Atenção: estas funcionalidades de AI estão a arrasar a bateria do teu telemóvel (e isto é o que podes fazer)

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
29 Junho 2026, 11:48
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A verdade é que, mesmo que pouca gente tenha pedido, os fabricantes continuam a apostar em força nas funcionalidades de Inteligência Artificial para os smartphones. E não se ficam por aqui: estão a integrar estes sistemas cada vez mais profundamente no software. O problema é que isto tem um custo e a autonomia da tua bateria é quem paga a fatura.

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Novo chip de IA

Parte da explicação está num chip que já vive dentro do teu telemóvel: a unidade de processamento neural (NPU). É esta peça que executa, de forma autónoma, os cálculos mais pesados, nomeadamente a matemática complexa por trás da aprendizagem automática (Machine Learning).

Graças a isto, funções como o reconhecimento de voz, o processamento avançado de imagem e as traduções em tempo real correm localmente, em segundo plano. É impressionante e até benéfico para a tua privacidade, já que não há contacto com servidores externos. No entanto, toda esta capacidade de processamento constante consome, de forma quase impercetível, uma boa fatia da bateria.

E há mais um detalhe a ter em conta. A carga elevada sobre a memória RAM faz também disparar o consumo de energia. Os modelos de linguagem locais mantêm continuamente uma grande parte dos seus dados na RAM, para que o software não precise de ir buscar informação ao armazenamento, que é consideravelmente mais lento.

Como o sistema operativo reserva uma fatia tão grande da memória para este fim, sobra menos espaço para as restantes aplicações. Isto aumenta a pressão sobre o sistema e obriga o Android a fechar frequentemente outras apps que estejam abertas em segundo plano.

Poder de processamento e a cloud

O que acontece quando voltas a abrir essas apps fechadas? Elas vão exigir muito mais processamento do que se o Android as tivesse mantido ativas. Além disso, quando o processador local não consegue dar conta do recado numa determinada tarefa, o telemóvel muda silenciosamente para a cloud.

Essa transferência de dados provoca um pico de consumo energético considerável. Os telefones Pixel, por exemplo, são particularmente vulneráveis a este gasto extra, sobretudo devido à integração profunda do exigente serviço de sistema AICore no Android atual.

A boa notícia é que podes limitar este consumo se desativares determinadas funcionalidades. O “Now Playing”, por exemplo, está constantemente a ouvir a música que toca à tua volta. Isso custa energia, por isso, experimenta desativá-lo nas definições de som.

O mesmo vale para a tradução em tempo real. É uma função fantástica, sem dúvida, mas mantê-la sempre ativa é um autêntico sorvedouro de bateria. Ao desligares este tipo de opções, reduzes a carga sobre a NPU e, por arrasto, sobre todo o sistema.

Homem jovem de óculos aponta para o ecrã de um telemóvel que mostra a interface Gemini, rodeado por elementos gráficos de estrelas coloridas.

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Efeitos visuais

Hoje em dia, a IA está em todo o lado. Além do áudio, também é usada para elementos visuais, como fundos gerados automaticamente e efeitos cinematográficos. Estas funcionalidades são pesadas e exigem muito processamento para criar profundidade e distorcer imagens enquanto mexes no smartphone.

Para que isto aconteça, tanto o processador gráfico (GPU) como a NPU ficam constantemente ativos. A dica aqui é simples: se combinares um fundo estático com o tema escuro do sistema, vais poupar bastante. Podes perder aquele efeito visual mais engraçado, mas o teu telemóvel vai aguentar muito mais tempo ligado.

A introdução de texto e os teclados inteligentes também são grandes consumidores de energia em segundo plano. Funcionalidades como as respostas inteligentes nas apps de mensagens dependem fortemente de modelos de IA generativa. O teu smartphone analisa o texto visível no ecrã para compreender o contexto da conversa e prever a resposta ideal.

Se poupar um segundo a escrever não compensa o sacrifício da bateria, desativar estas sugestões de palavras nas definições é uma decisão inteligente e bastante sensata.

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O grande devorador de energia

Mas o verdadeiro “peso-pesado” nisto tudo é a aplicação Pixel Screenshots. Este software funciona como uma base de dados inteligente e aplica análises locais. Assim que guardas uma imagem, ele desencadeia imediatamente um processo intensivo em segundo plano.

Os modelos de deteção analisam a imagem à procura de objetos e texto, e esse reconhecimento ótico de caracteres exige imenso do hardware. Embora a app não esteja oficialmente disponível em Portugal, podes acabar por te deparar com ela se atualizares o dispositivo no estrangeiro. O conselho é claro: desativa-a assim que vires o ícone aparecer.

No fundo, todas estas funcionalidades mostram-nos uma indústria obcecada em antecipar o nosso próximo passo. Essa corrida à inovação tem um preço elevado, que se reflete numa bateria que descarrega a um ritmo mais acelerado.

Claro que nem tudo na IA é negativo. A gestão adaptativa da bateria, por exemplo, é uma excelente adição, desde que o telemóvel aprenda bem os teus hábitos. Contudo, muitas destas opções acabam por ser apenas extras engraçados. Se viveres bem sem elas, vais notar que precisas de ir ao carregador muito menos vezes, prolongando a vida útil do teu companheiro de bolso.