A bateria do teu telemóvel está a acabar e só tens um carregador de portátil à mão. E agora? É seguro usar este carregador ou corres algum risco? Neste artigo, esclarecemos de vez a questão: podes carregar o teu smartphone com o carregador do portátil?
Carregar o telemóvel com o carregador do portátil
Encontras um cabo USB-C e pensas: “Vou ligar o meu telemóvel aqui um instante.” Mas, para teu espanto, descobres que na outra ponta não está um transformador de telemóvel, mas sim o carregador de um portátil. Entras em pânico. Será que acabaste de danificar o teu telemóvel?
O aparelho não explodiu, é certo, mas a dúvida persiste: terá algo corrido mal com a bateria ou com a porta USB-C por teres usado um carregador consideravelmente mais potente?
Mais cedo ou mais tarde, este cenário vai acontecer-te. Cada vez mais dispositivos utilizam uma ligação USB-C. Embora muitos carregadores de portáteis ainda usem uma ficha redonda tradicional, modelos mais recentes, como os da HP, já adotaram o USB-C. Frequentemente, estes carregadores têm uma potência (wattage) muito superior, o que te pode levar a pensar que o teu telemóvel está a ser sujeito a uma carga excessiva.
A boa notícia é que não há motivo para alarme. Ao contrário do que acontecia antigamente, os carregadores e os telemóveis modernos não são componentes “burros” que transferem energia sem qualquer controlo.
O teu smartphone está equipado com vários sistemas inteligentes que monitorizam a bateria e garantem que esta não recebe uma potência demasiado elevada de repente. Desta forma, o próprio telemóvel previne danos que poderiam ser causados por uma sobrecarga.
Esta comunicação entre dispositivos modernos é gerida pelo protocolo USB Power Delivery. Nos cabos mais antigos que não suportam esta tecnologia, o smartphone simplesmente adota uma abordagem de segurança, limitando o carregamento a um ritmo muito lento — por vezes, apenas 5 Watts. A consequência é que demorará muito mais tempo até a bateria ficar cheia.
USB Power Delivery
O USB Power Delivery, também conhecido como USB-PD, é um protocolo que permite a uma ligação USB-C fornecer mais energia do que as versões USB mais antigas. Se ambos os dispositivos forem compatíveis com USB-PD, eles conseguem comunicar e “negociar” a quantidade de energia que um pode fornecer e o outro pode receber de forma segura.
Além disso, a energia pode fluir em ambas as direções. Isto significa que o teu portátil pode carregar o telemóvel, mas o telemóvel também pode, por exemplo, carregar uns auriculares ou receber energia de uma power bank.
Existem várias versões de USB-PD, que se distinguem principalmente pelos níveis de tensão e pela potência máxima suportada. A norma atual, PD 3.1, por exemplo, atinge até 240 Watts de potência com níveis de tensão de 28, 36 e 48 Volts. Assim, se a velocidade de carregamento não for a ideal, mesmo com dois dispositivos compatíveis, a causa pode ser a utilização de versões diferentes do protocolo.
É também por esta razão que muitos smartphones atingem a sua velocidade máxima de carregamento apenas com o carregador da própria marca. Pensa na OPPO e na OnePlus, que utilizam a tecnologia SuperVOOC. Podes perfeitamente ligar um OnePlus a um carregador da Motorola de 125 Watts, mas ele não carregará a essa potência, pois a Motorola não integra a tecnologia SuperVOOC.
No entanto, podes usar esse carregador da Motorola durante anos sem qualquer problema. As condições não são as ideais, o que significa simplesmente que o carregamento será mais lento.
Então, devo usar o carregador do portátil ou não?
Concluindo, não é prejudicial usar o carregador do portátil para carregar o telemóvel, mas também não é a solução mais prática. Mesmo com a comunicação inteligente entre os dispositivos, o ideal é continuares a usar um carregador concebido para o teu telemóvel.
Além disso, um carregador de telemóvel poupa imenso espaço na tua mala, já que os de portátil são, regra geral, muito maiores e mais pesados.
Uma nota final interessante: o inverso também funciona. Podes carregar o teu portátil com o cabo USB-C do telemóvel, mas, como a potência é muito menor, o processo será significativamente mais lento.