Opinião: tenho inveja do Apple iPhone Duo

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
17 Setembro 2026, 9:08
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Na Androidworld, adoramos tudo o que tenha a ver com o nosso sistema operativo preferido. Os dispositivos Android atrevem-se a inovar, chegam primeiro com novos formatos e software prático. Ainda assim, ontem observei com um certo dedo de inveja a apresentação do iPhone Duo, o novo cavalo de batalha da Apple. Não porque os fãs da Apple possam agora finalmente pagar demasiado por um telemóvel dobrável, mas por uma razão bem diferente.

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Melhorar o que já existe

Como sempre, a Apple limitou-se a pegar numa fórmula já existente, a melhorá-la e a complementá-la com tecnologia própria. Os telemóveis dobráveis já existem há anos, mas este é o momento em que a Apple decide entrar em cena. E não é mera coincidência que isto aconteça logo a seguir à apresentação e lançamento tanto do Galaxy Z Fold 8 como do Xiaomi 18 Fold. Ambos os aparelhos têm exatamente as mesmas dimensões e foram suficientemente espertos para chegar ao mercado mesmo antes da Apple.

Há ainda duas coisas que me chamam a atenção no Duo. Não é o facto de ser basicamente um Z Fold 8 com outro software e outro chip. É antes o facto de a Apple pensar muito melhor em tudo aquilo que interessa aos consumidores. Basta olhar para a animação criada para o fecho do Duo. É algo que a concorrência devia copiar o mais depressa possível, para não ficar para trás. Sim, o Android tem mesmo de aprender algo com a Apple. Também a naturalidade com que, durante a apresentação, a orientação do conteúdo acompanha o movimento é quase inveja pura. Aliás, esse foi um dos maiores pontos fracos que encontrei no Pixel 11 Pro Fold.

O ponto mais importante

Uma animação nova é sempre simpática, mas o que realmente me surpreendeu foi a falta de destaque dado à IA por parte da Apple. Enquanto a Google sublinha que o Gemini pode mesmo servir para tudo, e a Samsung prefere que os seus Galaxy se tornem o teu “parceiro de IA”, a Apple fala nisso de forma muito breve e concreta. Basta procurar rapidamente uma música e reproduzi-la, nada mais é necessário.

Com isto, a Apple consegue, sem qualquer esforço, transformar aquele que é um enorme ponto fraco da empresa (trocadilho intencional) em algo positivo. Sem nenhum agente de IA empurrado goela abaixo, nem um chip otimizado só para correr inteligência artificial no aparelho. Apenas uma funcionalidade que volta ao essencial daquilo que a tecnologia devia ser: uma ferramenta para o dia a dia.

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O desejo

A Samsung, em particular, tem muito a aprender com isto. Os novos modelos ficam sobretudo mais caros, sem melhorarem assim tanto. As novas funcionalidades que começam por ser exclusivas do S26, acabam por chegar, uns meses depois, também aos modelos mais antigos através de uma atualização. É simpático da parte deles fazerem isso, mas também aqui falta o verdadeiro valor acrescentado. Praticamente ninguém diz: “aquilo que consegui fazer com a IA da Samsung mudou mesmo a minha vida!”. Ficava bem à Samsung dar um passo atrás em toda esta corrida da IA e olhar verdadeiramente para a Apple, para perceber o que é que o consumidor quer mesmo da inteligência artificial.

Por isso, não, não tenho inveja de todos os fãs da Apple que vão gastar, no mínimo, 2300 euros no novo iPhone Duo, nem tenho inveja do vinco que, de qualquer forma, vai aparecer no ecrã, nem das dimensões exatamente iguais às da Samsung e da Xiaomi. Tenho é inveja da falta de IA empurrada goela abaixo. Sem sugestões desnecessárias num Now Brief, nem um Health Coach a querer decidir por mim que é boa ideia sair de casa. Apenas controlo próprio, com uma ou outra funcionalidade prática pelo meio. É por isso que tenho inveja do iPhone Duo.

E tu, de que é que tens inveja no mundo da tecnologia? Diz-nos nos comentários!

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