O que é pOLED e como o podes utilizar?

Laura Jenny
Laura Jenny
21 Março 2024, 15:00
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Ao que tudo indica, a Motorola está prestes a lançar novos telemóveis com ecrã pOLED. Com isto, não será a primeira marca a aplicar esta tecnologia num smartphone, mas talvez te estejas a perguntar: o que significa pOLED?

No meio de tantas siglas como OLED, LCD, AMOLED e QLED, é fácil perder-nos nas diferenças. Neste artigo, vamos mergulhar na tecnologia pOLED, porque, na verdade, já a viste muito mais vezes do que imaginas.

O que é pOLED?

A explicação é simples: pOLED significa Plastic-OLED. O “p” refere-se a plástico, e existe um bom motivo para usar este material em vez de vidro: a flexibilidade. Como tal, não surpreende que o pOLED seja uma escolha popular para os ecrãs de telemóveis dobráveis. Por vezes, a tecnologia é designada como poled, pOLED ou OLED flexível, mas referem-se todas à mesma coisa.

De resto, a base é a mesma da tecnologia OLED. Contém díodos orgânicos emissores de luz que se iluminam individualmente, permitindo que apenas algumas partes do ecrã se acendam. É por isso que os pretos num ecrã OLED são verdadeiramente puros, ao contrário do que acontece, por exemplo, num LCD, que necessita de uma fonte de luz traseira constante.

Quando os primeiros painéis OLED saíram da fábrica, usavam uma base de vidro. No entanto, com o aumento da procura por novos formatos de dispositivos, como os dobráveis, o plástico ganhou protagonismo. Inicialmente, fizeram-se várias experiências com materiais como o politereftalato de etileno (PET) e o polietileno naftalato (PEN). A escolha acabou por recair sobre os plásticos de poli-imida, pois resistem melhor às altas temperaturas do processo de fabrico. Além disso, tanto o tipo de plástico como o processo de aquecimento influenciam diretamente a flexibilidade final do ecrã, tornando a escolha destes materiais um passo crucial.

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AMOLED e OLED

Um pormenor interessante: tanto os ecrãs AMOLED da Samsung como os OLED da LG podem usar uma base de plástico, embora nem sempre o mencionem (afinal, não lhe chamamos gOLED, de *glass*, quando usam vidro). Contudo, a LG e a Samsung utilizam qualidades distintas de camadas TFT (transístor de película fina), diferentes tipos de plástico e até um posicionamento ou qualidade diferente dos díodos. Na prática, isto significa que um ecrã da Samsung é efetivamente diferente de um da LG. A LG, aliás, já usa a tecnologia pOLED há bastante tempo em equipamentos como o LG Wing e o LG Velvet.

Para os fabricantes, o pOLED é uma solução vantajosa, pois os custos de produção são significativamente mais baixos — o plástico é, naturalmente, muito mais barato que o vidro. É também um material menos frágil durante o fabrico e os testes. Por estas razões, muitos consideram-no uma evolução natural da tecnologia OLED.

Claro que o vidro continua a ter as suas vantagens, sobretudo por ser um material mais natural e que oferece maior rigidez. Mas o vidro parte e risca, algo que acontece com muito menos frequência no plástico. E não nos podemos esquecer de outro ponto importante: o plástico é consideravelmente mais leve.

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Motorola Razr 5G e Google Pixel 2 XL

O pOLED herda também muitas das vantagens que já conhecemos da tecnologia OLED. A bateria, por exemplo, tende a durar mais do que nos ecrãs LCD, uma vez que os píxeis se apagam para exibir a cor preta, poupando energia. O resultado são cores vibrantes e pretos puros. No entanto, o pOLED partilha igualmente uma desvantagem do OLED: a suscetibilidade ao efeito de *burn-in* (ou retenção de imagem). Hoje em dia, contudo, quase todos os fabricantes previnem este problema com várias técnicas, como deslocar a imagem ligeiramente e de forma impercetível.

Dispositivos como o Motorola Razr 5G, o Apple Watch e até o antigo Google Pixel 2 XL utilizam ecrãs pOLED. Fica claro que não é um material exclusivo para equipamentos dobráveis. E os motivos vão além da maior resistência e dos custos de produção mais baixos: as margens à volta do ecrã são também mais finas nos painéis pOLED, o que te dá uma maior área de ecrã útil. É fácil perceber o quão valioso isto é, especialmente num ecrã tão pequeno como o de um smartwatch.

Ainda assim, nem sempre é fácil distinguir a olho nu se um ecrã é pOLED ou um OLED tradicional com base de vidro.