Como a IA no Google Pixel 10 Pro XL tem dominado a minha câmara há seis meses

Jelle Passchier
Jelle Passchier
20 Fevereiro 2026, 9:22
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Levo quase seis meses a fotografar com o Google Pixel 10 Pro XL. Bem, eu… Na verdade, foi a inteligência artificial que fez o trabalho pesado. Neste artigo, mostro-te brevemente a minha coleção de fotografias de aves, onde a IA não se limitou a “ajudar”, mas assumiu muitas vezes as rédeas da situação. Qual foi o resultado prático disto? E como funciona, na realidade, esta colaboração entre o humano e a inteligência artificial?

Podcast sobre fotografia móvel

Há cerca de três anos, gravámos uma série especial sobre fotografia com smartphone, juntamente com a Linda Smit (@vlinderin). Num dos episódios, falámos sobre a IA e como esta iria mudar a fotografia para sempre. Agora, em 2026, podemos dizer que tínhamos razão. Vamos ser honestos: sabe bem quando podemos dar uma palmadinha nas nossas próprias costas. Podes ouvir um excerto dessa conversa aqui em baixo:

As fotos estão cada vez mais artificiais

Já partilhei aqui a minha opinião sobre a IA generativa na edição de imagem do Pixel 10 Pro e 10 Pro XL. Os smartphones topo de gama da Google utilizam inteligência artificial para “melhorar” fotografias com zoom, adicionando elementos gerados por computador. A minha conclusão na altura foi clara:

A meu ver, a IA nestas fotografias vai longe demais ao produzir uma nova realidade. Algo que, por definição, uma fotografia não deve ser — afinal, trata-se de um registo (pessoal) de um momento que, mesmo após edições, deve permanecer reconhecível e fiel à sua essência. Em suma: para mim, há uma grande diferença entre editar e substituir. Este último é exatamente o que o Pro Res Zoom no Pixel 10 Pro (XL) faz, e é isso que nos afasta cada vez mais da verdadeira fotografia.

Fotografia com IA: meio ano depois

Como disse, já passou meio ano e a minha opinião mantém-se. No entanto, achei que seria interessante mostrar-te um pouco mais do que andei a fotografar entretanto. Desta forma, ficas com uma ideia mais concreta de como ficam as imagens na série Pixel 10 Pro quando ativas o Pro Res Zoom.

Em baixo, mostro-te primeiro um exemplo com corvos-marinhos. As duas primeiras imagens são fotos “normais” para te dar uma indicação da distância real entre mim e as aves. Logo a seguir, vês a comparação: primeiro a imagem sem o processamento de IA e, depois, com ele ativado.

Um verdadeiro guarda-rios?

O que notas é que, em certas circunstâncias, o Pro Res Zoom ainda aplica melhorias aceitáveis, pequenos retoques. Podes ver isso no pisco-de-peito-ruivo. Embora, na minha opinião, tenha claramente recebido um “tempero” de IA, ainda considero os ajustes credíveis. Noutros casos, porém, a IA simplesmente inventa. O guarda-rios que vês nas imagens é, na verdade, um peluche. No entanto, a IA — como podes ver na segunda foto — assume que se trata de uma ave real e começa a desenhar detalhes nas penas. A inteligência artificial reconhece a forma de um pássaro e preenche as lacunas com base no seu conhecimento sobre guarda-rios.

Além disso, acho que muitas fotos ficam com um aspeto simplesmente assustador por culpa da IA. Repara, por exemplo, nos olhos do pato-real e dos corvos-marinhos. Arrepiante.

Parece que gostas de patos?

Além de fotografar animais — no meu caso, aves —, podes naturalmente usar o zoom em edifícios. Nesses cenários, as edições da IA tendem a parecer menos artificiais e conseguem, por vezes, destacar detalhes de forma interessante.

Pessoalmente, continuo a preferir fotografar em RAW e tratar eu próprio das imagens. Assim, garanto que a fotografia é uma captura (pessoal) do momento que, mesmo depois de editada, permanece fiel à realidade. Isto é radicalmente diferente do que a IA no Pixel 10 Pro (XL) faz, pois ela adiciona à foto elementos da sua base de dados que não existem, nem nunca existiram, naquele momento.

Pixel 10 Pro XL