Aplicações que deves remover do teu smartphone e tablet

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
10 Abril 2025, 10:53
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Já não é segredo para ninguém que podes descarregar milhões de aplicações para o teu smartphone e tablet através da Google Play Store. No entanto, nem todas são úteis, honestas ou sequer respeitam o teu tempo. Por isso, é uma boa prática desinstalar ou simplesmente evitar algumas delas.

Aplicações de redes sociais

O primeiro grupo de aplicações que devora a tua atenção são, como não podia deixar de ser, as de redes sociais. Estas fazem de tudo para te prender e consumir o máximo possível do teu tempo e dos teus dados.

Os algoritmos estão desenhados para te manter a fazer scroll indefinidamente, uma prática que, a longo prazo, pode ser prejudicial para a tua saúde, especialmente a mental. Além disso, muitas destas aplicações — como o Facebook, TikTok, X ou Snapchat — consomem uma quantidade considerável de memória RAM e espaço de armazenamento, o que afeta negativamente o desempenho do teu dispositivo.

Se não queres abandonar completamente as redes sociais, uma boa alternativa é mergulhar nas definições de cada aplicação para veres que ajustes podes fazer no que toca à recolha e utilização dos teus dados.

UC Browser

O UC Browser é um navegador que já existe há mais de uma década. Lançado em 2014, bastou um ano para se descobrir que a aplicação tinha fugas de dados dos seus utilizadores. Isto incluía identificadores sensíveis como o International Mobile Subscriber Identity (IMSI) e o International Mobile Equipment Identity (IMEI), mas também o teu ID Android, endereço MAC e a tua localização.

Como se não bastasse, a empresa de cibersegurança Malwarebytes classificou a aplicação como um vírus Trojan e como um Programa Potencialmente Indesejado (Potentially Unwanted Program). Em 2017, foi mesmo classificada como adware por várias outras entidades, o que levou a Google a removê-la da Play Store. No entanto, se a procurares hoje, vais encontrá-la novamente disponível. O nosso conselho: evita-a, pois é muito provável que continue envolvida em práticas maliciosas.

Truecaller

Em teoria, o Truecaller parece uma aplicação fantástica. Identifica números desconhecidos, bloqueia chamadas de spam e mostra quem te está a tentar contactar. Por vezes, até te notifica de que alguém está prestes a ligar. Parece algo saído de um filme de ficção científica — até te perguntares como é que o Truecaller consegue fazer tudo isto.

A resposta é simples: constrói uma gigantesca base de dados com informações de contacto. A probabilidade de os teus dados já lá estarem é enorme, mesmo que nunca tenhas descarregado a aplicação. Se o teu número estiver guardado no telemóvel de alguém que usa o Truecaller, ele é simplesmente copiado para a base de dados da aplicação, tornando-se assim público.

Para piorar, o Truecaller insiste em substituir as tuas aplicações de Telefone e SMS. Esta atitude é, no mínimo, suspeita, uma vez que lhe daria acesso total ao teu histórico de chamadas e a todas as tuas mensagens. Este é um exemplo clássico de uma aplicação que pede permissões a mais. Quando uma app exige mais acessos do que os que são logicamente necessários para a sua função, isso é um enorme sinal de alerta.

Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada
Truecaller Bloqueio de chamada

VivaVideo

Depois, existem aplicações que operam de forma mais dissimulada, como o VivaVideo. À primeira vista, parece um editor de vídeo útil e inofensivo. Na realidade, podes tornar-te vítima de práticas conhecidas como fleeceware.

Tecnicamente, o fleeceware é diferente de malware porque não rouba os teus dados diretamente. O seu objetivo é o puro abuso financeiro, explorando a desatenção do utilizador. Em 2020, uma investigação revelou que, em segundo plano, o VivaVideo tinha realizado cerca de vinte milhões de transações suspeitas, uma prática que poderá ter gerado milhões de euros em receita ilícita. A aplicação exibia também anúncios invisíveis, que geravam cliques falsos — e pelos quais os anunciantes pagaram sem saber.

Mais aplicações que te podem enganar

Estes são apenas alguns exemplos, mas a lista de aplicações que deves evitar, infelizmente, não fica por aqui. É mais uma razão para te manteres vigilante sobre as aplicações que instalas e usas no teu dia a dia.

Em certas situações, é preferível evitar descarregar aplicações “úteis” para funções simples, como uma lanterna ou um leitor de códigos QR. Muitas vezes, o seu único propósito é recolher os teus dados, até porque estas funcionalidades já vêm, na maioria das vezes, integradas no próprio Android.

Até aplicações aparentemente inofensivas, como as religiosas, são por vezes investigadas, descobrindo-se que partilham dados pessoais com redes de publicidade, anunciantes e intermediários de dados (data brokers). A regra de ouro é simples: se tens dúvidas sobre uma aplicação, o mais seguro é mesmo desinstalá-la ou nem sequer a experimentar.