Nada explica porque os fabricantes de telemóveis não adotam o carregamento magnético

Laura Jenny
Laura Jenny
17 Outubro 2025, 16:57
2 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

O carregamento magnético Qi2 (basicamente, a versão universal do MagSafe) já anda por cá há algum tempo, mas a verdade é que a Google foi a primeira grande marca a abraçá-lo a sério. Enquanto a Samsung e a OnePlus se limitam a oferecer esta funcionalidade através de capas específicas, a Nothing acredita ter a resposta para esta hesitação.

O Qi2 ainda não conquistou as massas

Num vídeo recente, a Nothing levanta o véu sobre o que se passa realmente com o carregamento Qi2 e explica porque é que os fabricantes de telemóveis Android não parecem muito entusiasmados em integrá-lo nos seus equipamentos. O problema é mais complexo do que parece: embora seja uma norma aberta que todos podem usar, as marcas são obrigadas a desenvolver os seus próprios sistemas de carregamento magnético para suportar a tecnologia.

E aqui surge o desafio técnico: se utilizares bobinas que não encaixam na perfeição, podes até conseguir carregar o teu dispositivo via Qi2, mas muitas das soluções e suportes existentes no mercado não vão funcionar corretamente.

A Apple tem, naturalmente, um vasto arsenal de acessórios que funcionam com MagSafe, o seu sistema proprietário. O problema é que estes nem sempre “casam” bem com os gadgets Android com Qi2. Nós próprios já notámos isso com o Pixel 10: funciona às mil maravilhas com o carregador oficial da Google, mas quando tentamos usar acessórios feitos para a Apple, a fixação magnética deixa muito a desejar e não é a combinação mais segura.

Uma fatura de 10 milhões de euros

Isto é uma desilusão considerável, pois acabas por ter muito menos acessórios compatíveis à tua disposição. Segundo a Nothing, esta falta de compatibilidade universal torna a tecnologia menos atrativa para os fabricantes. Mas o verdadeiro obstáculo parece ser financeiro: a marca revela que desenvolver um sistema de carregamento sem fios proprietário custa cerca de 10 milhões de euros. É um investimento pesado.

Se a Google avançou, é provavelmente porque tem uma capacidade financeira muito superior à da maioria da concorrência. Dito isto, o vídeo da Nothing — que dura cerca de 9 minutos — não se fica apenas pelo Qi2. Conta ainda com a participação do conhecido YouTuber MrWhosetheboss, numa parceria curiosa para criar o “telemóvel de sonho”.

We made MrWhoseTheBoss' Dream Phone