Passamos os dias colados aos nossos smartphones. De tal forma que, por vezes, damos por nós a pensar como seria o mundo sem eles. Mas e se olhássemos especificamente para o sistema operativo mais usado do mundo? Rich Miner, o cofundador do Android, foi desafiado a imaginar como seria o universo mobile se a sua criação nunca tivesse existido.
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Um mundo móvel sem Android
Rich Miner é um dos “pais” do Android: fundou a empresa em outubro de 2003 juntamente com Andy Rubin, Nick Sears e Chris White. O objetivo inicial? Criar dispositivos móveis mais inteligentes e conscientes da sua localização. Curiosamente, a ideia original destinava-se a câmaras digitais, mas a atenção virou-se rapidamente para os telemóveis.
A Google percebeu o potencial e comprou o Android em 2005 por 50 milhões de dólares. Mas vamos imaginar um cenário alternativo: e se a Google não tivesse nada para comprar? E se estes quatro pioneiros tivessem seguido caminhos diferentes e o Android nunca tivesse saído do papel?
Foi o conhecido leaker Evan Blass quem colocou a questão a Miner, e a resposta dá que pensar. Segundo o fundador, a curto prazo, a Apple teria conquistado uma fatia de mercado muito maior. Além disso, a RIM (a empresa por trás dos famosos BlackBerry) teria tido um ressurgimento enorme.
Neste cenário, o BlackBerry Storm seria visto como a grande alternativa ao iPhone, especialmente porque, na altura, muitas operadoras estavam “bloqueadas” por acordos de exclusividade com a Apple. Quando o iPhone foi lançado, a gigante de Cupertino concedeu exclusividade de um ano a apenas uma operadora por país.
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Rich explica a dinâmica: “Essa exclusividade criou um vácuo desesperado para as outras operadoras oferecerem um dispositivo semelhante. No entanto, vamos ser honestos, o Storm era um aparelho bastante fraco. Embora a longevidade do Symbian fosse incerta, as operadoras europeias teriam provavelmente apostado forte em dispositivos Nokia e Sony com esse sistema.”
Miner continua a sua análise sobre a ascensão de alternativas, destacando o WebOS: “No lançamento, o WebOS teria sido um sucesso estrondoso para a Palm; saiu cerca de um ano e meio depois do iPhone. Atrevo-me a dizer que, na altura, parecia mais moderno do que o próprio Android. Tinha uma interface elegante e um modelo muito acessível para aplicações e widgets baseados na web. Teria superado as outras plataformas.”
Uma oportunidade para a Microsoft
Miner também defende que, se a Microsoft tivesse percebido como implementar corretamente o toque e as funcionalidades estilo iOS, teria tido uma oportunidade de ouro para dominar o mercado com o Windows Mobile. A força da marca, o marketing e as parcerias já existentes davam-lhe vantagem. Havia também o Linux com os seus padrões, mas Rich dá-lhe poucas hipóteses neste seu mundo hipotético.
Ele elabora: “Se a RIM tivesse jogado bem as suas cartas, teria adquirido a Danger para criar um dispositivo de consumo barato com uma arquitetura semelhante. Sem outra plataforma disruptiva [como o Android], penso que o mercado teria estabilizado com a Apple a deter entre 35 e 40 por cento (atualmente tem entre 25 e 30). A Microsoft poderia ter ficado com cerca de 20 por cento e a RIM com outros 15 a 20.”
E o resto? “O resto seria uma ‘cauda longa’ de outros fabricantes, incluindo a Nokia e a Palm. Se esses players tivessem padronizado rapidamente elementos do WebOS — como widgets web e a experiência de utilizador — talvez tivessem conseguido segurar mais quota de mercado, embora não seja claro se conseguiriam realmente competir com as aplicações nativas.”
E tu, achas que o Rich tem razão? Será que o mundo tecnológico seria mesmo assim? É difícil ter certezas, porque poderia ter surgido outra ideia brilhante, ou a própria Google poderia ter criado algo de raiz. Mas, no fundo, isto serve para perceberes que a plataforma que usas todos os dias tem uma história importante. Sem ela, provavelmente terias de te contentar com a Apple ou a Microsoft. Assim é melhor, não achas?