Câmaras de smartphone explicadas: porque é que uma pizza grande sabe melhor do que 50 mini-pedaços

Jelle Passchier
Jelle Passchier
23 Abril 2026, 10:54
6 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Os megapixels andam novamente nas bocas do mundo, mas a verdade é que estão longe de ser o fator mais importante da tua câmara. Uma câmara de 12 megapixels pode, por exemplo, tirar fotos muito melhores do que uma variante de 200 megapixels. Neste artigo, vou explicar-te exatamente como isto funciona com a ajuda de uma pizza.

Continuar a ler após o anúncio.

200 megapixels são melhores do que 50 megapixels(?)

Aqui na Androidworld, escrevemos frequentemente sobre câmaras. Afinal, é um dos componentes mais importantes do nosso smartphone e toda a gente quer “um telemóvel que tire boas fotos”. As fabricantes sabem perfeitamente disto e inundam-nos com páginas cheias de detalhes técnicos. Desde “200 MP high resolution sharp shooter” a “Alta resolução até Ultra 200 MP”, a ênfase recai quase sempre nos megapixels. E porquê? Porque parece ser algo tátil e fácil de compreender. Como 200 MP é um número maior do que 50 MP, a câmara de 200 MP tem de ser melhor, certo?

Nada mais errado, pois os megapixels dizem muito pouco sobre a qualidade final da tua câmara. O que realmente importa é o tamanho do sensor de imagem utilizado. É verdade que a conversa pode rapidamente tornar-se técnica, mas prometo explicar tudo de forma bastante acessível, usando uma simples pizza.

O tamanho do sensor explicado com uma pizza

Como referi, na fotografia com smartphone o que realmente faz a diferença nos dias de hoje já não é o número de megapixels, mas sim o tamanho do sensor e dos próprios píxeis. Uma câmara com um sensor grande de 12 megapixels tira, muitas vezes, fotos muito melhores do que uma câmara com um sensor pequeno de 50 megapixels.

Para perceberes melhor, imagina os sensores de câmara como se fossem pizzas. Uma tem 25 centímetros de diâmetro (sensor pequeno) e a outra tem 40 centímetros (sensor grande). A pizza pequena é cortada em 50 fatias (50 MP) e a grande em apenas doze (12 MP). Logicamente, as doze fatias são muito maiores. Se aplicares esta lógica a um sensor, estas fatias maiores (os píxeis) conseguem captar muito mais luz do que as pequenas. E quanto mais luz incide no teu sensor, mais detalhes ele consegue registar.

O resultado? Fotos muito mais ricas em detalhe, com um equilíbrio consistentemente melhor entre a luz e a sombra, além de apresentarem menos ruído (especialmente em situações de pouca luminosidade). Por outro lado, um sensor pequeno com 50 megapixels tem muitos píxeis, mas eles são minúsculos. Estes píxeis pequenos captam menos luz e, consequentemente, menos detalhe. No papel, 12 MP pode parecer inferior a 50 MP, mas, como acabaste de ver neste exemplo da pizza, isso está longe de ser uma verdade absoluta.

E se juntarmos as fatias pequenas?

Uma solução comum para este problema é o “pixel binning”. Trata-se de uma técnica onde vários píxeis pequenos (as tais fatias de pizza) são combinados num só. Se olhares, por exemplo, para um Samsung Galaxy S26 Ultra com a sua câmara principal de 200 MP, vais reparar que são agrupados quatro ou dezasseis píxeis. O sensor utiliza a tecnologia de pixel binning 4×4 ou 2×2. Com isto, o telemóvel tira fotos com uma resolução padrão de 12,5 megapixels. Esta técnica resolve o problema dos píxeis demasiado pequenos, combinando a sua grande quantidade em píxeis maiores. No fundo, é como juntares as fatias pequenas da pizza para obteres fatias mais generosas.

A grande vantagem disto é que consegues extrair muito detalhe dos 50 ou 200 milhões de píxeis, sem que estes se tornem demasiado pequenos. Contudo, isto não faz com que sensores mais pequenos captem magicamente mais luz do que os sensores maiores. Apesar de juntares os píxeis, a verdade é que eles continuam a ser mais pequenos (como podes ver perfeitamente ilustrado abaixo). Por isso, o resultado final fica frequentemente aquém daquilo que um píxel grande consegue captar de forma natural.

Quando é que um sensor é grande?

Se queres mesmo analisar a qualidade de uma câmara, não te deixes cegar pelos megapixels e olha antes para o tamanho do sensor. Podes encontrar facilmente esta informação ao explorares as especificações do telemóvel. Num Samsung Galaxy A17, por exemplo, vais ver algo como: câmara principal de 50 megapixels, f/1.8, tamanho do sensor 1/2.76″. Este último detalhe é o mais importante e diz-nos muito sobre a capacidade fotográfica do aparelho. A regra é simples: quanto menor for o número a seguir à barra (1/), maior é o sensor. De um modo geral, podemos dizer que um sensor a partir de 1/1.56″ já é considerado relativamente grande. Os telemóveis de topo costumam situar-se à volta de 1/1.30″ ou valores ainda menores.

O OPPO Find X9 Pro (que considero ser o melhor smartphone para fotografia de 2025) tem uma câmara principal de 50 MP com um sensor de 1/1.28″. Este mesmo dispositivo possui também uma teleobjetiva de 200 MP capaz de um zoom ótico de 3x, mas com um formato de 1/1.56″. Como podes constatar, esta última lente tem uma resolução mais alta, mas um sensor mais pequeno do que a câmara principal de 50 MP. A câmara principal vai, por isso, produzir fotos ainda melhores, embora a teleobjetiva esteja longe de ser má. Quando testei o equipamento, cheguei à seguinte conclusão:

A OPPO utiliza para este efeito uma lente periscópio com uma resolução de 200 megapixels e um sensor grande com um formato de 1/1.56″. Para efeitos de comparação: o Pixel 10 Pro XL tem uma lente periscópio de 50 MP com um formato de 1/2.55″, sendo consideravelmente mais pequena. Já a lente periscópio de 50 MP do S25 Ultra tem um formato de 1/2.52″, o que também a torna bastante mais pequena do que a da OPPO.

O resultado? As fotos tiradas com a lente periscópio da OPPO são incrivelmente nítidas, ricas em detalhe e contêm muito pouco ruído. Isto é válido tanto para fotografias captadas com boa luz como em ambientes mais escuros.

Lê análises e olha para as fotos

Para além de verificares o tamanho do sensor, vale sempre a pena leres análises detalhadas e observares as fotos reais que o smartphone consegue captar. O que é que quem testou o telemóvel achou dos resultados? E qual é a tua própria opinião ao veres as imagens? Presta atenção ao que é dito especificamente sobre as câmaras. Afinal, para além do tamanho do sensor, fatores como o processamento de imagem e a abertura do diafragma também desempenham um papel fundamental no resultado final.

Espero que, com este artigo, tenhas aprendido um pouco mais sobre os sensores de câmara dos nossos smartphones de uma forma acessível e descontraída. Dito isto, acho que está na hora de ir comer uma bela pizza margherita.

<h1>Sony Xperia 1 VII: câmara em foco</h1>