Hoje em dia, o ecrã sempre ligado (ou Always-on Display) é praticamente uma funcionalidade padrão no mundo Android. Até o iPhone já se rendeu a esta tecnologia. E faz todo o sentido: na sua essência, é uma funcionalidade prática, conveniente e visualmente agradável.
O ecrã sempre ligado
A grande vantagem deste ecrã “sempre ativo” é teres a informação imediatamente à mão. Basta um olhar rápido para saberes o que precisas, sem teres de desbloquear o telemóvel. Claro que falamos de informação básica, como as horas, o estado da bateria, novas notificações ou aqueles widgets que decidiste estacionar ali. Por norma, este ecrã consome pouca energia, o que torna o “custo” da sua utilização bastante baixo. E as vantagens não se ficam por aqui.
O esforço necessário para aceder a estes dados é mínimo. Só tens de olhar para o smartphone (ou, no máximo, levantá-lo). Acabou-se a confusão com os botões. Além disso, as notificações são apresentadas de forma discreta, não te distraindo nem sugando a tua atenção assim que aparecem. Para rematar, muitas vezes podes personalizar o visual destes ecrãs ao teu gosto. Ainda assim, existem boas razões para ponderares desativar esta funcionalidade.
O risco de burn-in
Quando um smartphone com painel OLED exibe constantemente os mesmos ícones ou linhas de texto, corres o risco de esses elementos ficarem permanentemente “queimados” no ecrã (o chamado burn-in). É verdade que os fabricantes tomam medidas para mitigar este problema, mas a probabilidade nunca é zero quando lidamos com a tecnologia OLED. Visto que os smartphones não são baratos — e não deverão baixar de preço tão cedo —, e como os mantemos connosco cada vez mais tempo, é um ponto que merece a tua atenção. Esperemos que não te aconteça a ti.

A bateria continua a gastar
Mesmo sendo uma funcionalidade eficiente, o ecrã sempre ligado tem a sua quota-parte de responsabilidade no consumo de energia. A Dxomark investigou o impacto real do Always-on Display na autonomia: a bateria gasta-se quatro vezes mais depressa do que no modo de espera normal. Num período de 24 horas, conta com uma perda de 20% da capacidade. É cerca de 1% por hora — uma percentagem que, em momentos críticos, pode fazer toda a diferença no teu dia.
Confusão com as notificações
Por muito agradável que soe a ideia de notificações menos intrusivas, a verdade é que, por vezes, passam completamente despercebidas. Ocupam tão poucos píxeis que acabas por nem as ver. Isto acontece sobretudo em ambientes muito iluminados, se o ecrã estiver com o brilho no mínimo. Não ajuda o facto de cada fabricante apresentar as notificações à sua maneira, muitas vezes com um minimalismo excessivo. Se mudares de marca, podes acabar por perder informações importantes simplesmente por não estares habituado àquela apresentação.
Involuntariamente distrativo
Mais ainda: o ecrã sempre ligado pode ser uma fonte de distração involuntária. Se tiveres o telemóvel na secretária, o ecrã aceso puxa constantemente o teu olhar, mesmo que não queiras. Para evitar o burn-in do ecrã OLED, a informação apresentada move-se subtilmente. Esse movimento no canto do olho é surpreendentemente incomodativo e sugere, muitas vezes erradamente, que chegou uma nova notificação. Resultado: perdes o foco nas tuas tarefas principais e ficas a olhar para o telemóvel em vez de trabalhares.
Além disso, esta funcionalidade remove a barreira física de “verificar o telemóvel”, levando a que o faças sem pensar. Normalmente, tens de pegar no aparelho ou desbloqueá-lo para ver as novidades. Esse pequeno esforço obriga-te a decidir conscientemente se queres interromper o teu fluxo de trabalho. Ao eliminar essa barreira, o ecrã sempre visível aumenta a tentação psicológica. Ficas mais propenso a olhar de forma automática e a cair no vício de verificar as notificações a cada dois minutos.