Às vezes, o maior progresso está em reconhecer o que já tínhamos. É com estas palavras sábias que abro esta análise ao Nothing Phone (4a). Com o seu mais recente smartphone, a Nothing mostra que aprendeu com os erros e regressa àquilo que a torna única: as luzes! Podem ser totalmente supérfluas, mas são uma característica adorada, agora envolta numa bonita capa cor-de-rosa.
Continuar a ler após o anúncio.
Nothing Phone (4a)
Quando pensas na Nothing, é provável que te venham duas coisas à cabeça: iluminação LED e traseiras transparentes. São as duas características que tornam os smartphones da marca únicos. Ou devo dizer tornavam? Com o Nothing Phone (3) – lançado no verão de 2025 – a marca eliminou a iluminação e trocou-a pela Glyph Matrix. Uma “forma melhorada” e, de repente, puf: uma característica típica da Nothing tinha desaparecido. Porquê? Foi exatamente isso que os utilizadores pensaram quando uma das suas funcionalidades favoritas foi subitamente varrida do mapa. E fizeram questão de o demonstrar.
Mas não foram só eles que ficaram algo desiludidos após o anúncio do Phone (3); também nós, analistas, não ficámos propriamente entusiasmados. O telemóvel era simplesmente demasiado caro e parecia, por parte da Nothing, um grito de atenção exagerado. Felizmente para todos nós, o fabricante ouviu as críticas. Com o Phone (4a), o modelo mais recente, a marca não só faz um regresso às origens, como traz de volta a icónica iluminação, ainda que numa forma um pouco mais contida.
O Phone (4a) prova assim que um passo atrás é, por vezes, o melhor passo em frente. Podes ler mais sobre a iluminação e as restantes especificações já a seguir, nesta análise detalhada.
O que vem na caixa?
- O smartphone
- Capa transparente
- Protetor de ecrã (já aplicado)
- Cabo USB-C para USB-C
- Garantia e manual de instruções
Nothing Phone (4a): os pontos positivos
1. O interior é o que conta
Na introdução leste bastante sobre a iluminação dos dispositivos Nothing, mas o que é realmente crucial é o interior. Mais especificamente, o software. Porque, caramba, este é, no fundo, o ponto mais forte da marca. O Nothing OS, neste caso na versão 4.1, é, na minha opinião, de longe a interface Android mais agradável que existe. O segredo está na combinação de design, funcionalidade e tranquilidade visual.
Design
O Nothing OS tem uma linguagem de design muito própria, caracterizada essencialmente pelo preto, branco e pelos pontos (dots). Tudo isto é aplicado de forma consistente nas definições, widgets, aplicações próprias da marca e no pacote de ícones que podes utilizar. Não és fã deste estilo? A Nothing também oferece a opção de usar uma versão (ainda) mais limpa do Android. Uma liberdade de escolha que todos os fabricantes de smartphones deveriam oferecer.
Funcionalidade
Usar a iluminação traseira como lanterna, temporizador ou indicador de volume; uma integração especial do ChatGPT para pesquisas rápidas; widgets divertidos criados pela Comunidade Nothing; uma excelente aplicação de galeria e gravador; partilha de widgets com amigos; personalização de fundos de ecrã; aumentar o tamanho dos ícones no ecrã inicial e widgets (de câmara) incrivelmente práticos. Isto é apenas uma amostra das funções realmente úteis que encontras no Nothing OS.
São aplicações simples, mas pensadas de forma inteligente e bem executadas. Vejamos o exemplo do widget da câmara. No Nothing OS, podes colocar um widget no ecrã principal que abre diretamente uma função específica da câmara. Podes configurar qual a função, a distância focal, se queres algum filtro ativo, e por aí fora.


Tranquilidade
Para além de todas as funcionalidades mencionadas, o software mantém-se “calmo” e continua muito próximo de uma experiência Android pura. Não levas com dezenas de aplicações pré-instaladas (como na Xiaomi, OPPO ou OnePlus), centenas de funções de IA empurradas à força (Samsung), publicidade (Xiaomi), aplicações duplicadas (Samsung) ou tantas funcionalidades que já nem consegues ver a floresta no meio das árvores (desculpa, mas mais uma vez, Samsung).
2. Um ecrã que dá gosto usar
Podes ver e usar todas estas funcionalidades práticas num bonito painel AMOLED de 6,78 polegadas com resolução 1.5K e uma taxa de atualização variável de 120 Hz. O ecrã tem um brilho máximo de 1600 nits e pode atingir picos de 4500 nits com conteúdo HDR. É ótimo ver que o escurecimento PWM (PWM dimming) também está presente, atingindo no Phone (4a) os 2160 Hz. Isto é um descanso para os olhos e pode prevenir eventuais dores de cabeça quando usas o brilho no mínimo.
3. A bateria cumpre
Outro ponto que temos de conceder à Nothing é a eficiência dos seus telemóveis. O Phone (4a), com a sua bateria de 5080 mAh, aguenta facilmente uma média de um dia e meio. O carregamento atinge uma velocidade máxima de 50 Watts. Na minha opinião, é suficientemente rápido. Em cerca de uma hora, tens o aparelho completamente carregado. Ir dos 50 aos 100 por cento — o cenário mais provável no dia a dia — demora cerca de 30 a 35 minutos.
4. A Essential Key já não atrapalha(!)
No ano passado, a Nothing introduziu a “Essential Key” na série Phone (3). Um botão lateral que podias premir para guardar capturas de ecrã de forma “inteligente” no Essential Space. Pessoalmente, nunca o uso, não o acho prático e, pior, o botão estava sempre a estorvar porque ficava demasiado perto do botão de energia. Acabavas por carregar nele sem querer vezes sem conta, o que era verdadeiramente irritante. No Phone (4a), a Nothing mudou o botão para o lado oposto do telemóvel, reduzindo drasticamente os toques acidentais. Além disso, existe finalmente uma definição de software que impede a ativação imediata da Essential Key: podes configurar para que seja necessário um duplo toque para a ativar. Aleluia!
Botões de volume e energia
Pela primeira vez na Nothing — devido à mudança de posição da Essential Key — o botão de energia e os botões de volume ficam alinhados no mesmo lado (ou em lados opostos, mas paralelos). Isto torna a ergonomia um pouco menos intuitiva. Por mim, a Essential Key podia desaparecer por completo, a não ser que a Nothing a transforme num verdadeiro botão de ação ao estilo da OPPO ou da Apple.
5. Pronto a usar
Outra coisa que merece destaque é a embalagem que a Nothing criou. Não só tem um aspeto excelente, como se nota que a empresa dedica tempo e cuidado à experiência de “unboxing”. Além disso, vêm incluídos alguns extras muito bem-vindos: recebes uma capa transparente e uma película de proteção já aplicada no ecrã.
6. Seis anos de atualizações de segurança
A Nothing oferece uns generosos seis anos de atualizações de segurança para o Phone (4a). Isto significa que podes usar o smartphone com toda a segurança até 2032. É verdade que a Samsung e a Google fazem um pouco melhor neste aspeto e nesta faixa de preço (sete anos), mas seis anos é mais do que suficiente para a maioria dos utilizadores.
Apenas três atualizações de sistema
Infelizmente, o cenário muda quando falamos de atualizações de versão do Android. O Phone (4a) está limitado a três “upgrades”, o que é algo curto. Pessoalmente, não considero um problema grave, já que as novas versões do Android têm trazido poucas revoluções ultimamente, mas compreendo que, em 2026, possas achar que três atualizações é pouco.
Continuar a ler após o anúncio.
Nothing Phone (4a): o que pode melhorar
1. Cores no sítio errado
Pela primeira vez, a Nothing introduz uma nova cor para o corpo dos seus telemóveis: o rosa. Foi esta a versão que recebemos para teste. Mais à frente falo sobre o design, mas por agora digo apenas que a Nothing teria feito melhor em investir essa atenção às cores noutro lugar. Refiro-me, claro, à iluminação na parte de trás.
Como leste na introdução, as luzes estão de volta. Desta vez sob a forma de uma barra vertical (Glyph Bar) com seis LEDs quadrados visíveis. No Phone (1), Phone (2) e nas séries (2a) e (3a), tínhamos tiras completas à volta da câmara e de toda a traseira.
Eu quero cor!
Podes usar a iluminação no Phone (4a) como temporizador, indicador de volume, lanterna, padrões de luz para toques e notificações, e progresso Glyph. São funcionalidades giras, embora eu acabe por usar apenas a lanterna. Ainda assim, fico genuinamente contente pelo regresso das luzes. No entanto, passaria a usá-las muito mais se tivessem cor. Com LEDs RGB, poderias receber notificações coloridas e, tal como nos velhos tempos, saber imediatamente de que app ou contacto recebeste a mensagem só pela cor da luz. Espero que a Nothing ganhe coragem para dar esse passo um dia.


2. Um design mais convencional
O Phone (4a) tem o aspeto típico de um Nothing Phone: traseira transparente, formas únicas, parafusos e componentes visíveis através do vidro. No entanto, sente-se que o Phone (4a) é mais “seguro” e menos arrojado do que os modelos anteriores. A grande superfície branca em forma de bateria, por exemplo, parece-me menos audaz do que as linhas complexas que encontrávamos no Phone (2a) e na série (3a). O Phone (4a) é mais sóbrio, mais normal e, por isso, talvez mais atrativo para as massas. Só espero que a Nothing não leve esta tendência demasiado longe e comece a fazer telemóveis cada vez mais genéricos.


Phone (3a) do ano passado à esquerda; à direita o novo Phone (4a).
3. Não é o Nothing mais rápido que já usei
O Phone (4a) vem equipado com o chipset Qualcomm Snapdragon 7s Gen 4. É um chip de 4 nm bastante capaz para este preço. Em praticamente todos os cenários, consegue manter o (4a) fluido. A excelente otimização do Nothing OS desempenha, muito provavelmente, um papel crucial nisto.
Contudo, é a primeira vez num smartphone da Nothing que noto, ocasionalmente, pequenos soluços. O telemóvel reage por vezes de forma lenta ou congela momentaneamente. Parece-me um problema de otimização que poderá ser resolvido com uma atualização e, verdade seja dita, não aconteceu com frequência. Mas foi algo que me saltou à vista durante as duas semanas que passei com o aparelho.
4. Câmaras: uma mistura de sensações
Na parte traseira do Nothing Phone (4a) encontramos três câmaras:
- Câmara principal de 50 MP, f/1.88, sensor de 1/1.57” (Samsung GN9)
- Teleobjetiva periscópica de 50 MP, f/2.88, sensor de 1/2.75” (Samsung JN5)
- Grande angular de 8 MP, f/2.2, ângulo de visão de 120 graus (Sony IMX355)
Configuração
O conjunto de câmaras do (4a) é, considerando o preço, bastante respeitável. Encontrar uma câmara periscópica num smartphone por este valor é uma raridade. Infelizmente, a câmara principal não recebeu uma atualização de hardware; a Nothing continua a utilizar o mesmo sensor (Samsung GN9) que colocou no Phone (3a).
Zoom
Com a lente periscópica de 50 MP, podes ampliar imagens até 3,5x de forma ótica. Através do recorte do sensor (sensor-cropping), consegues fazer zoom “sem perdas” até 7x. O zoom digital vai até 70 vezes. Acho excelente que exista uma lente de zoom dedicada, porque isso resulta em fotografias muito superiores às dos telemóveis que dependem apenas do zoom digital. Além disso, na minha opinião, um zoom de 3 a 3,5 vezes (cerca de 80 mm) é a distância focal ideal para retratos e fotografia de rua.
Comparando com as teleobjetivas de smartphones topo de gama, notas que a lente do Phone (4a) tem as suas limitações. Com boa luz, o desempenho é bastante bom, mas em condições mais difíceis a qualidade degrada-se. No entanto, isto é algo que também acontece com a câmara principal.








Câmara principal
A câmara principal tem, por vezes, dificuldades em encontrar o equilíbrio. Não sei ao certo se a culpa é do hardware ou do processamento de imagem que, ocasionalmente, se esforça demasiado. Às vezes obténs fotografias vibrantes às quais o software adiciona, com demasiado entusiasmo, contraste e brilho extra. Para o meu gosto, é excessivo. Especialmente o levantamento artificial das sombras é algo que dispenso.
Por outro lado, de vez em quando saem fotografias muito planas e um tanto escuras. Nessas imagens falta ambiente, detalhe e contraste, especialmente nos tons médios.










Veredicto
A decisão de trazer de volta a iluminação no Phone (4a), a característica mais amada da Nothing, mostra que a marca aprendeu com as escolhas do passado. O Phone (4a) é um exemplo de como um fabricante pode evoluir não só olhando para a frente, mas também ouvindo o que os seus utilizadores realmente valorizam. Fá-lo com a iluminação, mas também ao reposicionar a Essential Key. A comunidade em torno da Nothing, pela qual a empresa diz ter tanto carinho, foi claramente ouvida.
No final de contas, o que temos aqui é a melhor interface que podes encontrar no mundo Android, uma boa autonomia, um ecrã de qualidade, um conjunto de câmaras versátil e um desempenho sólido. Tudo isto faz com que o Phone (4a) seja (novamente) uma das escolhas mais sensatas para quem procura um smartphone na faixa dos 400 euros.
Ainda assim, o Phone (4a) não é perfeito. A câmara e o desempenho podem ser otimizados e o design tornou-se um pouco mais conservador. Um caminho que, esperemos, a Nothing não continue a trilhar em excesso.
Preço e disponibilidade
Podes comprar o Nothing Phone (4a) nas cores rosa, azul, branco ou preto. O preço começa nos 369 euros para a variante de 8 GB e sobe para os 449 euros na versão de 12 GB. O telemóvel já está disponível para pré-encomenda e chega oficialmente às lojas a 13 de março.
Alternativas
Estás à procura de um bom smartphone entre os 400 e os 500 euros? Então vale a pena espreitar também o Motorola Edge 60 Pro, o Samsung Galaxy S25 FE ou, se quiseres poupar um pouco, o Google Pixel 9a (369 euros). Se puderes esticar o orçamento, tens ainda o Google Pixel 10 (550 euros).






