O estado atual do 6G

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
30 Março 2026, 10:48
5 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Embora o 5G ainda esteja em plena fase de expansão — e nem sequer esteja disponível em todo o lado —, já começamos a olhar, com alguma curiosidade, para o próximo grande salto: o 6G. As expectativas são altas, com promessas de velocidades alucinantes, redes verdadeiramente inteligentes e aplicações completamente novas. Mas, afinal, em que ponto estamos em 2026?

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O 6G ainda está em fase de investigação

Durante o MWC 2026, empresas como a Qualcomm, a Nokia e outras gigantes focadas no futuro das redes móveis partilharam mais detalhes sobre esta nova tecnologia. A verdade é que o 6G ainda não existe como uma rede comercial pronta para os nossos smartphones. O seu desenvolvimento continua nos laboratórios, em fase de investigação e testes. Várias organizações internacionais já estão a desenhar os primeiros padrões, mas as redes reais só devem chegar às nossas mãos por volta de 2030.

Qualcomm 6G

Isto significa que os próximos anos vão ser dedicados a experiências, protótipos e à definição de toda a base técnica. Na prática, o 5G continua a ser a estrela principal, tendo o 5G Advanced como um importante passo intermédio rumo ao 6G. Esta versão melhorada vai começar a chegar aos primeiros dispositivos no final deste ano (2026). O grande trunfo do 5G Advanced? Permite-te ter ligação à internet mesmo sem antenas de rede por perto, comunicando diretamente através de satélites.

O que o 6G vai realmente melhorar

O salto para o 6G não se resume apenas a ter downloads mais rápidos — trata-se de uma evolução muito mais profunda. Enquanto o foco do 5G está em ligações velozes e baixa latência (o tempo de resposta da rede), o 6G tem de ir mais além. Claro que a nova geração vai atingir velocidades impressionantes: num teste realizado em 2025, a rede chegou a quase 1000 GB por segundo. No fundo, terá de ser capaz de processar volumes massivos de dados e tornar-se incrivelmente fiável.

Além disso, o 6G vai assumir um papel totalmente novo. A rede deixará de ser apenas um “tubo” para enviar dados e passará a ajudar ativamente em tarefas como localização ultraprecisa e análise em tempo real. Ou seja, a própria rede torna-se uma peça inteligente e ativa dos nossos sistemas digitais.

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A inteligência artificial será o coração do 6G

Uma das maiores revoluções será o papel central da inteligência artificial (IA). Se no 5G a IA é vista como uma camada extra que se adiciona ao sistema, no 6G ela será construída diretamente na base da rede. A Nokia já tinha sublinhado esta visão no início de março de 2026.

Na prática, isto significa que as redes vão conseguir otimizar-se sozinhas, distribuir a capacidade de forma automática e reagir a mudanças num piscar de olhos. Pensa, por exemplo, na resolução imediata de avarias ou no ajuste inteligente do sinal durante um concerto com milhares de pessoas. Esta autonomia é absolutamente necessária porque as tecnologias do futuro — como os veículos autónomos e as cidades inteligentes — exigem uma complexidade que as redes atuais simplesmente não conseguem suportar.

6G e IA

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Novas aplicações vão fazer a diferença

O verdadeiro fascínio do 6G está nas portas que ele vai abrir. Esta tecnologia vai criar formas de comunicação e interação que hoje parecem ficção científica. Pensa em experiências de realidade aumentada e virtual incrivelmente imersivas, sistemas totalmente autónomos e infraestruturas urbanas que comunicam entre si em tempo real. Setores cruciais como a saúde, a energia e a logística também vão dar um salto gigante com a ajuda do 6G. O grande objetivo é criar um ecossistema onde não só as pessoas, mas também as máquinas, os sensores e os sistemas estejam em constante diálogo.

A corrida mundial ao 6G

O desenvolvimento do 6G está a ganhar tração em vários países, incluindo nos Países Baixos, onde se trabalha intensamente no tema. Uma das grandes iniciativas é o programa Future Network Services (FNS), que junta empresas, universidades e governos na criação da próxima geração de redes. A TU Delft tem aqui um papel de destaque, investigando áreas como as redes 6G, a IA, a Internet das Coisas (IoT) e a cibersegurança, sempre em estreita colaboração com parceiros internacionais.

Esta corrida ao 6G não é apenas uma questão técnica — é um xadrez altamente estratégico. Países e gigantes tecnológicas estão a investir milhares de milhões para garantir influência sobre os padrões e a infraestrutura do futuro. A Europa, os Estados Unidos e várias nações asiáticas avançam com as suas próprias iniciativas. Vamos ser honestos: não se trata apenas de ter a internet mais rápida, mas sim de garantir poder económico e geopolítico. Afinal, quem definir as regras do jogo terá nas mãos o futuro da comunicação e da infraestrutura digital global.

Chamadas em conjunto no Nothing Phone (3a) Lite

Os primeiros testes já começaram

Embora as redes comerciais ainda sejam uma miragem distante, os primeiros testes e experiências já estão no terreno. Os investigadores estão a explorar novas frequências — como o terahertz — e a construir redes fechadas para pôr à prova estas novas tecnologias. Mais uma vez, existem vários ambientes de teste onde empresas e cientistas já colaboram para dar vida a estas inovações.

Quando é que vais poder usar o 6G?

Para nós, consumidores, o 6G ainda é um cenário distante. A expectativa realista é que as primeiras redes comerciais comecem a dar os primeiros passos apenas por volta de 2030. E, mesmo depois disso, ainda levará alguns anos até que a tecnologia esteja disponível para todos. Resumindo: nos próximos anos, o teu smartphone vai continuar a depender do 5G e das suas variantes mais robustas, como o 5G Advanced.