O que esperar dos smartphones de gama alta em 2026

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
2 Dezembro 2025, 10:55
5 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

O ano de 2025 trouxe mudanças de peso ao mundo dos topos de gama Android. Não só vimos as baterias ganharem um novo fôlego, como os smartphones deram um salto qualitativo no desempenho geral. Mas, dito isto, o que podes realmente esperar dos equipamentos que vão aterrar no mercado em 2026?

Os pesos-pesados de 2026

Vamos ser honestos: ninguém vai cair da cadeira se dissermos que os grandes lançamentos de 2026 serão impulsionados por dois novos “motores”: o Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 e o MediaTek Dimensity 9500. Tudo indica que estes chips serão a base para uma série de upgrades impressionantes, desde o vídeo e o gaming até à Inteligência Artificial (IA) e à eficiência energética.

Foco total no vídeo e no gaming

Comecemos pela Qualcomm. O Snapdragon 8 Elite Gen 5 será o primeiro processador a suportar o codec Advanced Professional Video (APV). O que é que isto significa? Promete uma qualidade de vídeo praticamente sem perdas — pelo menos, ao olho humano —, aproximando-se daquilo que os profissionais exigem. A grande vantagem é manteres o controlo total na pós-produção, como na correção de cor e ajustes de sombras. Para quem leva a criação de vídeo a sério, isto são ótimas notícias. A Google já confirmou que o Android 16 vai suportar APV e espera-se que a série Galaxy S26 siga o mesmo caminho.

Já a MediaTek, com o seu Dimensity 9500, aposta noutra vertente da performance de vídeo. É o primeiro chipset para Android a suportar gravação em 4K a 120 fps com Dolby Vision. E não fica por aqui: supera os iPhones da Apple ao permitir vídeo de retrato cinematográfico em 4K a 60 fps — duplicando os 30 fps que, até agora, eram a norma.

Série Oppo Reno 14

A batalha da eficiência continua no terreno do gaming. Todos sabemos que jogar no telemóvel é a receita perfeita para drenar a bateria, mas ambos os chips prometem aliviar esse problema. A unidade gráfica (GPU) do Snapdragon 8 Elite Gen 5, por exemplo, consome 20% menos energia que o seu antecessor. A MediaTek vai ainda mais longe: a GPU do Dimensity 9500 é 42% mais eficiente energeticamente do que a do Dimensity 9400 — que, diga-se de passagem, já era bastante competente. Na prática, isto deve traduzir-se em sessões de jogo visivelmente mais longas sem precisares de correr para o carregador.

IA: modelos maiores, velocidade superior

Paralelamente, a Inteligência Artificial nos smartphones vai ficar mais esperta e mais rápida, graças a duas grandes evoluções. Primeiro, os chips ganham capacidade para correr localmente modelos de IA maiores e mais complexos. Como estes modelos costumam ser “pesados”, é necessária uma forma inteligente de compressão para que caibam no teu telemóvel. Tanto a Qualcomm como a MediaTek estão a apostar nos seus próprios métodos de compressão, prometendo reduzir para metade tanto o consumo de energia como o espaço de armazenamento necessário. Ainda falta saber os números exatos, mas a direção é promissora.

Em segundo lugar, as aplicações de IA de terceiros vão receber um boost de velocidade, mesmo que não estejam otimizadas para o hardware de IA específico. Normalmente, estas apps recorrem à GPU, que é menos eficiente para estas tarefas. No entanto, a MediaTek está a integrar suporte nativo para estas apps, o que deverá melhorar em 50% a deteção de objetos. O novo Snapdragon aborda a questão com uma arquitetura diferente, pelo que o ganho será ligeiramente mais modesto, mas ainda assim vais notar a diferença.

Silício-carbono: a nova norma

A revolução das baterias de silício-carbono, que começou timidamente em 2023, veio para ficar em 2025 e 2026. Esta tecnologia permite capacidades significativamente maiores sem aumentar o tamanho físico da bateria. O OnePlus 13 e o Vivo X200 Pro já ostentavam 6.000 mAh e o Realme GT7 Pro chegou aos 6.500 mAh. Agora, o OnePlus 15 já oferece 7.300 mAh, enquanto a Oppo sobe a parada para os 7.550 mAh. E os rumores sugerem que os fabricantes não vão abrandar: a série Xiaomi 17 poderá trazer baterias entre os 6.300 mAh e os 7.500 mAh; até o modelo base, com um ecrã de 6,3 polegadas, deverá contar com 7.000 mAh.

OnePlus 15

A Xiaomi afirma que consegue estes valores aumentando a densidade de silício nas baterias. Isto levanta, contudo, algumas questões sobre a estabilidade e fiabilidade a longo prazo, já que, por norma, mais silício pode tornar a bateria mais instável. Entretanto, os “três grandes” — Apple, Google e Samsung — ainda não abraçaram esta tecnologia base. A nosso ver, é uma oportunidade desperdiçada que esperamos ver corrigida em 2026. No fundo, pode vir a ser essencial para não perderem o comboio da concorrência.

Fotos de 200 MP e ecrãs ultra-escuros

Para fechar, temos tendências interessantes nas câmaras e nos ecrãs. As fotos de 200 megapixéis podem, finalmente, começar a justificar a sua existência. Até aqui, os resultados podiam ser dececionantes, parecendo simples snapshots sem o processamento avançado (como HDR) das fotos normais. O Oppo Find X9 Pro é um exemplo precoce da mudança, suportando a tecnologia de fusão de múltiplos fotogramas (multi-frame fusion). Isto significa que a câmara combina vários frames para criar uma imagem de 200 MP com muito mais qualidade. O chip MediaTek desse telemóvel suporta isto nativamente, distinguindo entre um instantâneo básico de 320 MP e uma captura completa e processada de 200 MP.

E por fim: enquanto os fabricantes passaram anos numa guerra pelo pico de brilho mais alto (muitas vezes apenas marketing), o foco muda agora para o brilho mínimo. O chipset Dimensity 9500 suporta ecrãs com um brilho de apenas 1 nit (provavelmente seguindo o exemplo do iPhone 16 Pro, que introduziu a funcionalidade). Um ecrã assim tão escuro é perfeito para aquela consulta noturna na cama, pois não incomoda quem dorme ao teu lado. Além disso, um ecrã menos agressivo poupa a tua vista. Mais uma razão para ficarmos entusiasmados.

E tu? O que esperas dos topos de gama que vão chegar ao mercado em 2026? Tens alguma funcionalidade de sonho ou achas que os smartphones deviam, de uma vez por todas, cumprir certos requisitos básicos?