A Sony trabalhou de perto com engenheiros de masterização para The Collexion: é assim que tu vais ouvir a diferença

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
20 Maio 2026, 15:13
6 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Quando se fala no desenvolvimento de auscultadores premium, o foco costuma estar em drivers maiores, num melhor cancelamento de ruído ou numa maior autonomia da bateria. No entanto, durante uma apresentação detalhada sobre os novos The Collexion da Sony, ficou claro que a marca decidiu seguir um caminho diferente. Desta vez, a grande aposta foi a colaboração com produtores e engenheiros de masterização. E, segundo a Sony, é algo que vais notar assim que os colocares nos ouvidos.

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‘The Collexion reúne o melhor de dez anos’

Enquanto muitas marcas de áudio preferem destacar especificações técnicas, a Sony preferiu focar-se na forma como a música é realmente criada, misturada e, por fim, ouvida. Numa conversa com Koji Takamura e Yuto Ishizu, Takamura referiu mesmo que trabalhar lado a lado com engenheiros de masterização foi um dos pilares de todo o processo de desenvolvimento dos The Collexion.

Segundo os envolvidos, este trabalho durou anos. Envolveu uma longa série de protótipos, inúmeras sessões de teste e debates intensos sobre como a música deve soar.

Sony 1000X The Collexion banda

Takamura explicou também como funcionou esta colaboração, admitindo que nem os próprios profissionais de masterização concordam sempre sobre o que é um bom som. A verdade é que não existe um som perfeito e universal, simplesmente porque cada pessoa ouve de forma diferente.

Durante os testes, ficou bem evidente o quão subjetivo o áudio pode ser. Alguns engenheiros queriam dar mais destaque às frequências baixas, enquanto outros preferiam um perfil mais neutro. As opiniões também divergiam frequentemente no que toca às frequências altas e à reprodução estéreo.

Segundo o criador, isto não se deve apenas a uma questão de gosto pessoal, mas sim ao ambiente de trabalho de cada produtor. Alguns profissionais trabalham com grandes monitores de estúdio em salas com tratamento acústico, enquanto outros preferem usar colunas de referência mais pequenas. Naturalmente, isto muda por completo a forma como captam os detalhes de uma mistura.

Sony 1000X The Collexion concha auricular

O desenvolvimento destes auscultadores transformou-se, assim, num ciclo contínuo. “Um protótipo é construído em Tóquio, levado aos engenheiros de masterização, ajustado com base no feedback e testado de novo”, explicaram. Este processo rigoroso repetiu-se várias vezes até chegarem à afinação final.

Uma lição inesperada sobre os graves

Os engenheiros acústicos partilharam um exemplo muito prático de um feedback que mudou o rumo do projeto. Os profissionais de estúdio notaram que, embora os graves soassem tecnicamente bem, a imagem estéreo das frequências baixas parecia “demasiado larga”.

Num primeiro momento, a equipa da Sony não percebeu bem a crítica, mas acabou por fazer sentido. Em sistemas de som profissionais, os bombos (kicks) e as linhas de baixo têm um lugar muito preciso na imagem estéreo. Nos primeiros protótipos dos The Collexion, esse posicionamento parecia demasiado disperso.

Sony 1000X The Collexion branco

Com isto em mente, a Sony voltou ao laboratório para reajustar as frequências baixas. O resultado final trouxe uma imagem estéreo onde os instrumentos soam muito mais focados e bem definidos. Segundo os engenheiros, esta foi uma das grandes lições de todo o processo. E, se tudo correr como planeado, vais notar essa precisão assim que começares a ouvir a tua música.

Som natural é mais difícil do que parece

Durante a criação destes auscultadores, Koji Takamura questionou-se constantemente sobre o que é, afinal, um som natural. Será uma questão de ter frequências neutras? Será tentar recriar a sensação de um concerto ao vivo? Ou passará apenas por respeitar a intenção original do artista?

O objetivo acabou por não ser a neutralidade absoluta, mas sim encontrar um ponto de equilíbrio perfeito entre detalhe, espacialidade e conforto para os ouvidos. Segundo o criador, os The Collexion têm um som menos “agressivo” ou “punchy” do que alguns modelos anteriores da série 1000X, apostando antes num palco sonoro mais amplo.

Para esta decisão, pesou também o facto de as nossas preferências musicais terem mudado na última década. A Sony notou que as pessoas ouvem hoje géneros onde os graves têm um papel muito mais forte, como é o caso da música eletrónica (EDM). Como é lógico, isto influencia a forma como os auscultadores modernos são calibrados. No fundo, os teus próprios hábitos de escuta acabam por ditar as regras no desenvolvimento de novos equipamentos.

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Novo driver foi pensado para melhorar o detalhe

Para conseguir esta proeza, a Sony teve de criar um driver totalmente novo para os The Collexion. Segundo a equipa técnica, este componente mistura uma suspensão mais suave com uma cúpula leve feita de compósito de carbono unidirecional.

Traduzindo para o dia a dia, isto significa que vais conseguir separar os vários sons com muito mais facilidade. Imagina as vozes, a bateria e as guitarras a soarem de forma distinta, sem se atropelarem. É aqui que o ciclo se fecha, já que esta melhoria responde diretamente aos pedidos dos engenheiros de masterização, que exigiam mais clareza e um melhor posicionamento estéreo em músicas mais complexas.

Sony 1000X The Collexion banda preta

Pouco destaque para o cancelamento de ruído

Um detalhe muito curioso desta apresentação foi o facto de a Sony ter falado muito pouco sobre o cancelamento ativo de ruído (ANC), que é precisamente um dos grandes trunfos da série 1000X. A marca admitiu mesmo que, nos The Collexion, a prioridade foi dada ao conforto, à qualidade de áudio e à imagem sonora, deixando o desempenho do ANC num plano secundário. Até a autonomia da bateria acabou por ficar ligeiramente abaixo de alguns modelos anteriores.

Isto faz dos The Collexion uma proposta bastante invulgar no catálogo da Sony. Se os modelos anteriores eram vistos como os companheiros de viagem perfeitos para bloquear o ruído do avião, estes novos auscultadores piscam claramente o olho aos verdadeiros audiófilos que não abdicam dos pequenos detalhes.

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O que os criadores ouvem

Como todos temos os nossos próprios gostos, os criadores dos The Collexion aproveitaram para deixar algumas recomendações musicais. “Gosto muito de ouvir Daft Punk nestes auscultadores, e a Lizzo também soa incrivelmente bem”, revelaram. A equipa sugere ainda que experimentes faixas instrumentais com uma forte presença de guitarras. “É a melhor forma de perceberes como cada instrumento consegue brilhar de forma independente.”

Da nossa parte, se gostas de boas guitarras, recomendamos vivamente que oiças alguns temas de Steven Wilson. Se preferes música eletrónica, as faixas de Sohn casam na perfeição com os The Collexion. Fica atento, porque em breve partilharemos todos os pormenores na nossa análise completa a estes novos auscultadores.