Asus abandona o mercado dos smartphones e isso pode sair-nos caro

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
13 Março 2026, 10:59
5 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Provavelmente não te passou ao lado: a Asus vai abandonar, pelo menos por agora, o mercado dos smartphones. Na prática, isto dita o fim tanto da linha ROG Phone, focada no gaming, como da compacta série Zenfone. Talvez não percas o sono com esta notícia, mas a verdade é que, a longo prazo, esta saída pode sair-nos bem cara.

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A saída da Asus

Mas afinal, porque é que a saída da Asus é uma perda assim tão grande? É verdade que a marca nunca atingiu os volumes de vendas de uma gigante como a Samsung. Contudo, do ponto de vista técnico, os seus telemóveis eram frequentemente superiores. O ROG Phone, por exemplo, foi durante anos o rei indiscutível dos smartphones para gaming. Pensa em detalhes como os gatilhos táteis, os altifalantes de excelência e as baterias enormes que duravam dias a fio. A Asus estava sempre um passo à frente, a estrear tecnologias que os concorrentes só viriam a adotar muito mais tarde. No fundo, era a marca de eleição para quem procurava algo verdadeiramente especial e exigia um pouco mais do seu telemóvel.

A série Zenfone também deixou a sua própria marca no mundo mobile. Numa altura em que quase todos os fabricantes começaram a apostar em ecrãs gigantescos, a Asus manteve-se como uma das poucas a oferecer um topo de gama verdadeiramente compacto. Além disso, não tinha medo de arriscar em designs arrojados, como a famosa câmara flip, onde o módulo traseiro rodava para a frente para tirar selfies. Eram precisamente estas inovações mecânicas que tornavam o mercado tão interessante. Agora que a Asus arruma as botas, essa criatividade desaparece, o que significa que, no futuro, terás menos alternativas únicas e irreverentes por onde escolher.

Uma fatura pesada

Com esta redução de opções, corremos o risco de ser apanhados numa espiral bem conhecida: menos escolha resulta em menos inovação e em preços mais altos. Quando um fabricante com o peso da Asus sai de cena, as marcas que ficam sentem muito menos pressão para apresentar algo verdadeiramente novo. Afinal, é a concorrência que obriga as empresas a manterem-se ágeis e criativas. Sem esta rivalidade saudável, os grandes gigantes do mercado podem facilmente inflacionar os preços sem terem de oferecer melhorias revolucionárias em troca. O resultado direto para ti? Um mercado cada vez mais monótono, onde os telemóveis são todos praticamente iguais. No fim de contas, é uma fatura pesada que todos vamos pagar.

Esta despedida chega também num momento bastante peculiar em 2026. Os custos de componentes essenciais, como memórias e ecrãs, estão a disparar, o que faz com que a era da eletrónica barata pareça ter chegado ao fim. E isto acontece precisamente quando já nos tínhamos habituado à ideia de que a tecnologia se estava a tornar cada vez mais acessível. Com menos fabricantes a lutar pela tua preferência, as marcas que restam têm muito menos motivos para absorver estes aumentos de custos. Na prática, isto significa que vais simplesmente pagar mais pelo teu próximo smartphone, recebendo em troca menos funcionalidades únicas que justifiquem esse valor.

O foco na IA

Para onde se vira, então, a atenção da Asus? A empresa vai agora focar-se muito mais na Inteligência Artificial (IA). O seu orçamento de investigação e desenvolvimento está a ser redirecionado para computadores de consumo, robôs com IA, óculos inteligentes e servidores empresariais. O mercado de servidores, em particular, está a crescer a um ritmo alucinante e já representa um quinto de toda a faturação da marca. Embora esta seja, do ponto de vista dos negócios, uma jogada muito inteligente, acaba por deixar o consumidor comum a ver navios. À semelhança do que vemos noutras gigantes tecnológicas, as prioridades estão a mudar para um futuro dominado por dados e tecnologia comercial.

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O que deves escolher agora se estiveres à procura de um telemóvel novo? Se o teu objetivo é pura potência, podes sempre olhar para opções como o Samsung Galaxy S26 Ultra ou o OnePlus 15 (ou os seus sucessores). O problema é que estes modelos não oferecem aqueles extras tão específicos para os gamers. Se fazes questão de ter funcionalidades dedicadas ao gaming, na verdade, sobram apenas a Redmagic e a Nubia, ambas pertencentes à ZTE. Já no campo dos smartphones mais excêntricos e únicos, os verdadeiros alternativos desapareceram. Até mesmo marcas como a Oppo, que no passado nos brindou com conceitos muito interessantes, pararam de experimentar e inovar. Sente-se, cada vez mais, uma enorme falta de paixão e de irreverência no mercado.

Um sabor amargo

Apesar deste cenário, há empresas relativamente novas a tentar a sua sorte. A Ayaneo, conhecida por criar consolas portáteis com Android e Windows, vai lançar em breve o seu primeiro smartphone para gaming. Este modelo inclui um comando integrado, numa lógica muito semelhante ao saudoso Sony Xperia Play, o que pode revelar-se bastante interessante. É certo que a marca tem estado debaixo de fogo devido a vários fiascos relacionados com o apoio ao cliente, lançamentos de produtos e falhas de comunicação. Ainda assim, isso não invalida que o seu Pocket Play possa vir a ser um substituto à altura do Asus ROG Phone a longo prazo.

Seja como for, esta é uma pílula difícil de engolir para os fãs de tecnologia que gostam de fugir ao habitual, embora, para sermos totalmente honestos, a própria Asus também se tenha tornado um pouco mais aborrecida com o passar do tempo. Com esta saída, a indústria dos smartphones perde um verdadeiro pioneiro que dava cor e diversidade ao mercado. Agora, resta-nos esperar que marcas novas ou de menor dimensão consigam preencher o enorme vazio deixado pela Asus. Até lá, o melhor que tens a fazer é olhar com um espírito mais crítico para a oferta atual. O panorama dos telemóveis mudou de forma definitiva em 2026 e, por enquanto, ainda não conseguimos prever com exatidão qual será o verdadeiro custo de tudo isto para nós, consumidores.