Análise ao Motorola Edge 70 Pro: há algo que simplesmente não convence

Jelle Passchier
Jelle Passchier
3 Julho 2026, 13:28
9 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
7.9

Avaliações

Talvez penses que já viste de tudo no mundo dos smartphones, mas este telemóvel traz algo diferente: uma traseira em madeira. É original, único e tem um visual bastante apelativo. No entanto, há aqui qualquer coisa que não bate certo. O modelo Pro é, na verdade, mais barato do que a versão normal. Isto, claro, até o modelo normal baixar de preço e ficar mais barato do que o valor recomendado do Pro, que por sua vez também deverá ficar mais barato do que o normal. Confuso? Nós também.

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Motorola Edge 70 Pro

A Motorola gosta de se destacar pelo design e aposta frequentemente em materiais surpreendentes. Enquanto a grande maioria da concorrência se limita ao habitual plástico ou vidro, a marca explora opções como pele vegan, lã, nylon e madeira. Para o Edge 70 Pro, a fabricante decidiu regressar a este último material, algo que já tínhamos visto no Edge 50 Ultra. Desta vez, porém, deparamo-nos com uma elegante versão mais escura de madeira com certificação FSC.

Para além deste design inconfundível, o telemóvel tem, naturalmente, muito mais para oferecer. Conta com uma certificação de resistência militar, uma generosa bateria de 6500 mAh, três câmaras de 50 megapixels, um ecrã AMOLED curvo de 144 Hz e um processador bastante rápido. Ainda assim, como referimos, há detalhes neste equipamento que nos deixam a pensar.

O que vem na caixa?

  • O próprio telemóvel
  • Capa transparente em plástico rígido
  • Cabo USB-C
  • Manuais e garantia

1. Design em madeira

Como leste na introdução, a parte traseira do Edge 70 Pro é fabricada em madeira com certificação FSC. Isto, claro, se optares por essa versão específica. Podes perfeitamente escolher uma variante com um acabamento que imita lã, acetato ou até seda. Esta aposta em materiais fora da caixa confere ao telemóvel uma identidade única e um caráter muito próprio, algo que valorizamos bastante.

A madeira tem um toque bastante agradável em mãos, embora, para sermos honestos, não transmita a mesma sensação premium de equipamentos construídos em alumínio ou com vidro com acabamento especial. No entanto, a verdade é que vários amigos e colegas repararam no telemóvel e o feedback foi unânime: acharam o Edge 70 Pro muito bonito e, acima de tudo, “diferente no bom sentido”.

2. Bateria generosa

Por baixo desta capa de madeira, a Motorola conseguiu integrar uma enorme bateria de 6500 mAh. É uma capacidade excelente, especialmente quando olhamos para grande parte da concorrência, que ainda não passou a barreira dos 5000 mAh.

O carregamento também não desilude, suportando velocidades de até 90 W. É o suficiente para carregar o telemóvel na totalidade em cerca de 30 minutos. O único senão é que precisas de um carregador compatível e, como já é hábito em 2026, ele não vem incluído na caixa. Terás de o comprar à parte. Se preferires não usar cabos, o carregamento sem fios também marca presença: a traseira em madeira está preparada para receber até 15 W de potência.

3. Um ecrã de encher as medidas

O Edge 70 Pro apresenta um ecrã “quad-curved”, o que significa que o vidro é ligeiramente curvo nas quatro margens. No dia a dia, pode ser um pouco menos prático do que um ecrã totalmente plano, mas temos de admitir que o impacto visual é fantástico.

Quanto à qualidade do ecrã em si, há muito pouco a apontar. Estamos perante um painel AMOLED com uma taxa de atualização variável de 144 Hz, embora, infelizmente, não conte com tecnologia LTPO. A resolução de 2772 x 1227 píxeis garante uma imagem super nítida, e o brilho de 1800 nits (com picos de 5200 nits) é mais do que suficiente para usares o telemóvel sob luz solar direta sem qualquer esforço.

Smartphone com ecrã personalizado em tons de castanho, exibindo ícones de aplicações e um relógio digital, pousado sobre uma superfície preta.

4. Software que te diz um belo “Hello”

Pessoalmente, adoro quando as marcas optam por uma versão limpa do Android, mas adicionam-lhe um toque próprio e subtil. Foi algo que senti faltar no Sony Xperia 1 VIII, mas que a Nothing, por exemplo, faz de forma brilhante.

A Motorola, com a sua interface Hello UI, aproxima-se bastante dessa filosofia. A base é o Android puro, mas a marca inclui uma série de funcionalidades e opções de personalização muito bem pensadas, como temas e efeitos para o ecrã inicial. Os icónicos gestos da Moto também estão presentes. Infelizmente, esta experiência vem acompanhada de algumas aplicações pré-instaladas e bloatware, algo de que falaremos mais à frente nos pontos negativos. No fundo, a rota de software escolhida pela Motorola agrada-nos. Na versão normal do Edge 70, a experiência ainda parecia um pouco datada, mas as atualizações recentes vieram resolver grande parte dessa sensação.

5. Desempenho muito fluido

No coração do 70 Pro encontramos o chip Dimensity 8500. Trata-se de um processador de gama média-alta da MediaTek, que também podes encontrar em equipamentos como o Xiaomi 17T e o POCO X8 Pro.

Este chip garante que o Edge 70 Pro se mova com grande agilidade. Praticamente todas as aplicações abrem num piscar de olhos e os jogos correm sem qualquer engasgo. Tudo isto é conseguido apesar de o telemóvel ter menos memória RAM do que o seu antecessor. Enquanto o Edge 60 Pro do ano passado vinha equipado com 12 GB de RAM, o Edge 70 Pro fica-se pelos 8 GB na versão base, muito provavelmente devido à escassez global de componentes que se tem feito sentir.

1. Desempenho inconsistente das câmaras

Na parte traseira do Edge 70 Pro encontramos três sensores de 50 megapixels. São eles:

  • Câmara principal de 50 MP, f/1.8, tamanho do sensor 1/1.56”
  • Câmara teleobjetiva periscópica de 50 MP, f/2.5, tamanho do sensor 1/2.76”, zoom de 3,5x (81 mm)
  • Câmara ultra grande-angular de 50 MP, f/2.0, tamanho do sensor 1/2.76”, ângulo de visão de 122 graus

Diferenças de cor notórias entre as lentes

Vamos deixar uma coisa bem clara desde o início: as câmaras do Edge 70 Pro não são, de todo, más. Com três lentes verdadeiramente úteis, o telemóvel oferece um módulo fotográfico versátil que te permite captar boas imagens com diferentes distâncias focais. Até aqui, tudo impecável.

No entanto, há dois aspetos que nos deixaram de pé atrás. O primeiro é o facto de existir uma diferença de cor bastante evidente quando alternas entre as diferentes lentes. É algo que podes comprovar facilmente nas imagens abaixo:

Câmara principal à esquerda, teleobjetiva à direita

O alcance dinâmico podia ser melhor

O nível de detalhe nas fotografias, ou melhor, a falta dele em certas situações, também se faz notar. Apesar das cores agradáveis e do bom contraste geral, este é um dos pontos mais fracos do conjunto fotográfico do 70 Pro. A isto junta-se uma certa dificuldade em lidar com o alcance dinâmico. Em situações de contraluz, que sabemos ser um desafio para qualquer smartphone, as fotos ficam rapidamente sem vida. O contraste acaba por se perder e as cores perdem a sua força natural.

2. Bloatware irritante

Mais atrás, elogiámos a experiência de software do Edge 70 Pro. Contudo, há um detalhe que nos tira completamente do sério: o excesso de bloatware. Para começar, o telemóvel vem carregado com dezenas de aplicações que ninguém pediu, como o FIFA Heroes, Bubble Shooter, Sudoku e Solitaire. É verdade que as podes desinstalar, mas, para sermos francos, preferíamos que a Motorola cobrasse um pouco mais pelo equipamento e nos poupasse a este trabalho.

O segundo ponto, e aqui a situação torna-se realmente frustrante, é que o menu de aplicações mostra-te constantemente sugestões de apps para descarregar. Não encontrámos forma de desativar isto, e a verdade é que não queremos ver anúncios no nosso menu. Sempre que abres a gaveta de aplicações, lá está a mesma sugestão no topo, a incomodar com uma enorme seta azul de download.

3. A questão das atualizações

A Motorola promete três grandes atualizações de Android e cinco anos de atualizações de segurança para o Edge 70 Pro. Comparando com o que a concorrência oferece atualmente, é um compromisso que sabe a pouco. Este tem sido um calcanhar de Aquiles da marca já há algum tempo, especialmente se tivermos em conta a velocidade com que essas atualizações chegam. O ritmo costuma ser inconstante e a Motorola raramente é a mais rápida a disponibilizar as novidades aos utilizadores.

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4. Uma estratégia de preços confusa

Deixa-nos falar-te rapidamente sobre o preço do Edge 70 Pro. O valor de lançamento fixou-se nos 549 euros, o que, curiosamente, é inferior ao preço inicial da versão normal (799 euros). Entretanto, o modelo normal sofreu uma queda abrupta e custa agora 399 euros, enquanto o Pro se encontra nos 499 euros. A nossa previsão é que, dentro de um ou dois meses, o preço do modelo Pro também desça consideravelmente, algo muito comum nos lançamentos da Motorola, acabando por ficar mais barato do que o Edge 70 normal.

O nosso conselho é que fiques atento à evolução do preço deste equipamento. Com o cenário atual, a nossa recomendação recai sem dúvida sobre o modelo Pro. Afinal, levas para casa um módulo de câmaras mais versátil, uma bateria superior e um processador muito mais rápido.

Conclusão

Talvez seja prudente esperar um pouco antes de avançares para a compra do Edge 70 Pro. Ainda assim, se o encontrares pelos atuais 499 euros, ficas com um smartphone bastante competente nas mãos. O telemóvel tem um design arrojado e diferente, é rápido, traz uma bateria enorme com carregamento veloz, um conjunto de câmaras versátil (incluindo uma teleobjetiva) e oferece uma experiência de software muito limpa e agradável.

Os grandes pontos fracos são, sem dúvida, o excesso de bloatware, uma política de atualizações que já não faz sentido em 2026 e a inconsistência das câmaras em determinados cenários. Se conseguires viver com estes compromissos, o Edge 70 Pro é uma escolha sólida e está longe de ser um equipamento mal construído.

O grande desafio para a Motorola é que o segmento entre os 450 e os 550 euros é extremamente competitivo. Muitos dos topos de gama do ano passado caíram agora para esta faixa de preço, o que torna a tarefa de recomendar o Edge 70 Pro de forma incondicional um pouco mais difícil.

Alternativas

Podes considerar opções como o Google Pixel 10 (479 euros), o Nothing Phone (3) (489 euros) ou o Samsung Galaxy S25 (559 euros).

Comprar o Edge 70 Pro

O Motorola Edge 70 Pro chegou ao mercado com um preço recomendado de 549 euros para a versão com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Se procuras mais espaço, a versão com 512 GB de armazenamento e 12 GB de RAM custa 799 euros. O telemóvel está disponível com acabamentos em madeira, lã, seda e acetato.