Se tens um gadget em casa que se liga a outro, já sabes que existe sempre o risco de hackers tentarem explorá-lo. A novidade é que foi descoberta uma vulnerabilidade que afeta uma quantidade enorme de dispositivos Bluetooth.
O ataque em si não é novo, mas a sua descoberta é recente e bastante preocupante. Na prática, quase todos os dispositivos Bluetooth lançados nos últimos 10 anos podem estar em perigo.
A vulnerabilidade dos teus dispositivos Bluetooth
O perigo reside na possibilidade de um cibercriminoso intercetar e controlar a tua ligação. Este tipo de ataque, conhecido como “man-in-the-middle”, força o dispositivo a usar uma encriptação mais fraca, tornando-o fácil de decifrar, conforme explica o investigador Daniele Antonioli da Eurecom.
O Bluetooth Special Interest Group (SIG), o consórcio responsável pela tecnologia, já confirmou a existência desta falha de segurança. A recomendação oficial é que os fabricantes atualizem os seus dispositivos para deixarem de permitir este tipo de encriptação vulnerável.
O problema é que a falha afeta versões muito populares e amplamente utilizadas, desde a Bluetooth 4.2 até à 5.4 — que é a mais recente.
Para que o ataque funcione, o hacker precisa que dois dos teus dispositivos estejam a comunicar via Bluetooth. De seguida, consegue imitar um desses dispositivos para forçar a utilização da encriptação fraca e, assim, assumir o controlo da ligação.
Embora não signifique que todos os aparelhos vão ser atacados de imediato, é fundamental que tenhas consciência do risco. Pergunta-te se é mesmo necessário manter o Bluetooth do teu smartphone sempre ligado.
O que podes fazer para te protegeres
Uma medida de proteção passa por garantir que os teus dispositivos utilizam sempre o modo “Secure Connections”. No entanto, a realidade é que muitos aparelhos são inerentemente vulneráveis e, como utilizador, pouco ou nada podes fazer para alterar isso.
O mais importante é estares atento. Pensa bem com que dispositivos te ligas e questiona se o Bluetooth precisa mesmo de estar permanentemente ativo. Estar ciente dos riscos é o primeiro passo para te protegeres.