Opinião: Porque 2026 não precisa ser um ano perdido para smartphones

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
6 Março 2026, 13:28
5 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Se segues as tendências e os desenvolvimentos no mundo dos smartphones (Android) e da tecnologia em geral, é provável que te tenhas deparado com um cenário pouco animador. Tudo está a ficar mais caro, os produtos parecem cada vez mais iguais e a escolha real parece escassa. Mas será que a realidade é mesmo essa?

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Será 2026 um ano perdido para os smartphones?

A influência da Inteligência Artificial (IA) no nosso dia a dia já não é segredo para ninguém. Para alguns, é uma vantagem clara: as tarefas aborrecidas demoram menos tempo, libertando espaço para o que realmente importa. Para outros, o cenário é mais sombrio: a IA não está propriamente a criar nada de novo e, para piorar, está a encarecer qualquer produto que dependa de memória RAM ou chips de armazenamento. As grandes empresas de IA estão a comprar esses componentes em massa, deixando menos stock disponível para o resto do mercado.

Soma a isto o facto de os fabricantes de smartphones já não apresentarem uma inovação radical há alguns anos. Os avanços entre os modelos topo de gama são cada vez mais pequenos, enquanto os telemóveis em si convergem tanto no design como na funcionalidade. Esta uniformidade acaba por não entusiasmar ninguém. Mas será que isso significa que devemos baixar as expectativas para o próximo ano? Será que 2026 vai ser mesmo um ano perdido?

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O ecrã de privacidade

Não tem de ser necessariamente assim. A Samsung, por exemplo, já mostrou o que tem na manga para este ano com a linha Galaxy S26. É verdade que há poucas novidades de fundo e a sensação é de “mais do mesmo”, mas ainda assim vemos algo interessante a acontecer. O Galaxy S26 Ultra traz um novo tipo de ecrã que te permite proteger muito melhor a tua privacidade. E não, não precisas de colar uma película extra: este “modo de privacidade” vem integrado no próprio hardware.

As nossas primeiras impressões sobre esta tecnologia são positivas. A Samsung cumpre o prometido: podes escurecer os ângulos de visão de todo o ecrã ou apenas de uma parte, se assim o desejares. Desta forma, ninguém consegue espreitar o que estás a fazer por cima do teu ombro. O trunfo deste sistema é a combinação de hardware e software — o Ultra controla, ao nível do píxel, aquilo que um curioso consegue (ou não) ver.

É bem possível que, no próximo ano, comecemos a ver smartphones com características peculiares que não encontras noutro lado. A Honor, por exemplo, apresentou recentemente um telemóvel com uma câmara móvel. Podes não precisar de tudo isso, é verdade; mas a falta de grandes saltos no desempenho puro abre espaço para componentes experimentais que, à sua maneira, oferecem algo diferente.

Mais por menos

Por outro lado, a estagnação pode jogar a teu favor. A falta de inovação disruptiva ou de grandes aumentos de desempenho significa que não precisas de gastar uma fortuna se estiveres à procura de um telemóvel novo este ano. Muitos modelos que vão ser lançados agora terão de lidar com hardware mais antigo (processadores, sensores de câmara), o que faz com que os aparelhos de 2025 ou 2024 — e talvez até de 2023 — continuem a valer muito a pena. Tudo depende do que procuras e da tua perspetiva.

Na teoria, podes até acabar numa situação vantajosa onde recebes “mais por menos”. O Pixel 10a é um bom exemplo disto: em termos de funcionalidades, não é muito mais completo do que o 9a, mas o modelo anterior é significativamente mais barato. Aliás, se analisarmos bem, o Pixel 10 “normal” pode acabar por ser uma opção ainda melhor, visto que o seu preço tem vindo a descer, competindo diretamente com a linha ‘a’. Afinal, o dinheiro custa a ganhar e queres o melhor retorno possível pelo teu investimento.

Se 2026 for o ano em que tens mesmo de trocar de telemóvel, podes saltar uma geração com toda a tranquilidade. Podes perder um ano (ou dois) de atualizações de software, mas, em contrapartida, não pagas o “preço de novidade” pelo smartphone. Isso deixa-te com mais orçamento disponível para a próxima troca. No fundo, entras num ciclo de atualização diferente e mais amigo da carteira.

<p><img src="google-pixel-10a-zwart-achterkant-in-hand.jpg" alt="Google Pixel 10a preto parte traseira na mão"></p>

É muito provável que mais fabricantes recorram à reutilização de hardware para reduzir os custos dos novos modelos (especialmente nas atualizações anuais regulares). É um fenómeno lógico, embora um pouco frustrante num mercado onde as diferenças já são poucas. Mas isto dá-te liberdade: opta por um smartphone ligeiramente mais antigo este ano, porque a probabilidade de ser tão bom quanto o modelo novo é enorme.

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Uma questão de perspetiva

Vamos ser honestos: é sempre bom comprar coisas novas. Aquele telemóvel topo de gama a estrear, acabado de sair da caixa, sabe bem. Por isso, tudo isto é uma questão de perspetiva e de como tu geres os desenvolvimentos recentes e a subida de preços. Sente-te livre para comprar o que quiseres, claro, mas considera também a tecnologia de gerações anteriores ou até recondicionados. Esses produtos ainda têm “pernas para andar” durante uns bons anos.

Desta forma, 2026 não tem de ser um ano perdido. Como consumidor, tens agora um leque de escolhas enorme, especialmente se incluíres na tua equação as opções dos últimos dois ou três anos. Por outro lado, os fabricantes têm a oportunidade de mostrar criatividade, oferecendo funcionalidades únicas para se destacarem. Nem todas serão úteis, mas talvez regressemos, ainda que ligeiramente, aos dias de glória do smartphone onde a experimentação imperava.