O aumento contínuo dos preços da memória RAM está a deixar marcas cada vez mais visíveis nos smartphones. No fundo, os fabricantes deparam-se com um dilema: ou sobem os preços, ou poupam noutros componentes. Esta última opção acontece, muitas vezes, de forma discreta, sem que dês por isso ao ler a folha de especificações. O Xiaomi 17T é um excelente exemplo desta realidade.
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O Xiaomi 17T mostra onde os fabricantes podem poupar
Lançado no final de maio, o Xiaomi 17T chegou ao mercado como uma alternativa de gama média ao Xiaomi 17. Para conseguir manter o preço do telemóvel num patamar apelativo, tudo indica que a marca poupou num componente menos óbvio. Pelo menos, é o que avança o site Notebookcheck. Segundo alguns testes de áudio, os altifalantes do Xiaomi 17T ficam um furo abaixo da qualidade oferecida tanto pelo modelo mais pequeno, o Xiaomi 17, como pelo Xiaomi 15T do ano passado.
As diferenças notam-se sobretudo na riqueza do som. O novo modelo parece produzir menos graves e menos profundidade do que o seu antecessor. Além disso, o Xiaomi 15T consegue reproduzir as notas mais agudas com maior clareza, sem aquele tom estridente ou demasiado alto. O site Android Authority já questionou a Xiaomi para perceber se estamos perante um “downgrade” intencional, mas a marca ainda não confirmou a situação.
Isto torna o caso bastante interessante. Vamos ser honestos: a qualidade dos altifalantes raramente é a primeira coisa que procuras quando vais comprar um telemóvel novo. Na hora de comparar modelos, é muito mais provável que prestes atenção às câmaras, ao processador, ao ecrã, à bateria e, claro, à quantidade de memória RAM. Isto dá aos fabricantes uma margem de manobra confortável para poupar naqueles componentes que não têm tanto destaque na lista de especificações.
A memória RAM está cada vez mais cara
Esta possível estratégia da Xiaomi não surge do nada. Os preços da memória RAM e de outros chips dispararam este ano, muito por culpa dos centros de dados de Inteligência Artificial, que exigem quantidades absurdas deste tipo de memória. Para teres uma ideia, o custo da RAM e do armazenamento quase quadruplicou no último ano. Como deves calcular, isto deixa as marcas com cada vez menos espaço para oferecerem o mesmo nível de hardware pelo preço habitual. Já víamos este cenário a desenhar-se no final do ano passado, mas as consequências práticas estão agora a bater-nos à porta.
Perante este cenário, os fabricantes têm de tomar decisões difíceis. Podem passar a fatura para o consumidor (aumentando os preços), oferecer menos memória ou armazenamento, ou, lá está, poupar noutras peças do puzzle.
Nem todas as marcas seguem o mesmo caminho. A Google, por exemplo, anunciou a nova série Pixel 11 e optou por uma abordagem direta: todos os modelos estão cerca de 100 euros mais caros em relação ao ano passado. A Xiaomi, com o 17T, parece ter preferido o caminho inverso, cortando num componente onde é menos provável que notes a diferença no dia a dia.
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As especificações não contam toda a história
Toda esta situação mostra-nos que é cada vez mais importante olhar para lá dos números no papel. Dois smartphones podem ter exatamente a mesma quantidade de RAM, a mesma resolução de ecrã e um processador idêntico, mas oferecerem experiências completamente diferentes devido a componentes como os altifalantes, o motor de vibração e outros pequenos detalhes de hardware. E a verdade é que são precisamente estes elementos que raramente ganham destaque nas apresentações das marcas.
Atenção, isto não significa que todos os novos smartphones sejam automaticamente piores. O caso do Xiaomi 17T serve apenas para ilustrar os malabarismos que as marcas têm de fazer quando os componentes encarecem e, ainda assim, querem manter os preços competitivos. Claro que, enquanto a Xiaomi não confirmar oficialmente que os altifalantes sofreram alterações devido a questões de custo, não podemos afirmar com 100% de certeza que a crise da memória RAM é a única culpada por esta diferença no som.
Ainda assim, vamos ser justos: poupar no altifalante acaba por ser uma jogada inteligente. A grande maioria de nós usa auscultadores ou auriculares sem fios no dia a dia, o que acaba por tornar o altifalante do telemóvel num componente quase secundário.
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