Deepfakes são vídeos falsos e vozes sintéticas ultrarrealistas, criados com recurso a inteligência artificial. Parece tecnologia saída de um filme de ficção científica, mas a verdade é que já é usada para enganar e burlar pessoas no dia a dia.
Este fenómeno não se limita a outros países; também em Portugal, a polícia e as autoridades competentes alertam para os perigos deste tipo de fraude.
Neste artigo, explico-te o que são exatamente os deepfakes, como os criminosos os utilizam para roubo de identidade e, mais importante, o que podes fazer para te protegeres.
O que é um deepfake?
Um deepfake é um ficheiro de áudio ou vídeo no qual o rosto, os movimentos labiais ou a voz de uma pessoa são recriados através de inteligência artificial (IA). O resultado é tão convincente que parece que essa pessoa disse ou fez algo que, na realidade, nunca aconteceu.
Tecnicamente, isto é possível através de modelos generativos que, com base em material de imagem e som existente, produzem uma nova representação completamente realista. Os deepfakes podem ser usados para criar desde vídeos divertidos de troca de rostos até vídeos falsos extremamente persuasivos, quase impossíveis de distinguir dos verdadeiros.
O grande alerta da polícia e dos especialistas em cibersegurança é que a tecnologia para criar estes vídeos está a tornar-se cada vez mais acessível, fácil de usar e barata.
Deepfakes e fraude
Os criminosos recorrem a deepfakes de várias formas para ganhar a confiança das suas vítimas. Um dos métodos mais comuns é a chamada “fraude do CEO”, em que um falso funcionário, usando a voz ou a imagem do diretor da empresa, tenta convencer um colaborador a pagar faturas fraudulentas através de técnicas de engenharia social.

Outra tática passa por usar deepfakes para contornar sistemas de verificação. Vídeos ou áudios convincentes podem ser usados para enganar controlos de segurança telefónicos ou biométricos.
As seguradoras são outro alvo frequente. Os criminosos usam IA para simular danos avultados em acidentes ou para fabricar faturas falsas, resultando em fraudes de milhões de euros.
Além disso, os deepfakes são frequentemente usados para criar conteúdo pornográfico falso com celebridades. Nestes casos, os rostos de pessoas famosas são digitalmente inseridos nos corpos de atores pornográficos, uma prática invasiva e criminosa.
A criação de deepfakes é crime?
A criação ou distribuição de um deepfake não é, por si só, automaticamente ilegal. No entanto, a sua utilização para fins maliciosos é. Atividades como o roubo de identidade ou a criação de pornografia deepfake são crimes puníveis por lei.
Adicionalmente, a Autoridade de Proteção de Dados esclarece que o uso da imagem e voz de alguém está protegido pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). O processamento destes dados pessoais exige uma base legal, e o seu uso indevido pode levar a sanções ou a pedidos de remoção. Isto significa que as vítimas têm o direito de exigir a eliminação dos deepfakes e, em muitos casos, de pedir uma indemnização.
As autoridades de cibersegurança alertam também que os deepfakes representam uma ameaça digital crescente. Aumentam significativamente o risco de ataques de phishing, engenharia social e fraude empresarial. Por isso, a recomendação é clara: tanto as organizações como os cidadãos devem adotar medidas de proteção e promover a sensibilização para este problema.
O que podes fazer contra deepfakes
Apesar de os deepfakes estarem cada vez mais sofisticados, ainda existem sinais que te podem ajudar a verificar a autenticidade de um vídeo ou de uma chamada. Fica atento a estas dicas:
Faz perguntas de verificação e desliga para ligar de volta. Se receberes um pedido urgente por vídeo ou voz — como uma transferência de dinheiro ou a partilha de dados sensíveis —, a melhor defesa é desligar. De seguida, contacta a pessoa ou a empresa através de um número de telefone oficial que já tenhas ou que procures de forma independente.
Este passo simples é muitas vezes suficiente para desmascarar a fraude, pois os burlões contam com a pressão do momento e raramente conseguem manter uma história consistente se lhes deres tempo para pensar.
Procura inconsistências na imagem e no som. Presta atenção a detalhes que pareçam estranhos: movimentos oculares pouco naturais, piscar de olhos esquisito, sombras que não correspondem à iluminação, ou uma sincronização labial imprecisa.
Erros subtis na imagem, como distorções na linha do maxilar ou no pescoço, também podem ser um sinal de manipulação. No áudio, desconfia de uma voz que soe demasiado robótica ou monótona. Em qualquer chamada, faz perguntas sobre detalhes pessoais que apenas a pessoa real saberia responder.
Deepfakes: uma ameaça real e crescente
Os deepfakes são, sem dúvida, um risco crescente para a segurança digital e o roubo de identidade. A tecnologia está a ser ativamente explorada para fins criminosos, mas felizmente existem contramedidas eficazes.
A mensagem principal é manteres-te sempre alerta e cético. Verifica antes de agir, liga de volta para números oficiais e, como camada extra de segurança, ativa sempre a autenticação de dois fatores (2FA) em todas as tuas contas.
