O Waze ainda é relevante?

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
4 Abril 2025, 13:34
3 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Pode não ser do conhecimento geral, mas tanto o Waze como o Google Maps pertencem à Google. Embora as duas aplicações ainda tenham as suas diferenças, a linha que as separa está a tornar-se cada vez mais ténue. Isto levanta uma questão inevitável: haverá futuro para o Waze, ou acabará por se tornar irrelevante?

A funcionalidade distintiva do Waze

É comum que, ao adquirir um novo serviço, a Google o integre rapidamente nos seus produtos já existentes. Contudo, o Waze ainda não sofreu o mesmo destino, mesmo passados dez anos desde que a gigante tecnológica adquiriu a aplicação de trânsito.

A principal diferença entre o Waze e o Google Maps reside no seu foco. O Waze é uma aplicação dedicada a condutores de carro e mota, enquanto o Maps se dirige a um público mais amplo, oferecendo rotas a pé, de bicicleta e de transportes públicos.

O grande trunfo do Waze é a sua comunidade: os utilizadores podem partilhar alertas em tempo real sobre acidentes, congestionamentos ou outros perigos na estrada. Outros condutores na zona podem depois confirmar ou invalidar essa informação, criando um sistema dinâmico e colaborativo.

Este pilar comunitário, que sempre foi a joia da coroa do Waze, está a ser progressivamente integrado no Google Maps. Atualmente, quem usa o Maps para navegar já se depara com alertas provenientes da comunidade Waze. Esta integração segue a tendência de o Maps já ter adotado outras funcionalidades antes exclusivas do Waze, como a opção de reportar a presença da polícia ou acidentes.

Enquanto isso, a equipa do Waze não esteve parada, tendo trabalhado na integração da inteligência artificial Gemini. O objetivo é permitir que os condutores reportem incidentes na estrada de forma ainda mais simples, através de um rápido comando de voz.

Logótipo do Waze sobre uma paisagem rural com um caminho, campos verdes e uma casa sob um céu nublado.

Será este o fim da aplicação?

Apesar de o Waze continuar a receber atualizações e novas funcionalidades, o que sugere que não está em declínio, a ideia do seu desaparecimento não é descabida.

Na verdade, a unificação das duas plataformas poderia até ser benéfica. Quanto mais pessoas utilizarem a mesma aplicação para partilhar alertas de trânsito, mais completo e fiável se torna o sistema, contribuindo para estradas mais seguras.

Considerando que o Google Maps tem uma base de utilizadores muito superior, a fusão poderia resultar num volume de alertas significativamente maior. Isto criaria um retrato muito mais preciso e atualizado das condições de trânsito em tempo real.

Seria, em teoria, a solução mais eficiente tanto para a Google como para os condutores. Resta saber se a empresa dará esse passo.

Para que tal acontecesse, a Google teria de repensar a interface do Maps, adaptando-a melhor às necessidades de quem está ao volante. Poderia inspirar-se na forma clara e organizada como o Waze apresenta a informação. Uma solução passaria pela criação de um “modo Waze” dentro do Maps, que eliminasse as distrações — como sugestões de locais próximos — e colocasse o foco total na experiência de condução.