3 ressalvas sobre AirDrop no Android

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
4 Dezembro 2025, 11:30
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A notícia de que os smartphones Google Pixel passaram a suportar a função AirDrop do iPhone foi uma grande surpresa para toda a gente. No entanto, esta novidade levanta algumas questões.

AirDrop no Android

Recentemente, tornou-se possível partilhar ficheiros por “AirDrop” com um smartphone Google Pixel 10. Esta funcionalidade, que tem a “segurança como pilar”, permite-te enviar ficheiros para iPhones através do Quick Share.

A Google encara isto como um passo em direção a uma maior harmonia entre sistemas operativos, à semelhança do seu trabalho com o RCS. Talvez já tenhas usado o Quick Share para enviar todo o tipo de ficheiros. Tal como o AirDrop da Apple, esta função de partilha usa Bluetooth para encontrar dispositivos e Wi-Fi para uma transferência de ficheiros mais rápida. A intenção é que, no futuro, mais dispositivos Android recebam esta funcionalidade.

O que vai fazer a Apple?

A grande questão, após este anúncio súbito da Google, é como é que a Apple vai reagir e se irá sequer tolerar esta nova funcionalidade. A Google apanhou toda a gente de surpresa; não houve qualquer fuga de informação ou comunicado de imprensa a antecipar a novidade. Nem os especialistas em código mais dedicados previram esta jogada.

Quando a Google anunciou que iria implementar o suporte para AirDrop, gerou-se um certo alvoroço no mundo da tecnologia. Afinal, quais são as implicações de uma decisão como esta? A Apple e a Google colaboram em várias frentes; será que os acordos se vão manter?

A jogada da Google foi, sem dúvida, calculada e ousada. A empresa tinha de ter a certeza de que a fabricante do iPhone não poderia bloquear diretamente o AirDrop no Android sem ficar mal vista. É possível que exista um complexo plano de contingência para qualquer tipo de reação por parte da Apple. O dilema para Cupertino é, de facto, enorme: pode a empresa impedir isto sem parecer a vilã da história, tanto para utilizadores de Android como de iPhone, e sem arriscar um possível processo antimonopólio na UE? Ou será que o silêncio atual é a melhor resposta?

O silêncio da Apple

E o que significa esse silêncio? Este desenvolvimento recente deve ter sido um golpe duro para a Apple. Não é a primeira vez que vemos as muralhas do seu ecossistema fechado a ruir. Já aconteceu com a chegada das notificações de rastreadores desconhecidos, a imposição do padrão USB-C e a aceitação do RCS para mensagens.

Embora estas perdas não tenham prejudicado significativamente os lucros ou a imagem da marca nos grandes mercados, deve ser frustrante para os seus executivos e acionistas ver a Apple a perder constantemente estas batalhas. Podes tentar maquilhar uma derrota com marketing, mas não deixa de ser uma derrota.

O silêncio ensurdecedor da Apple é a maior prova de que Cupertino não fazia ideia disto. Se a Apple suspeitasse de algo, provavelmente estaria preparada com uma resposta adequada. A empresa poderia facilmente ter vestido a pele do “bom rapaz”, acolhendo a interoperabilidade com o Android, ou, pelo contrário, alegar que esta representava um risco de segurança.

O facto de não haver qualquer reação deixa o mundo tecnológico em suspense, a aguardar como a Apple irá justificar esta derrota. Até os utilizadores mais fiéis da Apple reconhecem o valor da partilha entre as duas plataformas.

Agora os Pixels, depois o resto?

Embora a compatibilidade com o AirDrop esteja, para já, limitada a um grupo restrito de utilizadores Android, a sua implementação através da extensão Quick Share (como um ficheiro APK da Play Store) indica que a funcionalidade não é exclusiva da série Pixel. O Quick Share é gerido através dos Google Play Services, que estão disponíveis em quase todos os telemóveis Android. Isto sugere que, a prazo, a opção poderá chegar a mais modelos Pixel e, eventualmente, a quase todos os dispositivos Android. De momento, não há mais informações, o que pode ser frustrante para alguns utilizadores.

Implicações futuras

Considerando que a União Europeia adotou a Lei dos Mercados Digitais, que obriga a Apple a usar Wi-Fi Aware 4.0 para partilha por proximidade, suspeita-se agora que a Google encontrou uma “porta das traseiras” inteligente. É possível que tenha recorrido a engenharia inversa (reverse-engineering) da tecnologia AirDrop da Apple, para que um Pixel comunique como se fosse um dispositivo Apple. Se a Google conseguiu realmente quebrar uma das barreiras do ecossistema fechado da Apple, isto pode abrir caminho à chegada do Controlo Universal, AirPlay ou Handoff a dispositivos Android, o que poderá abalar o mercado dos smartphones.