Eclipse solar 2026: como fotografar com o telemóvel sem danificar a câmara

Mafalda Vieira Santos
Mafalda Vieira Santos
10 Agosto 2026, 10:07
4 min tempo de leitura

Apontar o telemóvel ao Sol sem proteção adequada não é apenas uma má ideia para a foto, pode danificar o sensor de imagem de forma permanente. A ótica de um smartphone funciona como uma lupa, concentrando a luz solar num ponto minúsculo que pode queimar o sensor em segundos, resultando em manchas, pontos negros ou píxeis mortos em todas as fotografias futuras. Com o eclipse de 12 de agosto a aproximar-se, vale a pena saber o que fazer antes do dia.

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Protege a câmara antes de a apontar ao Sol

Filtro certificado ISO 12312-2

Nunca apontes a câmara diretamente ao Sol sem um filtro que cumpra a norma ISO 12312-2, a mesma exigida para os óculos de observação. A forma mais prática de improvisar é recortar uma das lentes dos óculos de eclipse certificados e colá-la sobre a objetiva do telemóvel, garantindo que não ficam aberturas por onde a luz possa entrar.

O que não usar: filtros ND fotográficos normais, óculos de sol, radiografias ou vidros fumados. Nenhum destes bloqueia a radiação invisível que danifica o sensor.

Atenção ao módulo de câmaras

Nos telemóveis com várias lentes, principal, ultra grande angular e teleobjetiva, o filtro deve cobrir a lente que está a ser usada ou, de preferência, todo o módulo fotográfico. O risco é o telemóvel mudar automaticamente para uma lente desprotegida ao ajustar o zoom, expondo o sensor sem aviso.

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Como tirar a melhor foto

Bloqueio de exposição e foco

Toca continuadamente no ecrã sobre o disco solar até aparecer o ícone de cadeado, o bloqueio AE/AF. Sem este passo, o telemóvel vai tentar ajustar automaticamente a exposição ao longo do evento, resultando em imagens inconsistentes.

Ajuste de brilho

Após o bloqueio, baixa o cursor de exposição (ícone do sol ao lado do ponto de foco) até o Sol deixar de aparecer como um borrão de luz branca. É aqui que os detalhes do crescente ficam nítidos.

Definições manuais

Se o teu telemóvel permitir modo profissional ou manual, usa um ISO baixo (100 a 200) e uma velocidade de obturação rápida (abaixo de 1/1000). Reduz o ruído e evita a sobreexposição mesmo com filtro.

Estabilidade

Usa um tripé ou apoia o telemóvel numa superfície firme: um muro, o tejadilho de um carro, uma pedra. Ativa o temporizador de 3 segundos para disparar sem introduzir tremido na imagem.

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Vídeo e timelapse: o que funciona melhor

Clipes curtos

Evita gravar continuamente durante as duas horas do eclipse: sobreaquece o processador e drena a bateria precisamente quando mais precisas deles. Faz clipes de 30 segundos a 1 minuto no momento do máximo, à volta das 19h32.

Timelapse

Durante as fases parciais, um timelapse com intervalos de 1 a 2 segundos capta melhor o movimento lento da Lua do que um vídeo em tempo real. O resultado final é muito mais apelativo e o ficheiro ocupa muito menos espaço.

Zoom ótico vs. digital

Usa sempre o zoom ótico em vez do digital. O zoom digital apenas amplia os píxeis existentes e degrada a qualidade da imagem. Se o teu Android não tiver teleobjetiva suficiente para aproximar o Sol, aceita a limitação e compõe o enquadramento com mais contexto: o horizonte, a paisagem, as pessoas à volta.

Se não tiveres filtro: o que podes fotografar na mesma

Sem filtro, não apontes a câmara ao Sol, mas há muito para fotografar à volta. A descida de luminosidade na paisagem durante o máximo da ocultação é visualmente impressionante e fotografável sem qualquer proteção especial. As reações das pessoas à volta também fazem imagens fortes.

Um detalhe que poucos conhecem: durante as fases parciais, a copa das árvores funciona como um projetor natural. Os espaços entre as folhas criam pequenos orifícios, como um pinhole, que projetam no chão dezenas de crescentes solares em miniatura. É um dos efeitos mais fotogénicos do eclipse e não exige filtro nenhum.

Apps que ajudam a planear a fotografia

A Eclipse Guide, o Stellarium e o Shade Map são as apps mais úteis para preparar a fotografia: confirmam a posição exata do Sol no momento do máximo, simulam o eclipse a partir da tua localização e verificam se algum obstáculo vai bloquear a linha de vista para o horizonte.

Se ainda não conheces estas apps, temos um guia completo sobre as melhores apps Android para seguir o eclipse onde as explicamos em detalhe — vale a pena ler antes do dia 12.

→ Apps para ver o eclipse solar de 2026 no Android