Com o Phone (4a) Pro, a Nothing despede-se do seu característico design transparente e abraça um visual mais mainstream. Bem, quase mainstream. A verdade é que a chamativa ilha de câmaras recusa-se a adaptar-se. Para uns, é uma pequena obra de arte e o último resquício de magia da marca; para outros, uma afirmação quase de mau gosto. Será que este Phone (4a) Pro ainda tem o ADN de um verdadeiro Nothing Phone?
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Nothing Phone (4a) Pro
Nas últimas semanas, tenho andado dividido. Por um lado, sinto-me um pouco zangado, ou talvez mais desiludido, com a Nothing e com o rumo que deram ao Phone (4a) Pro. O design transparente, que sempre foi a imagem de marca, deu lugar a um acabamento em alumínio muito mais comum e discreto. Isto faz do Phone (4a) Pro o telemóvel mais “normal” que a Nothing alguma vez lançou. No ano passado, a marca já tinha abdicado da sua icónica iluminação LED na traseira. Meio ano depois, a traseira transparente também desapareceu. Passo a passo, assistimos a algo que, infelizmente, é comum em muitos fabricantes: tornam-se cada vez mais mainstream para atrair as massas. No fundo, o grande motivo para adorarmos um Nothing Phone está a desvanecer-se.
Por outro lado, não podemos negar que o Phone (4a) Pro tem um toque incrivelmente luxuoso e oferece bastante valor pelo preço. Afinal, o Nothing OS continua a ser a interface Android mais agradável de usar, o telemóvel conta com um módulo de câmaras versátil, um ecrã magnífico e uma bateria muito sólida. Mas, vamos ser honestos: o que resta quando a marca que adoravas pela ousadia e irreverência decide, de repente, ser apenas mais uma na multidão?
O que vem na caixa?
- O próprio dispositivo
- Capa transparente
- Protetor de ecrã (já aplicado no ecrã)
- Cabo USB-C para USB-C
- Garantia e manual de instruções
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Nothing Phone (4a) Pro: os pontos fortes
1. A melhor interface Android do mercado
Na minha análise ao Nothing Phone (4a) ‘normal’, ou seja, a versão não Pro, já tinha falado sobre o Nothing OS. Na altura, disse o seguinte:
Porque, caramba, cá entre nós, este é o grande trunfo da Nothing. O Nothing OS, neste caso na versão 4.1, é, a meu ver, de longe a melhor interface Android da atualidade. O segredo está na combinação perfeita entre design, funcionalidade e fluidez.
Se quiseres saber mais sobre o Nothing OS 4.1, recomendo vivamente que leias a nossa análise ao Phone (4a). Neste artigo, vou focar-me mais nas funcionalidades exclusivas do Phone (4a) Pro. Este modelo possui um pequeno ecrã na parte traseira, o Glyph Matrix, ao qual podes associar funções específicas. Podes, por exemplo, atribuir um emoji único a cada contacto. Assim, sem precisares de ligar o ecrã principal, consegues saber imediatamente quem te está a ligar, a enviar uma mensagem ou qual a aplicação que gerou a notificação.
Isto é super prático para quem quer reduzir o tempo de ecrã. Podes deixar o telemóvel virado para baixo na mesa e, através do Glyph Matrix, perceber se é algo importante. Imagina que configuras um coração para aparecer sempre que os teus amigos te enviam uma mensagem. Como não os queres deixar à espera, sabes que tens de virar o telemóvel. Já para aquela tia que manda mensagens a mais no grupo da família, podes atribuir o ícone de um coelho. Quando o vires, sabes que o Phone (4a) pode ficar exatamente onde está. Percebes a ideia?
Muitas funções (ainda?) não funcionam
Curiosamente, o Glyph Matrix já marcava presença no Phone (3). No Phone (4a) Pro, este pequeno ecrã é maior, mas tem menos píxeis. No modelo anterior, era possível configurar os chamados Glyph Toys, que te permitiam jogar pedra, papel ou tesoura contra o próprio telemóvel. Algo que, convenhamos, é de uma utilidade questionável…
No entanto, no Phone (4a) Pro, mesmo após várias atualizações, ainda não encontrei qualquer vestígio dos Glyph Toys. O botão na traseira do (4a) Pro também não tem, para já, qualquer utilidade, enquanto no modelo anterior servia precisamente para controlar o Glyph Matrix. Dito isto, continuo a achar as funcionalidades deste ecrã algo limitadas e com menos encanto do que a antiga iluminação LED que definia os smartphones da Nothing.
Também podes criar os teus próprios ícones para o Glyph Matrix. Consegues adivinhar que animal transformei em píxeis?
Nothing Playground
Apenas um pequeno detalhe sobre o software: se visitares o Nothing Playground, podes criar e descarregar vários widgets desenvolvidos pela comunidade da marca. São, na sua maioria, widgets bastante simples, mas acho a iniciativa muito engraçada. Eu, por exemplo, descarreguei um que faz a contagem decrescente para a próxima corrida de Fórmula 1.


2. Utilização segura a longo prazo
No que toca à política de atualizações, a Nothing apresenta um desempenho misto na série (4a). Em termos de patches de segurança, a nota é muito positiva: vais poder usar o Phone (4a) Pro em total segurança durante impressionantes seis anos, ou seja, até 2032. Por outro lado, o número de atualizações do sistema operativo fica aquém das expectativas, garantindo apenas três versões, o que te levará até ao Android 19.
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3. Ecrã de topo
O que definitivamente não desilude é o ecrã do Phone (4a) Pro. A frente do dispositivo é dominada por um generoso painel AMOLED de 6,83 polegadas (1260 x 2800 píxeis), com PWM dimming e uma taxa de atualização variável de 144 Hz. Os mais atentos vão reparar imediatamente neste último valor. No papel, isto torna o telemóvel ainda mais fluido do que a maioria dos smartphones atuais, que costumam ficar-se pelos 120 Hz, já que a imagem é atualizada 144 vezes por segundo. A verdade é que o dispositivo raramente atinge esta marca, mantendo-se por defeito nos 120 Hz. Os 144 Hz entram em ação apenas em alguns jogos ou animações específicas.
Mas o mais importante é que o ecrã é perfeitamente legível sob luz solar direta, graças aos seus 1600 nits de brilho máximo. Apresenta cores vibrantes e, com 450 píxeis por polegada, garante uma nitidez excelente.
A diferença mais notória em relação ao ecrã do Phone (4a) normal está nas margens. Na versão Pro, as molduras são significativamente mais finas, o que confere ao telemóvel um aspeto muito mais moderno e premium.
4. Bateria muito competente
A Nothing equipou o (4a) Pro com uma bateria de 5080 mAh, que suporta carregamento rápido de 50W. Na prática, isto significa que uma carga completa demora cerca de uma hora, e ir dos 0 aos 50% leva apenas uns vinte minutos. No meu uso diário, só precisei de o ligar à corrente ao fim de um dia e meio. É um desempenho sólido e que passa com distinção. O único senão é a ausência de carregamento sem fios, algo impossibilitado pela estrutura em alumínio.
5. Câmara principal, grande angular e teleobjetiva periscópica
Não é todos os dias que vemos uma teleobjetiva periscópica num smartphone a rondar os 500 euros. A acompanhar esta lente na traseira do (4a) Pro, temos uma câmara principal melhorada de 50 MP e uma grande angular de 8 MP. Aqui tens o resumo das especificações:
- Câmara principal de 50 MP, f/1.9, tamanho do sensor 1/1.56”, sensor Sony Lytia 700c
- Teleobjetiva periscópica de 50 MP, f/2.9, tamanho do sensor 1/2.57”, zoom ótico de 3.5x (80 mm), zoom digital até 140x
- Grande angular de 8 MP, f/2.2, tamanho do sensor 1/4.0”, ângulo de visão de 120 graus
Teleobjetiva
A lente a que recorro com mais frequência neste telemóvel é, sem dúvida, a teleobjetiva. Com ela, consegues uma ampliação ótica de 3,5x. Graças ao recorte do sensor, podes até tirar fotografias muito boas com um zoom de 7x. O melhor de tudo é que as imagens captadas por esta lente apresentam uma profundidade de campo muito bonita e um excelente nível de contraste.




Zoom de 140x
A Nothing faz questão de destacar que podes fazer um zoom digital até 140x, um recorde segundo a marca. No entanto, sejamos francos: este é o típico caso de uma funcionalidade que fica muito bem no departamento de marketing, mas que na prática não serve para nada. Como podes ver nas imagens abaixo, o resultado é simplesmente mau. Já era de esperar, e a Nothing cumpre essa expectativa à risca.



Zoom digital de 30x, 70x e 140x
Falta de detalhe
Olhando com mais atenção para a câmara principal, há um aspeto que salta à vista, e não pelos melhores motivos: a falta de detalhe nas fotografias. É algo que me deixou um pouco desiludido. É uma pena, porque, de forma geral, as imagens captadas por este sensor são bastante competentes para a faixa de preço.




Outros contratempos
Além disso, as câmaras não são propriamente as mais rápidas a disparar, sendo a grande angular a principal infratora. A teleobjetiva também tem, por vezes, alguma dificuldade em focar. Nota-se ainda uma discrepância considerável entre as fotografias tiradas com a câmara principal, a teleobjetiva e a grande angular. A diferença de qualidade da grande angular é gritante: fica muito atrás das outras duas, quer em termos de detalhe, quer na reprodução de cores e no processamento HDR.


Predefinições divertidas
Apesar destas ressalvas quanto à qualidade, a verdade é que fotografar com o (4a) Pro é uma experiência muito divertida. A aplicação inclui várias predefinições, uma espécie de filtros, que te permitem dar um visual completamente diferente a cada imagem. Traz cerca de dez de origem, mas podes descarregar muitas mais no Playground ou até criar as tuas próprias. É excelente para dar largas à criatividade, embora eu prefira fotografar em modo RAW e editar à posteriori. Felizmente, o telemóvel conta com um modo Especialista que inclui essa opção.
No fim de contas, o maior trunfo do conjunto de câmaras do 4a Pro é a sua enorme versatilidade graças às diferentes distâncias focais. Ter tantas opções à disposição é uma verdadeira raridade nesta faixa de preço.
Nothing Phone (4a): ponto forte ou ponto fraco?
1. O design
O aspeto mais marcante do Nothing Phone (4a) Pro é o seu design. E não digo que é marcante por ser vistoso, mas precisamente pelo oposto: por passar tão despercebido. Essa mudança de rumo é, no mínimo, curiosa.
Pela primeira vez, um Nothing Phone abdica da traseira transparente, perdendo assim a sua característica mais identitária. Pessoalmente, acho uma pena. Como já tinha notado na análise ao Phone (4a), a marca está a normalizar cada vez mais os seus equipamentos. A ilha de câmaras do (4a) Pro ainda mantém um design peculiar com um toque transparente, mas as reações de quem me rodeia foram maioritariamente negativas. Muitos acham o telemóvel diferente, mas não num bom sentido. A expressão “que trambolho” ouviu-se mais do que uma vez.


Por outro lado, a sensação em mão é excelente e transmite uma verdadeira aura premium. Sou fã de smartphones com estrutura em alumínio e confesso que sentia falta disso nos últimos anos. Com exceção do OnePlus Nord 5 e de um ou outro modelo, o (4a) Pro é um dos poucos a apostar neste material.
Nothing Phone (4a) Pro: os pontos fracos
1. Desempenho aquém do esperado
O “motor” deste Phone (4a) Pro é o processador Snapdragon 7 Gen 4. Trata-se de um chip de 4 nm da Qualcomm pensado especificamente para a gama média. No papel, é uma escolha sólida para o preço do equipamento. Aliando isto à interface limpa e otimizada da Nothing, esperava uma experiência de utilização imaculada, livre de engasgos ou bloqueios.
Infelizmente, a realidade foi um pouco diferente. Tal como aconteceu com o Phone (4a) base, que utiliza o ligeiramente inferior Snapdragon 7s Gen 4, deparei-me com algumas falhas de fluidez. Falo de pequenos engasgos e até de aplicações a encerrarem de forma inesperada. O F1 Clash, por exemplo, que nem sequer é um jogo muito exigente, costuma perder fluidez durante as corridas e chegou mesmo a fechar por completo a meio de uma prova. Lá estava eu confortavelmente em primeiro lugar com o Kimi Antonelli, e o jogo simplesmente foi abaixo…
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Conclusão
Como resumir o Nothing Phone (4a) Pro numa frase? É aquele telemóvel que pegas na mão e pensas: “Isto tem qualidade, é luxuoso e diferente, mas será que ainda é um Nothing?”. A Nothing habituou-nos a designs transparentes, repletos de luzes, que nunca passavam despercebidos. Com o Phone (4a) Pro, essa era parece ter chegado ao fim. Adeus traseira em vidro transparente, olá visual mais seguro e comercial. A ilha de câmaras é o único elemento que ainda dá nas vistas, parecendo a última relíquia da marca num smartphone que, de resto, é perfeitamente normal.
Apesar de tudo isto, a verdade é que o telemóvel transmite uma sensação de luxo, tem um ecrã fantástico, câmaras muito versáteis e um software irrepreensível. O problema? É que nada disto é exclusivo da versão Pro. O Phone (4a) “normal” partilha grande parte destes pontos fortes e custa cerca de 130 euros a menos. Dito isto, se procuras um bom gama média na casa dos 350 a 400 euros, a versão base é, sem dúvida, a compra mais inteligente.
Comprar o Nothing Phone (4a) Pro
O Nothing Phone (4a) Pro está disponível na versão de 8 GB de RAM com 128 GB de armazenamento por 499 euros. Se preferires a variante de 12 GB de RAM e 256 GB de espaço, o preço recomendado sobe para os 569 euros. Podes encontrá-lo nas cores prateado, preto e rosa.
Alternativas
Num artigo futuro, vou colocar o Phone (4a) e o (4a) Pro lado a lado para explorar a fundo as suas diferenças. Para já, e olhando estritamente para a relação qualidade-preço, a minha escolha recai sobre o (4a) normal. Queres um Nothing Phone com mais potência? Então aposta no Phone (3) do ano passado. Continua a ser o verdadeiro topo de gama da marca. Custa menos de 100 euros a mais do que este (4a) Pro, mas entrega um hardware muito superior, com um processador mais rápido e câmaras de melhor qualidade.





