Não, as baterias amovíveis nos smartphones não estão necessariamente de volta

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
18 Julho 2026, 10:55
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

A União Europeia tem uma enorme influência na forma como as empresas tecnológicas operam dentro do seu espaço. Agora, as atenções viram-se para o grande impacto das baterias no lixo eletrónico. Mas, afinal, o que é que isto vai significar na prática?

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Os primeiros tempos dos smartphones

Em 2023, a União Europeia anunciou novas regras para os fabricantes de telemóveis. A partir de 2027, os novos smartphones e tablets terão de vir equipados com uma bateria fácil de substituir. A ideia de uma bateria amovível tem, naturalmente, um certo apelo nostálgico. Faz-nos lembrar daquela altura em que não dependias tanto de um cabo de carregamento. Lembras-te de levares uma segunda bateria para a escola ou para o trabalho? Ou de simplesmente encaixares uma bateria gigante no teu telemóvel?

Uma bateria removível traz-nos logo à memória os primeiros anos dos smartphones. Bastava desencaixar a tampa traseira, que na altura costumava ser de plástico, retirar a bateria e colocar uma nova. A traseira do telemóvel ainda não era uma peça decorativa de vidro e muito menos suportava coisas como o carregamento sem fios. Além disso, havia uma razão muito prática: muitas vezes, tinhas mesmo de tirar a bateria para conseguires colocar ou trocar o cartão SIM. A verdade é que muita gente adoraria voltar a essa época, em que podias decidir à vontade o que fazer com a bateria do telemóvel.

As exceções

No entanto, é muito provável que esta nova legislação não traga os velhos tempos de volta da forma que imaginas. Embora as regras se apliquem a quase todas as baterias dos dispositivos que usas no dia a dia, a UE introduziu algumas exceções importantes. E são precisamente essas exceções que garantem que a maioria dos telemóveis modernos que compras hoje fique isenta das exigências mais rigorosas. No fundo, os legisladores estão a olhar mais para o desempenho técnico e para a vida útil esperada, em vez de se focarem apenas no design físico do aparelho.

Os dispositivos ficam isentos se as suas baterias conseguirem manter oitenta por cento da capacidade original após mil ciclos de carga. Além disso, os aparelhos precisam de ter, no mínimo, uma certificação de resistência à água e ao pó. Ora, os topos de gama mais conhecidos das grandes marcas já cumprem perfeitamente estes critérios. Algumas empresas garantem até uma vida útil da bateria ainda mais longa, o que faz com que atinjam os requisitos mínimos da União Europeia sem grande esforço. Ou seja, na prática, nada muda.

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Baterias ainda coladas

As probabilidades são grandes de que muitos fabricantes continuem a colar as baterias exatamente da mesma forma que fazem hoje. Mas, mesmo que não cumpram as tais exigências de isenção, não precisam de regressar obrigatoriamente ao design de há vinte anos. O fabricante só tem de incluir ferramentas padrão para que possas remover a bateria e cumprir a lei. Na prática, isto significa que podes vir a encontrar uma pequena chave de parafusos e um manual de instruções básico na caixa do teu novo telemóvel, à semelhança do que já acontece com a Fairphone.

Isto não quer dizer que não existam regras sobre a utilização de cola. Os fabricantes estão proibidos de usar colas demasiado fortes, uma vez que não as conseguirias remover com ferramentas comuns que tens por casa. Feitas as contas, não vamos regressar assim tão cedo aos sistemas de encaixe de antigamente. Esta legislação também não vai criar aquele cenário ideal pelo qual muitas pessoas ansiavam. Sim, é muito positivo que a UE esteja a olhar para este tema, mas acaba por ser um pouco dececionante ver que, mais uma vez, as medidas não vão até ao fim.

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Mas será que queremos mesmo isto?

Mas vamos ser honestos: nessa altura, nem tudo era um mar de rosas. Os materiais usados pareciam muitas vezes baratos e o plástico fino era a norma. As tampas traseiras amovíveis eram bastante frágeis, o que fazia com que o teu smartphone se desfizesse em pedaços no chão sempre que te escorregava das mãos. Nem mesmo as capas conseguiam ser a salvação, porque a bateria tinha literalmente espaço para se mover lá dentro. Para voltarem a esse formato, os fabricantes teriam de alterar profundamente o design dos seus dispositivos e, por exemplo, dizer adeus à utilização de vidro.

Isto deixa-nos praticamente apenas com o metal como alternativa realista e resistente para a traseira. Mas se os fabricantes optarem por metal combinado com um sistema de encaixe, perdes imediatamente a possibilidade de ter carregamento sem fios. Além disso, hoje em dia, o teu telemóvel está cheio de cola aplicada com precisão cirúrgica para garantir que é à prova de água. Para o ambiente e para a tua carteira, ter baterias substituíveis seria sem dúvida uma vantagem. O problema é que isso provavelmente teria o custo de abdicares de funcionalidades a que já te habituaste e que valorizas bastante no teu dia a dia.