Se os rumores mais recentes estiverem certos, a Samsung vai voltar a apostar no assistente de voz Bixby. Possivelmente através de novos widgets, tornando o chatbot mais acessível. Tudo isto numa altura em que a empresa também dá um lugar de destaque ao Gemini da Google.
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Gemini vs. Bixby
Se tens um Samsung Galaxy, de certeza que já reparaste na presença cada vez maior do Google Gemini. O assistente inteligente da Google é agora a opção predefinida quando manténs o botão lateral pressionado. Seria de esperar, por isso, que o Bixby, o assistente da própria Samsung, fosse perdendo terreno. Mas nada parece estar mais longe da verdade, já que tudo indica que este bot de IA vai receber novas funções e capacidades em breve. Isto levanta algumas questões sobre o posicionamento do chatbot: afinal, para quem é que a Samsung está a fazer isto?
Neste momento, o Gemini funciona como o rosto para tarefas complexas e ligadas à internet, enquanto o Bixby age mais como o mecânico interno do teu smartphone. O Bixby tem um papel muito específico, focado na integração com aplicações da Samsung, definições do dispositivo e rotinas personalizadas. No entanto, a diferença entre os dois sistemas está a diminuir. Graças à integração do Perplexity, o Bixby também já consegue responder a perguntas gerais com bastante competência, o que aumenta a sobreposição de funções entre os dois.
A melhor ferramenta
Entretanto, o Gemini aproxima-se cada vez mais do controlo de sistema do Android e ganha acesso às definições do teu smartphone. É fácil imaginar que comece a ser confuso perceber qual dos chatbots deves usar em determinado momento. Ainda assim, o Bixby pode continuar a ter um papel muito útil em segundo plano. Afinal, os telemóveis modernos estão cheios de menus escondidos e, para esse controlo direto e local do dispositivo, o assistente da Samsung continua a ser, pura e simplesmente, a melhor ferramenta.
O facto de o Bixby dar jeito em momentos específicos não significa, infelizmente, que mereça um lugar cativo no teu ecrã inicial. Um bom mecânico faz o seu trabalho de forma discreta e desaparece assim que o problema fica resolvido; no fundo, não montas uma bancada de trabalho no meio da sala de estar. Mas é exatamente isso que acabas por fazer quando colocas o widget do Bixby no ecrã principal. Pode até facilitar-te a vida se já fores utilizador do bot, mas, caso contrário, esse widget vai parecer-te inútil.
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Uma lógica confusa
Para piorar, as coisas não ficam necessariamente mais organizadas, o que significa que ter mais um campo de pesquisa no ecrã pode ter o efeito oposto ao desejado. Passas a ter o menu rápido, uma barra de pesquisa e o Gemini acessível através do botão de energia. Ao sobrepor todas estas camadas de inteligência artificial, a experiência de utilização do telemóvel corre o risco de se tornar desnecessariamente complexa. Onde as equipas de desenvolvimento veem, provavelmente, uma divisão de tarefas clara, tu, enquanto utilizador, deparas-te de repente com a necessidade de navegar por uma lógica invisível e confusa.
Se analisares a situação do ponto de vista da Samsung, este foco renovado na sua própria plataforma faz todo o sentido. A fabricante quer, a todo o custo, evitar que os seus smartphones Galaxy premium se transformem em meros invólucros caros e sem personalidade para correr serviços da Google. O Android já dá à Google uma influência enorme sobre o hardware, com todos os riscos que isso implica. Além disso, a Samsung já deu um passo atrás ao substituir a sua aplicação de mensagens padrão pelo Google Mensagens, permitindo que o controlo sobre o ecossistema móvel aumente ainda mais.
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Hardware e software próprios
Se o Gemini se tornasse o único assistente de relevo, a Samsung perderia uma parte crucial da sua identidade Galaxy. Neste contexto, o Bixby funciona como uma apólice de seguro estratégica que mantém vivo o ADN de software da fabricante. Oferece também à Samsung uma forma fiável de ligar o SmartThings e outros serviços internos do ecossistema de forma totalmente integrada. É assim que a marca consegue manter o controlo sobre a interação entre o seu próprio hardware e software.
A verdade é que existe uma base técnica e estratégica clara para a sobrevivência do Bixby. A grande questão é perceber que forma deve assumir. O futuro de muitos assistentes de voz passa muito mais pelo que acontece debaixo do capô do que pela sua visibilidade no ecrã. Os utilizadores mais experientes vão continuar a confiar nas suas próprias rotinas e atalhos, mas o utilizador comum pode acabar confuso ao ter de lidar com dois chatbots em simultâneo. No fundo, não instalar esse novo widget pode muito bem ser a melhor opção para ti, mesmo que não seja, de todo, a melhor para a Samsung.
