Durante a WWDC, a Apple anunciou uma série de novidades para os seus produtos, mas o grande destaque foi mesmo a Siri AI. Esta versão mais inteligente da Siri é baseada no Gemini, da Google. Mas afinal, onde estão as diferenças?
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Siri AI e Gemini
Há uma ressalva importante a ter em conta com a chegada da Siri AI ainda este ano: por enquanto, não vai estar disponível na Europa. Os utilizadores de iPhone em Portugal, na Bélgica e nos Países Baixos não vão poder usar a Siri renovada. O motivo é simples. A Lei dos Mercados Digitais (Digital Markets Act), em vigor na Europa, obriga a Apple a dar acesso aos dados também a outros assistentes inteligentes, e a empresa considera que isso não é seguro. Por isso, ainda tem de chegar a acordo com a União Europeia.
Ainda assim, vale a pena mergulhar nesta nova Siri baseada no Gemini. A Google e a Apple colaboraram estreitamente para tornar isto possível, em grande parte porque a marca da maçã não conseguiu fazer tudo sozinha. A Siri AI é, no fundo, a nova geração da Apple Intelligence.
No ecossistema da Apple, a experiência com esta ferramenta de inteligência artificial é ligeiramente diferente daquilo a que estamos habituados nos telemóveis Android. A assistente abre a partir da Ilha Dinâmica (Dynamic Island) no topo do ecrã. De resto, faz muito do que já conhecemos do Gemini: acompanha o que está no teu ecrã, compreende o contexto, sincroniza com outras aplicações e tem acesso à internet para ir buscar mais informação, segundo o site 9to5Google.
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A Siri torna-se mais exata nas respostas, enquanto o Gemini melhora na compreensão daquilo que realmente dizes. Em breve, a IA da Google vai até filtrar os teus “ehs” e “hums” com a funcionalidade Gboard Rambler. Onde a Apple leva vantagem é nas integrações com a câmara. Podes, por exemplo, apontar o telemóvel para um prato de comida e a Siri diz-te os valores nutricionais. Além disso, há uma funcionalidade muito prática: aponta a câmara para a conta do restaurante, diz o que comeste e bebeste, e a Siri calcula exatamente o que tens de pagar. É o truque ideal para dividir a fatura com os teus amigos.
Além disso, a Siri pode monitorizar uma página web enquanto fazes outra coisa, enviando-te uma notificação quando acontece algo que queiras saber. O Gemini consegue fazer algo semelhante com o Spark, mas a Apple transformou isto numa opção muito mais autónoma. E enquanto a Google anunciou recentemente a possibilidade de criares os teus próprios widgets, a Apple traz uma ferramenta parecida para criar extensões no navegador Safari. Também podes criar atalhos na Siri, bastando para isso pedir-lhe em voz alta.
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A verdade é que há também muitas semelhanças entre os dois assistentes. Ambos permitem escolher entre várias vozes. Podes tornar a Siri mais expressiva, enquanto o Gemini em breve vai conseguir falar num dialeto diferente. A Siri também consegue identificar para quem estás a ligar e apresentar logo o teu número de encomenda, algo que a Google também anunciou recentemente. E, claro, tanto a Siri como o Gemini conseguem analisar as imagens da tua câmara em tempo real e perceber o que está a ser mostrado.
Uma das vantagens mais interessantes que a Siri vai ter sobre o Gemini é o Spatial Reframing (reenquadramento espacial). Com esta funcionalidade, podes alterar completamente a perspetiva de uma imagem, como se tivesses segurado o telemóvel de uma forma totalmente diferente ao tirar a foto. Já vimos algo semelhante no Photoshop, de forma ainda mais sofisticada, e é uma ferramenta que ainda faz falta no ecossistema da Google.
Mas, se queres que sejamos honestos, é apenas uma questão de tempo até isso chegar ao Android. Como se vê agora com a integração do Gemini na Siri, o iOS e o Android continuam a ser, no fundo, a maior fonte de inspiração um do outro.