Uma fatura pesada para a Google: a empresa terá de pagar uma multa de 4,1 mil milhões de euros à União Europeia. A sanção remonta a 2018, altura em que a marca foi acusada de abusar do seu poder no mercado dos smartphones.
Na prática, a gigante tecnológica obrigava os fabricantes a pré-instalar a Pesquisa Google e o Chrome nos telemóveis Android. Como isto vai contra as regras da UE, a empresa já reagiu e mostrou-se bastante desapontada com o desfecho.
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Multa de milhares de milhões para a Google
Embora estejamos a falar de uma decisão de 2018, a verdade é que a Google recorreu na altura. Esse recurso foi agora rejeitado, o que nos remete para acontecimentos de há bastante tempo. Entre 2011 e 2014, a empresa terá obrigado os fabricantes a instalar a sua aplicação de pesquisa e o seu navegador.
A Google defende que estas aplicações cresceram e se tornaram populares simplesmente por terem mais qualidade, mas a Comissão Europeia não concorda com este argumento.
A Google queria também que a Comissão Europeia olhasse para o cenário de uma perspetiva mais ampla. O que teria acontecido se a empresa não tivesse agido desta forma? E se fosse um concorrente a ter exatamente o mesmo comportamento?
O Tribunal não foi na conversa e manteve a sua posição. Os 4,1 mil milhões de euros terão mesmo de ser pagos. Ainda assim, a Google faz questão de sublinhar que já alterou os seus acordos com as empresas parceiras logo em 2018, precisamente para garantir que cumpre as exigências da União Europeia.
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Num comunicado oficial, a Google declarou: “O Android oferece mais escolha a todos e apoia milhares de empresas. Esta decisão ignora os nossos investimentos significativos para garantir que o Android se mantém aberto, interoperável e gratuito. Continuamos focados na inovação contínua e na abertura para os nossos utilizadores, parceiros e programadores.”
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‘Manter o Android aberto e gratuito’
Podes interpretar esta reação de várias formas. No fundo, há ali um tom que soa quase a ameaça, como se a Google estivesse a ponderar deixar de oferecer o Android gratuitamente devido a multas desta dimensão.
As grandes empresas tecnológicas já são, há algum tempo, um alvo da União Europeia. Com as novas regras, como a Lei dos Mercados Digitais (Digital Markets Act) e a Lei dos Serviços Digitais (Digital Services Act), a Europa quer proteger os cidadãos contra o abuso de poder destas gigantes.
Por outro lado, a Google pode apenas querer lembrar o quão bom é manter o Android gratuito. É, sem dúvida, outra forma perfeitamente válida de ler as entrelinhas deste comunicado.