de uma atualização de sistema posterior. A parte mais chata é que as aplicações maliciosas fazem-se passar por apps legítimas da Play Store.

O mais preocupante é que os Países Baixos são especificamente mencionados como um dos locais onde os investigadores encontraram muitos tablets infetados. Por isso, é fundamental verificares se o teu tablet pode ter malware. Podes reconhecer a presença de software malicioso através de um ou mais dos seguintes sinais:

  • O teu dispositivo fica visivelmente mais lento.
  • A página inicial do teu browser foi alterada sem a tua permissão.
  • O dispositivo aquece de forma invulgar durante a utilização.
  • Aparecem publicações nas tuas redes sociais que não foste tu que fizeste.
  • Surgem mensagens de erro do sistema com frequência.
  • Vês mais anúncios publicitários, especialmente em locais inesperados.
  • Aparecem aplicações no teu tablet que não te lembras de ter instalado.

A boa notícia é que os investigadores já informaram os fabricantes de tablets sobre o malware, para que possam lançar correções. Contudo, há um detalhe importante a reter: grandes marcas de confiança, como a Samsung, a OnePlus e a Lenovo, não foram afetadas por este problema. Ainda assim, existe um caso conhecido de um Alldocube iPlay 50 mini Pro infetado. No total, já foram descobertos mais de 13.000 tablets comprometidos. Além dos Países Baixos, registaram-se muitas infeções na Alemanha, no Brasil e no Japão.

A Google responde

A Google não tardou a reagir a este novo malware, num comunicado enviado à Android Authority. A gigante tecnológica garante que qualquer pessoa que utilize o Google Play Protect está automaticamente protegida contra esta ameaça. O sistema alerta os utilizadores e desativa as aplicações que apresentem o comportamento típico do Keenadu. E, segundo a Google, isto aplica-se mesmo a apps instaladas fora da Play Store. Por esse motivo, a empresa recomenda vivamente que utilizes apenas tablets certificados com o Play Protect.

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