Já ficou mais do que provado que não precisas de gastar uma fortuna para ter uma casa inteligente. Muitas vezes, os gadgets de smarthome mais acessíveis cumprem perfeitamente a função e não ficam nada atrás dos concorrentes de topo.
No entanto, como diz o ditado, “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. Existe um reverso da medalha nestes equipamentos mais baratos: a segurança. Muitas vezes, é aqui que se encontram as vulnerabilidades mais graves.
Vulnerabilidades nos gadgets mais acessíveis
Antes de entrarmos em pânico, vamos ser justos: estes problemas também podem acontecer em equipamentos caros. Da mesma forma, existem câmaras e campainhas inteligentes baratas que são perfeitamente seguras. Não é uma regra absoluta, mas é uma tendência: os problemas de segurança que vamos descrever aparecem com muito mais frequência nos modelos de entrada de gama.
Além disso, a responsabilidade também é tua. A forma como geres os teus dispositivos é crucial. Criar uma palavra-passe forte (e, por favor, não a reutilizes em todo o lado) é o primeiro passo básico que podes e deves dar para reforçar a tua segurança.
Falta de encriptação
Pensa na encriptação como a chave da porta da frente da tua casa: serve para garantir que estranhos não entram. Infelizmente, muitos gadgets de smarthome baratos poupam neste aspeto e não possuem protocolos de encriptação robustos.
O resultado? O tráfego de dados pode ser enviado “a céu aberto”. Isto significa que nomes de utilizador, dados de localização e até as imagens das tuas câmaras podem ser intercetados por hackers com relativa facilidade. Quando escolheres um dispositivo, verifica sempre que tipo de encriptação é utilizada. É um detalhe técnico, mas faz toda a diferença.
Menos atualizações de software
A regra de ouro para qualquer dispositivo conectado é: manter o software atualizado. Se o aparelho permitir atualizações automáticas, ativa essa opção imediatamente. É a melhor forma de garantir que estás protegido contra as ameaças mais recentes.
Quando é descoberta uma falha de segurança, os fabricantes lançam um “patch” (um remendo) para fechar essa porta antes que alguém mal-intencionado a aproveite. O problema dos gadgets muito baratos é que, muitas vezes, o suporte pós-venda é inexistente ou muito curto. Os fabricantes simplesmente não investem em atualizações regulares. Assim, ficas com um dispositivo que, com o passar do tempo, se torna cada vez mais vulnerável, e a culpa nem sequer é tua.
Uma “Cloud” pouco segura
Muitas câmaras de segurança enviam as gravações para a nuvem (cloud), embora algumas permitam o armazenamento local (em cartões SD, por exemplo). Se os teus dados vão para a cloud, tens de saber exatamente para onde vão e como são protegidos.
Por vezes, a ligação ao servidor não é segura ou a autenticação é fraca. Ninguém quer que as suas imagens privadas fiquem guardadas em servidores duvidosos, acessíveis a quem não deve. Estes são, tipicamente, os cenários que dão origem a fugas de dados.
Antes de comprares, pensa bem no que precisas. Se vais pagar uma subscrição mensal para armazenamento na cloud, exige saber se os teus dados estão realmente seguros. Afinal, a privacidade da tua casa não tem preço.

Embora o mês do “Scamcember” esteja a chegar ao fim, a segurança online é um trabalho para o ano inteiro. Vamos continuar a partilhar contigo as melhores dicas para protegeres os teus gadgets, porque neste mundo conectado, todo o cuidado é pouco.