No seu fórum oficial, a OnePlus admitiu ter sentimentos mistos sobre a sua saída dos mercados europeu e americano. Esse sentimento é, muito provavelmente, mútuo. Como fã, é natural que lamentes esta decisão, mas a verdade é que a OnePlus que todos conhecíamos já tinha desaparecido há algum tempo.
Continuar a ler após o anúncio.
OnePlus: desde 2013
A OnePlus foi fundada a 16 de dezembro de 2013 por Pete Lau e Carl Pei. Ambos vinham da OPPO e decidiram lançar uma marca de smartphones premium a preços acessíveis, com o famoso slogan ‘Never Settle’. A ideia era simples: quando queres um telemóvel mais barato, normalmente tens de aceitar alguns compromissos, como câmaras inferiores ou um processador mais antigo. Foi uma promessa ambiciosa, mas que a marca cumpriu desde o seu primeiro modelo, o OnePlus One. Aliás, mesmo o seu último topo de gama, o OnePlus 15, manteve o preço abaixo dos 1000 euros, apesar de reunir todas as características de um verdadeiro flagship.
O facto de ter mantido a atitude ‘Never Settle’ do início ao fim (pelo menos na Europa, já que a marca continua na Índia e possivelmente na China) não significa que tudo tenha corrido na perfeição. Com o passar dos anos, a OnePlus foi perdendo progressivamente a ligação à sua comunidade. No início, era uma empresa de espírito jovem e irreverente, que ouvia os fãs e incorporava nos seus smartphones aquilo que o público realmente valorizava.
Talvez tenha sido a saída de Carl Pei (que, entretanto, seguiu a mesma estratégia com a Nothing, mas focada em dispositivos de gama média) que fez a OnePlus perder o seu carácter distintivo. A marca continuou a fazer bons telemóveis, mas, depois de se tornar uma submarca da OPPO em 2021, foi perdendo cada vez mais a sua identidade. Os dispositivos das duas empresas começaram a parecer-se demasiado. Isso resultou, por exemplo, na triste notícia de que não haveria um sucessor para o excelente dobrável OnePlus Open. O próprio software também foi convergindo. No fundo, a OnePlus tornou-se mais ‘comportada’ e passou a seguir de perto a linha da OPPO. Isso notava-se e, vamos ser honestos, foi uma pena.
Por esse motivo, não me parece que todos os fãs estejam completamente devastados com o desaparecimento da OnePlus da Europa e da América do Norte. É claro que é uma pena, especialmente se sempre usaste os dispositivos desta marca. Contudo, o mercado de smartphones tornou-se muito mais homogéneo nos últimos anos, e na OnePlus isso era ainda mais evidente devido à estreita colaboração com a OPPO. Os telemóveis já partilhavam muitas semelhanças, por isso, ficarmos agora entregues à OPPO significa que vamos continuar a usufruir da tecnologia da OnePlus. Afinal, as divisões de investigação e desenvolvimento de ambas as marcas já funcionam como uma só há vários anos.
Continuar a ler após o anúncio.
Coração versus cabeça
Ainda assim, custa sempre ver uma marca destas partir, mesmo quando a razão nos diz que não é uma decisão assim tão estranha. Se tivermos em conta que a memória RAM está cada vez mais cara e que a promessa ‘Never Settle’ se torna progressivamente mais difícil de cumprir, acaba por ser compreensível que a marca abandone a Europa. Não deixa de ser uma fabricante muito querida, que contribuiu imenso para mudar a forma como olhamos para os preços dos smartphones. Além disso, o OxygenOS era uma versão do Android super limpa, leve e com muitas opções de personalização, o que conquistou uma base de fãs muito fiel.
Outra área em que a OnePlus sempre foi exímia é no carregamento rápido. A marca trouxe-nos carregadores que eram genuinamente velozes, permitindo dar energia ao telemóvel em tempo recorde. E o melhor é que podias continuar a jogar enquanto o telemóvel carregava, sem que o aparelho aquecesse ao ponto de queimar nas mãos. Depois, tínhamos o icónico Alert Slider, aquele botão físico super prático que te permitia alternar rapidamente entre som, vibração e silêncio. Infelizmente, no ano passado já tinha sido removido para dar lugar a um botão mais focado em Inteligência Artificial (embora configurável). Era um detalhe incrivelmente útil, especialmente quando precisavas de silenciar o telemóvel num instante.
Continuar a ler após o anúncio.
Para além de tudo isto, a OnePlus distinguia-se frequentemente pelos acabamentos premium dos seus dispositivos. A parceria com a Hasselblad foi uma jogada brilhante para elevar a qualidade fotográfica, e a marca tinha ainda uma linha de merchandising muito engraçada para os fãs. Agora, vemos a OnePlus a ser cada vez mais relegada para segundo plano, culminando no seu desaparecimento total da Europa.
Resta saber o que farão os fãs: será que vão migrar para a OPPO, que utiliza muita da tecnologia que conhecemos da OnePlus, ou vão antes seguir Carl Pei e optar por um telemóvel da Nothing? De qualquer forma, os dispositivos OnePlus atuais vão continuar a receber suporte. Por isso, se tens um neste momento, podes ficar descansado e continuar a usá-lo sem preocupações durante mais algum tempo.
Quando esse suporte terminar, é bem provável que fiques com uma verdadeira peça de colecionador em casa. No fundo, esse desfecho encaixa na perfeição com o espírito da OnePlus de que todos gostávamos: aquela dos primeiros anos, com o foco totalmente virado para os fãs.