Google chega a acordo em processo sobre Assistente que escutava sem autorização

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
27 Janeiro 2026, 15:28
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Já tiveste aquela sensação de que a Google está a ouvir as tuas conversas, mesmo quando não ativaste o Assistente ou o Gemini? A verdade é que, há alguns anos, isso aconteceu mesmo: funcionários da empresa conseguiam ouvir conversas pessoais sem qualquer autorização dos utilizadores. Como consequência, a gigante tecnológica vai agora pagar um total de 68 milhões de dólares a quem apresentou queixa.

A privacidade do Google Assistente

Tudo gira em torno da forma como as informações são recolhidas pelo Google Assistente. Nos Estados Unidos, decorre atualmente um processo judicial focado na privacidade dos utilizadores de telemóveis Pixel e dispositivos Nest, entre outros equipamentos.

Um grupo de utilizadores avançou com uma ação coletiva, alegando que o Google Assistente era, por vezes, ativado sem que alguém dissesse explicitamente “Hey Google” ou “Ok Google”. Esta ativação incorreta terá levado o sistema a gravar conversas privadas e, possivelmente, a associar essa informação a fins publicitários.

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A Google sempre negou estas acusações, garantindo que o sistema apenas capta e grava voz depois de detetar uma frase de ativação genuína. No entanto, apesar desta negação, a empresa optou por chegar a um acordo. O objetivo é evitar os riscos, os custos elevados e a incerteza de um processo judicial prolongado. Contas feitas, estamos a falar de um valor que ronda os 58 milhões de euros.

Acordo não é admissão de culpa

É importante esclarecer um ponto: este acordo não significa que a Google admita ter agido de forma ilegal. Trata-se apenas de uma forma de encerrar o caso sem que um juiz tenha de proferir uma sentença final sobre as acusações de violação de privacidade. O acordo proposto ainda tem de ser aprovado, sendo esse o próximo passo formal do processo.

Caso o acordo receba luz verde, será criado um fundo através do qual os consumidores podem solicitar uma compensação. O valor da indemnização vai depender do número de reclamações válidas que forem apresentadas.

Segundo o The Verge, os documentos do tribunal indicam que este acordo se aplica a pessoas que utilizaram dispositivos Google desde 18 de maio de 2016 ou que tiveram experiências pessoais com estas ativações erradas. Isto abrange, por exemplo, proprietários de smartphones, colunas inteligentes, ecrãs inteligentes ou outros dispositivos equipados com o Google Assistente.

A grande questão é: isto também se aplica aos utilizadores em Portugal? Como o processo judicial decorre nos Estados Unidos, a resposta é não. Não se aplica a nós nem ao resto da Europa.

Contudo, existe outro processo a decorrer na Europa desde 2023 relacionado com a Google e a privacidade, para o qual ainda não há decisão. Além disso, a Comissão Europeia aplicou, em setembro de 2025, uma multa de quase 3 mil milhões de euros à empresa. Esse caso não estava relacionado com privacidade, mas sim com a forma como a Google utiliza a sua tecnologia publicitária para distorcer a concorrência.

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