Já não é segredo para ninguém que podes descarregar milhões de aplicações para o teu smartphone e tablet através da Google Play Store. No entanto, nem todas são úteis, honestas ou sequer respeitam o teu tempo. Por isso, é uma boa prática desinstalar ou simplesmente evitar algumas delas.
Aplicações de redes sociais
O primeiro grupo de aplicações que devora a tua atenção são, como não podia deixar de ser, as de redes sociais. Estas fazem de tudo para te prender e consumir o máximo possível do teu tempo e dos teus dados.
Os algoritmos estão desenhados para te manter a fazer scroll indefinidamente, uma prática que, a longo prazo, pode ser prejudicial para a tua saúde, especialmente a mental. Além disso, muitas destas aplicações — como o Facebook, TikTok, X ou Snapchat — consomem uma quantidade considerável de memória RAM e espaço de armazenamento, o que afeta negativamente o desempenho do teu dispositivo.
Se não queres abandonar completamente as redes sociais, uma boa alternativa é mergulhar nas definições de cada aplicação para veres que ajustes podes fazer no que toca à recolha e utilização dos teus dados.

UC Browser
O UC Browser é um navegador que já existe há mais de uma década. Lançado em 2014, bastou um ano para se descobrir que a aplicação tinha fugas de dados dos seus utilizadores. Isto incluía identificadores sensíveis como o International Mobile Subscriber Identity (IMSI) e o International Mobile Equipment Identity (IMEI), mas também o teu ID Android, endereço MAC e a tua localização.
Como se não bastasse, a empresa de cibersegurança Malwarebytes classificou a aplicação como um vírus Trojan e como um Programa Potencialmente Indesejado (Potentially Unwanted Program). Em 2017, foi mesmo classificada como adware por várias outras entidades, o que levou a Google a removê-la da Play Store. No entanto, se a procurares hoje, vais encontrá-la novamente disponível. O nosso conselho: evita-a, pois é muito provável que continue envolvida em práticas maliciosas.
Truecaller
Em teoria, o Truecaller parece uma aplicação fantástica. Identifica números desconhecidos, bloqueia chamadas de spam e mostra quem te está a tentar contactar. Por vezes, até te notifica de que alguém está prestes a ligar. Parece algo saído de um filme de ficção científica — até te perguntares como é que o Truecaller consegue fazer tudo isto.
A resposta é simples: constrói uma gigantesca base de dados com informações de contacto. A probabilidade de os teus dados já lá estarem é enorme, mesmo que nunca tenhas descarregado a aplicação. Se o teu número estiver guardado no telemóvel de alguém que usa o Truecaller, ele é simplesmente copiado para a base de dados da aplicação, tornando-se assim público.
Para piorar, o Truecaller insiste em substituir as tuas aplicações de Telefone e SMS. Esta atitude é, no mínimo, suspeita, uma vez que lhe daria acesso total ao teu histórico de chamadas e a todas as tuas mensagens. Este é um exemplo clássico de uma aplicação que pede permissões a mais. Quando uma app exige mais acessos do que os que são logicamente necessários para a sua função, isso é um enorme sinal de alerta.
VivaVideo
Depois, existem aplicações que operam de forma mais dissimulada, como o VivaVideo. À primeira vista, parece um editor de vídeo útil e inofensivo. Na realidade, podes tornar-te vítima de práticas conhecidas como fleeceware.
Tecnicamente, o fleeceware é diferente de malware porque não rouba os teus dados diretamente. O seu objetivo é o puro abuso financeiro, explorando a desatenção do utilizador. Em 2020, uma investigação revelou que, em segundo plano, o VivaVideo tinha realizado cerca de vinte milhões de transações suspeitas, uma prática que poderá ter gerado milhões de euros em receita ilícita. A aplicação exibia também anúncios invisíveis, que geravam cliques falsos — e pelos quais os anunciantes pagaram sem saber.
Mais aplicações que te podem enganar
Estes são apenas alguns exemplos, mas a lista de aplicações que deves evitar, infelizmente, não fica por aqui. É mais uma razão para te manteres vigilante sobre as aplicações que instalas e usas no teu dia a dia.
Em certas situações, é preferível evitar descarregar aplicações “úteis” para funções simples, como uma lanterna ou um leitor de códigos QR. Muitas vezes, o seu único propósito é recolher os teus dados, até porque estas funcionalidades já vêm, na maioria das vezes, integradas no próprio Android.
Até aplicações aparentemente inofensivas, como as religiosas, são por vezes investigadas, descobrindo-se que partilham dados pessoais com redes de publicidade, anunciantes e intermediários de dados (data brokers). A regra de ouro é simples: se tens dúvidas sobre uma aplicação, o mais seguro é mesmo desinstalá-la ou nem sequer a experimentar.