O papel é pré-histórico e uma autêntica “coisa do passado”, certo? Errado! Quem pensava que a era do papel tinha acabado está completamente enganado. A TCL lançou um smartphone com um ecrã que não só parece papel, como também o imita ao toque. Sem luz azul e sem cansar a vista, é apenas um ecrã que transmite calma e promete durar mais tempo. E não, não é um e-reader. O Nxtpaper 70 Pro faz tudo o que podes esperar de um smartphone moderno. Ou quase tudo…
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TCL Nxtpaper 70 Pro
O aspeto mais singular do TCL Nxtpaper 70 Pro é, sem dúvida, o ecrã. O painel recorre à chamada tecnologia Nxtpaper 4.0, que funciona como uma espécie de papel eletrónico. Isto significa que não há ecrãs OLED brilhantes, luz azul intensa, reflexos ou cintilações. É uma visualização amiga dos olhos, com baixo consumo energético e a possibilidade de alternar entre vários modos. São pontos positivos que tornam este ecrã único e muito agradável de usar.
No entanto, há também aspetos negativos a considerar, como a tecnologia LCD, o brilho reduzido e o baixo contraste. Mas vamos começar pelo lado positivo, afinal, é por isso que sou conhecido. Nesta análise, vou percorrer contigo todos os pontos fortes e fracos do Nxtpaper 70 Pro.
O que vem na caixa?
- O próprio dispositivo
- Capa (rígida)
- Cabo USB-C
- Manual e garantia
1. Ecrã de papel
Enquanto a maioria dos smartphones aposta em ecrãs OLED brilhantes com taxas de atualização elevadas, existe um nicho para dispositivos com ecrãs semelhantes ao e-ink que conseguem mostrar cor e imagens fluidas. A TCL é a fabricante que apostou neste segmento para se distinguir da concorrência. Com a tecnologia Nxtpaper, a marca foca-se em quem procura um smartphone com um ecrã menos cansativo para os olhos e muito mais eficiente no consumo de energia.
A verdade é que o ecrã do Nxtpaper 70 Pro não emite aquela luz azul que te mantém acordado à noite, nem tem reflexos que perturbam a leitura. Trata-se de um ecrã LCD mate que se assemelha de forma impressionante ao papel. A tecnologia Nxtpaper responde com rapidez a 120 Hz (ao contrário do e-ink tradicional) e aguenta vários dias com uma única carga. É ideal para quem sofre com o excesso de estímulos de um ecrã comum, mas não consegue dispensar o smartphone. A TCL trouxe uma perspetiva fresca à tecnologia e criou algo verdadeiramente único no mercado, algo que merece ser valorizado.
Vários modos
E o melhor é que não és obrigado a escolher apenas uma opção, já que existem três modos de ecrã entre os quais podes alternar. Por norma, o ecrã padrão está ativo, e logo aí beneficias da ausência de cintilação, reflexos e luz azul. Deslizando o dedo para cima, podes mudar para o modo de papel colorido, o modo de papel de tinta ou o modo de tinta máxima. A cada passo, as cores vão desaparecendo e a experiência aproxima-se cada vez mais do e-ink. O modo de tinta máxima vai ainda mais longe, fechando as aplicações para se focar exclusivamente na leitura. Neste modo, a bateria ganha várias horas de autonomia extra.





Da esquerda para a direita: modo de papel colorido, modo de papel de tinta e modo de tinta máxima
Mais imagens
Na IFA 2025 em Berlim, a TCL também apresentou um telemóvel com tecnologia Nxtpaper. No vídeo abaixo, explico um pouco mais sobre esse dispositivo e mostro como o Nxtpaper funciona na prática.
2. A bateria tem um bom desempenho
Independentemente dos modos de ecrã especiais, a bateria tem um desempenho bastante sólido por si só. É perfeitamente possível chegar a um dia e meio ou mesmo dois dias de autonomia. Se usares os modos de papel colorido, papel de tinta ou tinta máxima, a duração aumenta progressivamente. O modo de tinta máxima é o verdadeiro campeão, prometendo no papel uma autonomia de cerca de 28 dias. Não me foi possível testar durante um período tão longo, mas apercebi-me de que, neste modo, a bateria se esgota de forma extremamente lenta.
O carregamento de 33 watts é que, infelizmente, não é muito rápido. Demora cerca de uma hora e meia até carregar o dispositivo por completo.
3. Limpo e personalizável
O Nxtpaper 70 Pro corre Android 16 com a interface TCL UI por cima. Esta camada de software é bastante limpa e, em alguns elementos, aproxima-se da experiência do Android puro. O dispositivo inclui algumas aplicações pré-instaladas, sobre as quais falaremos mais adiante, e conta com funcionalidades muito práticas. Especialmente no que diz respeito ao ecrã, há uma quantidade enorme de opções de personalização através do menu Nxtvision e dos diferentes modos. O 70 Pro também pode ser operado com uma caneta especial, vendida em separado. Nas áreas da bateria, temas e preferências, há igualmente bastante margem para ajustares tudo ao teu gosto.
1. Câmaras dececionantes
As câmaras do Nxtpaper 70 Pro sofrem de dois problemas que vou detalhar já a seguir. Mas primeiro, vamos às especificações. Na parte traseira do 70 Pro encontras duas câmaras:
- Câmara principal de 50 MP, f/1.9, tamanho do sensor 1/1.56”
- Câmara grande angular de 8 MP, f/4.0, ângulo de visão de 120 graus
Não muito completo
O que talvez notes logo à partida é que o Nxtpaper 70 Pro tem apenas duas câmaras. Em 2026, isto é bastante limitado, mesmo para a gama de preços em que o aparelho se insere. Cada vez mais smartphones concorrentes trazem também uma teleobjetiva a bordo, que permite ampliar imagens de forma ótica, sem perda de qualidade. O Nxtpaper não tem essa opção, pelo que ficas limitado ao zoom digital. E, como seria de esperar, o resultado visual não é nada de especial.
Além disso, a segunda câmara do 70 Pro é uma grande angular de 8 MP bastante modesta. Permite capturar um campo de visão mais amplo, mas a qualidade das fotografias que saem desta lente deixa muito a desejar.




Onde é que a IA se mete?
Não sou o maior fã de inteligência artificial, especialmente quando é usada na edição de fotografias para tentar tornar as imagens ‘mais bonitas’. Basta olhar para o que a IA fez ao moinho na imagem abaixo. Acrescenta detalhes e aumenta a nitidez da imagem de uma forma incrivelmente artificial. A Google faz algo semelhante com a sua série Pixel 10, mas apenas quando queres fazer zoom a partir de 30x. O telemóvel da TCL tem IA integrada por defeito na edição fotográfica, que tenta aplicar este tipo de nitidez exagerada a todas as fotos. Não acho nada estético e chega a ser bastante perturbador.


Este efeito de nitidez agressiva está presente em todas as imagens. Basta olhar para a frente do comboio na fotografia abaixo. Ou repara bem no que aconteceu ao homem com barba na imagem mais à direita…










2. Uma “maçã” desatualizada e em plástico
O Nxtpaper 70 Pro parece um equipamento barato, e o design não ajuda a disfarçar. Tirando o ecrã, o telemóvel é feito inteiramente de plástico. As molduras são largas e o design da parte traseira lembra imenso o dos iPhone 16 e 17 normais. Em resumo: não compres este aparelho pela aparência, nem à espera de um design premium ou luxuoso.
3. Muito poucas atualizações
A política de atualizações do Nxtpaper 70 Pro não é totalmente clara. Se o aparelho seguir o padrão habitual da TCL, receberá apenas dois ou três anos de atualizações. O que, convenhamos, é muito pouco.
4. Demasiado bloatware
O software da TCL também não é fantástico. Por defeito, encontras cerca de quinze aplicações pré-instaladas, que incluem jogos, lojas chinesas e outras apps inúteis que provavelmente nunca vais querer usar. Felizmente, a maioria pode ser desinstalada, mas nem todas.
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5. Longe de ser rápido
O desempenho também não é sempre fluido. O processador MediaTek Dimensity 7300, que também podes encontrar em alternativas bem mais baratas, tem algumas dificuldades ocasionais. O telefone não chega a ser frustrante ao ponto de te irritar, mas as pequenas hesitações deixam claro que não estás perante um campeão de velocidade. Nesta gama de preços, existem smartphones claramente mais rápidos, como o Motorola Edge 70, o Edge 60 Pro, o OnePlus Nord 5, o Galaxy A57 e o POCO X8 Pro.
Conclusão
O TCL Nxtpaper 70 Pro é um telefone focado num nicho de mercado muito específico. Foi pensado para quem quer ler no ecrã durante longos períodos, sem sofrer com reflexos, cintilações ou luz azul. Com o seu ecrã de “papel digital”, o Nxtpaper 70 Pro cumpre exatamente essa promessa. Afinal, esta tecnologia reduz a fadiga ocular e consome menos energia. Se é exatamente isto que procuras, então este é o telemóvel certo para ti.
Mas se isso não é a tua prioridade e, por 300 a 350 euros, procuras antes um smartphone que se destaque em tudo o resto (mais rápido, com melhores câmaras e com suporte de software mais prolongado), então podes esquecer este 70 Pro. Em termos de câmaras, velocidade, qualidade de construção e software, há opções claramente superiores nesta gama de preços. Nesses aspetos, o Nxtpaper 70 Pro parece um autêntico passo atrás no tempo.
No fundo, este é o maior problema do Nxtpaper 70 Pro. Brilha num único aspeto e fica aquém em quase tudo o resto. A tecnologia Nxtpaper é excelente e gostava muito de a ver aplicada noutros smartphones. Sou genuinamente fã. A verdade é que os compromissos que tens de aceitar com o 70 Pro serão, para a maioria das pessoas, demasiado grandes. Por isso, não espero vê-lo muito nas mãos de quem passa na rua. Ainda assim, deixo uma palavra de apreço à TCL pela tecnologia que desenvolveu e pelo caráter único que dá aos seus equipamentos. É diferente de tudo o resto e, com as melhorias certas, tem um potencial real.
Comprar o TCL Nxtpaper 70 Pro
O Nxtpaper 70 Pro está disponível a partir de 299 euros na cor Stellar Blue.
Alternativas
Estás à procura de um bom smartphone entre os 300 e os 400 euros? Nesse caso, recomendamos modelos como o Samsung Galaxy A37 (279 euros), o Nothing Phone (4a) (339 euros), o OnePlus Nord 5 (369 euros) ou o Motorola Edge 60 Pro (389 euros).




